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Sal/Meliã hotéis: Denúncias de despedimento de mais de 600 trabalhadores, violação do regime de lay-off e gastos exagerados em bebidas alcoólicas 11 Mar�o 2021

Desde o início da pandemia de Covid-19 em Cab Verde até presente data, já foram despedidos mais de 600 trabalhadores nos hotéis Meliã Tortuga Beach Resort, Meliã Dunas Beach Resort e Meliã Llana Beach Hotel, no Sal, todos pertencentes ao The Resort Group. Trabalhadores desses hotéis procuraram este jornal para alertar sobre aquilo que consideram ser “novos abusos por parte do proprietário que estaria a aproveitar do decreto-lei que define o regime de Lay off, que possibilita o trabalho parcial dos funcionários, para forçar a despedimentos”, ao mesmo tempo que denunciam gastos exegerados - mais de mil contos - em bebidas alcoólicas supostamente pela representação do grupo no Sal.

Sal/Meliã hotéis: Denúncias de despedimento de mais de 600 trabalhadores, violação do regime de lay-off e gastos exagerados em bebidas alcoólicas

Conforme fontes seguras, os mais de 600 trabalhadores despedidos referem ao período compreendido entre Abril de 2020 (início da pandemia) e Fevereiro de 2021. Só no mês de Fevereiro deste ano 215 funcionários foram dispensados.

Uma fonte bem posicionada, que está a acompanhar a situação das referidas empresas, garante que uma grande parte dos trabalhadores encontra-se em regime de lay-off, mas uma maioria não viu os contratos renovados e foi despedida, mesmo depois desses trabalhadores terem entrado em regime de lay-off”.

O modelo de lay-off aplicado desde Abril para as empresas cabo-verdianas afetadas pela crise provocada pela Covid-19, prolongado para até 31 de Março, prevê a possibilidade do trabalho parcial dos funcionários. A fonte, que pediu anonimato, contatou este jornal para denunciar aquilo que considera ser “novos abusos” por parte da empresa. Critica que o presidente do conselho administrativo”, Robert Jarett, estaria a aproveitar o decreto-lei que estabelece o regime de lay-off para forçar a despedimentos por justa causa de funcionários, bem como para fazer acordos de revogação com os empregados.

“Desde a semana passada todo o pessoal, cujos 25% do seu salário são inferiores a 11 contos, foram chamados ao trabalho. O motivo não é de se preparar para a abertura dos hotéis, mas sim detetar os trabalhadores que voltaram às suas ilhas de origem (a maioria por motivos económicos) e, assim forçá-los a assinar acordos de revogação ou por outra forma serem demitidos, por justa causa, por não comparecerem, num prazo de 10 dias, no local de trabalho. Muitas vezes as pessoas não conseguem aparecer a tempo porque estão fora da ilha do Sal e não têm dinheiro para comprar passagens de avião e há um grande problema com ligações por barco no país. The Resort Group usa, mais uma vez, uma lei que originalmente queria ajudar as empresas a manter empregos para fazer o contrário: despedir o maior número de trabalhadores sem pagar a indemnização adequada. Também estão convocando mulheres grávidas que ainda não têm a baixa correspondente”, denuncia a fonte ouvida por este jornal.

Mas as denuncias não ficam por aí. Trabalhadores desta cadeia de hotel acusam também Robert Jarrett de utilizar o dinheiro da empresa para supostamente fazer compra de bebidas alcoólicas, num valor de mais de mil contos para o uso pessoal, num período em que as empresas queixam-se da falta de dinheiro para pagar os funcionários e pedem o apoio do Governo para cobrir as despesas. Este diário digital teve acesso a documentos que comprovam a compra das bebidas MOET CHANDON E SOMERSBY para o uso pessoal, porquanto, conforme alegam a nossa fonte, neste momento não há clientes para consumir todo esse dinheiro em bebida nos referidos estabelecimentos turísticos.

A fonte questiona ainda que, se o chefe tem dinheiro para consumir tudo isso em bebidas alcoólicas, porque é que não tem dinheiro para pagar os funcionários e não tira dinheiro do seu salário para custear supostos gastos pessoais.

Protestos de trabalhadores e salários em atraso

É de recordar que alguns trabalhadores do Hotel Meliã, em regime de lay-off, protestaram, no mês de Novembro no Sal, contra a “decisão unilateral” da administração da empresa que lhes queria pagar 11 mil escudos de salário. Chegaram inclusive a solicitar a intervenção do Governo neste sentido.

Entretanto, segundo um grupo de seis pessoas, representado por Ricardino Rodrigues e que procurou este jornal para reclamar desta situação, a empresa ainda não pagou o total dos 35% de salário referente aos meses de Novembro e Dezembro de 2020. Adémias, com o novo regime lay-off, que prevê o pagamento de 25% do salário, há quem não recebeu ainda o montante estabelecido por lei. “Eu devo receber neste momento somente 7,8% do salário, quando a empresa deveria pagar pelo menos 25%. Vou Receber somente 11.000$00”, afirma Ricardino Rodrigues, funcionário do Meliã.

Rodrigues, que é chefe de pastelaria, revelou ainda que recepcionistas, cozinheiros, animadores, Barmans, auxiliares da cozinha, entre outras categorias profissionais, são chamados a trabalhar duas horas por dia em áreas que não os compete, como fazer limpeza. Tudo isso, segundo as fontes deste jornal, para detetar quem são as pessoas que estão fora da ilha do Sal.

Grupo e reação

Entretanto, o Asemanaonline tentou ouvir a administração dos referidos hotéis, mas foi sem sucesso – móvel de Robert Jarett respondeu sempre inacessível às chamdas feitas. Por isso, contamos retomar esta matéria com o advogado da empresa já abordado neste sentido para recolher a versão de Resort Group.

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