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Santa Catarina: Pescadores de Ribeira da Barca garantem nunca ter beneficiado da UTAV 20 Abril 2019

Os pescadores da vila piscatória de Ribeira da Barca, no concelho de Santa Catarina disseram hoje que, assim como a comunidade, nunca beneficiaram com a instalação da Unidade de Transformação e Agregação do Valor do Pescado (UTAV).

Santa Catarina: Pescadores de Ribeira da Barca garantem nunca ter beneficiado da UTAV

Os pescadores daquela localidade do município de Santa Catarina, no interior da ilha de Santiago, abordados pela Inforpress a propósito dos cinco anos da entrada em funcionamento da UTAV, foram unânimes em afirmar que a mesma não deveria estar a ser gerida por uma empresa privada, referindo-se à empresa espanhola Anine, representada por Abel Silva.

Nesse sentido, os homens do mar que criticaram a gerência da Anine pediram, igualmente, a sua destituição, tendo em conta que esta gestão não os tem beneficiado.

Por isso, exortaram a quem de direito que passe a gestão à Associação dos Pescadores e Peixeiras de Ribeira da Barca (APPRB) como outrora que, conforme lembraram, apesar das dificuldades não os deixou sem gelo.

“Ribeira da Barca está abandonada no que concerne à pesca, não temos apoios nem para aquisição de motores de popa, materiais de pesca e uma máquina de gelo”, frisaram os pescadores entrevistados pela Inforpress.

Herminigildo Martins, que devido a problemas de saúde hoje é proprietário de um bote de pesca artesanal, cujos pescadores vão ao mar a remo, fez saber que pelo facto de não prever dias melhores para a pesca naquela comunidade, não se arrisca a investir na aquisição de um motor.

No seu entender, a UTAV não deviria ser de uso privado, mas sim para servir a comunidade, sobretudo os pescadores de Ribeira da Barca.

De entre as dificuldades enfrentadas pelos pescadores apontou a aquisição de motor, materiais de pesca, arrastadores e máquina de gelo.

Relativamente ao problema do gelo, informou que se têm “desenrascado” com o “gelo caseiro” feito pelas pessoas através da arca frigorífica.

Já Artur Oliveira, que faz pesca com rede de “malha pequena”, sobretudo para captura da dobrada, disse que em caso de excedente do pescado têm que andar porta a porta à procura de gelo, que é insuficiente, aliás, conforme informou, são obrigados a vender o peixe ao “desbarato” e muitas vezes estragam e são jogados fora.

Perante essa situação do “abandono” da pesca e sem um espaço para venda de gelo, este entrevistado admitiu, por outro lado, que vai à faina sozinho para captura de mariscos.

Apesar de reconhecerem que o negócio de gelo tem sido o ganha pão de muitas pessoas, os pescadores da Ribeira da Barca voltaram a pedir a destituição da actual gestão da UTAV para que os pescadores possam ter acesso ao gelo e à câmara de frio.

Contactado pela Inforpress, o presidente da Associação dos Pescadores e Peixeiras de Ribeira da Barca (APPRB), José Rui de Oliveira, que considerou as críticas dos pescadores de “justas”, entende que a UTAV deveria passar a ser gerida pela câmara.

Entretanto, sem avançar pormenores fez saber que a APPRB em parceria com a edilidade tem um projecto para a sua reestruturação.

José Rui que não fala de “abandono” do sector da pesca admitiu que os pescadores têm enfrentado alguns problemas, sobretudo por falta de materiais para a pesca, arrastadores e falta de gelo.

Prometeu falar à imprensa depois de uma reunião decisiva entre a APPRB, Anine e responsável pelo sector da pesca, tendo em conta que o contrato de gestão da empresa espanhola termina este ano.

Recentemente, por altura das comemorações do Dia do Pescador que teve como palco aquela vila piscatória, o secretário da Economia Marítima, Paulo Veiga, anunciou que 2019 vai ser o “ano de viragem” para o sector das pescas em Cabo Verde, lembrando se tratar de uma área “extremamente importante” para a economia cabo-verdiana.

No caso da vila piscatória de Ribeira da Barca, o governante deixou o compromisso de pôr a máquina de gelo a funcionar o “mais brevemente possível”, e de ajudar a Associação dos Pais e Encarregados de Educação de Ribeira da Barca na conclusão da construção de uma embarcação, de melhorar o arrastador local, investir na Unidade de Transformação e Agregação do Valor do Pescado (UTAV) e ainda recuperar o porto local e dá-lo a dinamização que merecer ter.

A propósito dos arrastadores, garantiu que já têm financiamento disponível e que vão executar obras nesse sentido em todas as 88 comunidades piscatórias existentes no país.

Neste momento a UTAV está a ser gerida pela empresa espanhola Anine, com a qual assinaram um protocolo no mês de Janeiro 2014.

A UTAV foi inaugurada em 2012, entrou em funcionamento no mês de Abril de 2014. A Semana com Inforpress

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