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Sal/Reportagem: Músicos relatam dificuldades por cuasa da pandemia de covid-19 03 Mar�o 2021

Um dos sectores mais atingidos pela pandemia do Sars-cov2 no Sal é a cultura. Neste período, várias atividades, de entre elas a apresentação em bares, restaurantes e hotéis, ficaram suspensas. Com isso, os músicos perderam o seu rendimento e têm se reinventado formas para enfrentar esta nova situação. Mesmo com a retoma parcial de algumas atividades económicas, para alguns artistas isso ainda não é suficiente a retoma das atividades cultruais na ilhmais tuista de Cabo Verde. O Asemanaonline foi ter com esta classe de trabalhadores da área cultural para saber como têm estado a enfrentar essa crise provocada pela pandemia de Covid-19 no Sal.

Sal/Reportagem: Músicos relatam dificuldades por cuasa da pandemia de covid-19

Em entrevista ao jornal Asemana, o músico Palass Brito, de 48 anos, revelou que as dificuldades enfrentadas pela classe são várias, já que a maioria vivia da música. “Os músicos foram os mais prejudicados com essa pandemia e até agora o nosso futuro é incerto porque ainda não se sabe quando as coisas irão melhorar por completo. Felizmente eu tinha alguns bens que acabei por vender e consegui ganhar algum dinheiro para conseguir me sustentar. Vendi o meu carro e alguns instrumentos, porém o dinheiro já está quase a acabar e estou praticamente sob pressão”, expressou.

Palass Brito é pai de 4 filhos. Viveu na ilha do Sal por muitos anos, donde veio à procura de uma vida melhor, porém, com a crise teve que se mudar para a sua ilha natal para estar perto da família e superar as dificuldades. “Eu vivi muitos anos na ilha do Sal, mas eu sou de São Vicente. Voltei para a minha ilha para poder ter o apoio da minha família, dos meus filhos e poder estar perto daqueles que possam me ajudar nesta crise”, relatou

Assim como ele, o músico Elton Mendes, mais conhecido por Djony do cavaco por tocar cavaquinho, que acostumava também apresentar diariamente em bares, restaurantes e hotéis na ilha do Sal, comentou que enfrenta muitas dificuldades no momento. “Desde o dia 17 de março de 2020 tudo mudou para mim quando o telefone tocou e os ‘shows’ foram cancelados. Presenciei todos os meus projetos a irem por água abaixo. Passei dias sem dormir e a pensar o que iria fazer para sustentar a minha família”, expressou o artista com a emoção à flor da pele.

Elton Mendes também é pai de duas crianças e vivia antes da pandemia entre a sua casa e os ‘shows’. Eu vivia praticamente 70% fora de casa porque a música sempre foi o meu sustento desde 2011", revelou.

Ambas as fontes revelaram que nunca passaram por uma situação igual a essa, até porque sempre tiveram uma agenda muito frenética com ‘shows’ praticamente todos os dias, em bares, restaurantes, hotéis, mas agora mesmo com abertura gradual a situação continua complicada.

À reportagem do Asemanaonline, Elton Mendes revelou que, apesar das dificuldades, conseguiu tirar algumas lições com esta pandemia. “Aprendi a dar valor à milha família e a ficar mais tempo em casa, pois antes da pandemia costumava ficar muito tempo sem ver os meus filhos, inclusive durante a quarentena consegui escrever uma música, coisa que eu nunca fiz antes”, reiterou.

Já o cantor e pianista, Palass Brito, acredita que esta pandemia veio para demonstrar aos músicos que é preciso pensar e planear o futuro.

Em entrevista ao jornal, as fontes revelaram que nunca receberam nenhum apoio por parte do Governo e apelam para uma maior atenção à classe.

“Falo por mim. Eu nunca recebi nenhum apoio por parte do Governo. A única ajuda que eu tive foi dos meus fãs que vivem na diáspora, por isso acredito que o Governo deveria nos ajudar de alguma forma”, expressou Palass Brito.

“Eu não vi nenhum tostão por parte do Governo. Muitos músicos receberam alguma ajuda, mas eu nunca recebi. Acredito que o Governo deveria ter feito fazer uma pesquisa mais afundo para saber quem são as pessoas que realmente precisam de ajuda", reiterou, por seu turno, Elton Mendes.

É de recordar que a Sociedade Cabo-verdiana de Autores (SOCA) disponibilizou o valor de 500 contos para apoiar 30 artistas, entre 2020 e 2021, para fazer face às dificuldades criadas pela pandemia do novo coronavírus.

Lc/Redação

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