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Sal: Coordenadora do ICCA "preocupada" com número de crianças a passar por stress, depressão e ansiedade 23 Setembro 2021

A coordenadora do Instituto Cabo-verdiano da Criança e Adolescente (ICCA), no Sal, manifestou-se, esta quinta-feira, 23, “preocupada” com o “número significativo” de crianças a passar por situações de stress, depressão e ansiedade.

Sal: Coordenadora do ICCA

Queila Soares manifestou esta inquietação à Inforpress, à margem de uma acção de formação em educação emocional e saúde mental das crianças e adolescentes, promovida pelo ICCA, no âmbito do projecto “Saúde mental do adolescente – informar para prevenir”.

“É uma situação preocupante. Temos tido muitas situações de stress, depressão, ansiedade, adolescentes com problemas comportamentais, envolvendo-se com substâncias tóxicas, drogas e álcool, com problemas familiares (…), cenário que nos mostra a realidade da ilha, e nos preocupa muito”, exteriorizou Queila Soares.

Neste sentido, a coordenadora disse compreender que todo um trabalho deverá ser desenvolvido na prevenção para evitar que crianças e adolescentes cheguem a situações de doença e dependência, mormente na ilha do Sal, onde, conforme salientou, há poucos recursos a nível de serviços de atendimento na área da Psiquiatria, Psicologia e diversos outros serviços de saúde, mas também a nível de outras instituições, educação, escolas e organizações que lidam directamente com crianças.

Segundo a coordenadora do ICCA, os problemas de depressão, stress e ansiedade por que passam algumas crianças e adolescentes na ilha do Sal são provocados por situações de violação dos seus direitos, designadamente regulação do exercício do poder paternal, pensão de alimento, maus-tratos, abuso sexual, conflitos familiares e negligência, ocorrências que desencadeiam “emoções fortes” e que mentalmente “afectam e prejudicam” a criança e o adolescente.

Sem apresentar dados estatísticos concretos, Queila Soares disse, entretanto, que o ICCA atende uma média de 30 a 50 casos, mensalmente, de crianças e adolescentes com problemas de vária ordem.

“Diariamente temos situações do tipo, e isso preocupa-nos bastante. Mas a nível de outros serviços temos também conhecimento da existência de problemáticas ligadas à criança, de violação sexual, maus-tratos, negligência, abandono, situações que acabam afectando o psíquico da criança”, lamentou, questionando que os meninos procuram ou vão para a rua, porque “são vítimas na própria casa, na própria família”.

“Ir para a rua é uma forma de aliviar o sofrimento que vivenciam em casa. É uma realidade clara, e essa criança precisará de atendimento e seguimento, e muitas vezes há necessidade do afastamento do seu ambiente familiar, de residência, o que, por sua vez, poderá vir a desencadear outros conflitos internos e a nível de saúde mental. Daí a importância de trabalharmos precocemente na prevenção”, explicou.

Queila Soares aproveitou para pedir estabilidade familiar, atenção, amor e carinho aos filhos e à criança, “aspectos fundamentais”, reforçou, para um crescimento saudável de uma criança, “por mais que sejam mínimas as condições financeiras”.

“Pensar na criança como prioridade absoluta. Todos devemos unir visando uma mais e melhor atenção às nossas crianças e adolescentes”, enfatizou. Asemana com Inforpress

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