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Disputa entre as Regiões aquece: Sokols 2017 defende mais autonomia para ilhas, autarcas de Santiago apelam ao Governo para investir mais na “ilha mãe” 06 Abril 2019

Está a ser acirrada a disputa entre as Regiões de Cabo Verde. É que enquanto o movimento cívico Sokols 2017, com sede no Mindelo, defende, através do seu líder Salvador Mascarenhas, mais autonomia das ilhas através da Regionalização Política, os autarcas de Santiago acabam de apelar ao Governo da República para investir mais na «ilha mãe», que se encontra na cauda de desenvolvimento. Esse exacerbar de ânimos acontece no momento em que a proposta de lei sobre a Regionalização Administrativa apresentada pelo Executivo de Ulisses Correia e Silva foi chumbada pelo parlamento por falta de consenso entre os partidos políticos com assento na Assembleia Nacional.

Disputa entre as Regiões aquece: Sokols 2017 defende mais autonomia para ilhas,  autarcas de Santiago apelam ao Governo para investir mais na “ilha mãe”

Apesar dos protestos com o epicentro no Mindelo contra o alegado centralismo da Capital, os presidentes dos nove municípios da ilha de Santiago foram, esta sexta-feira, na sequência de uma reunião da sua associação representativa, unânimes em reconhecer que Santiago encontra-se “na cauda do desenvolvimento”. Por isso, apelam ao Governo da República para investir mais na “ilha mãe”, sobretudo nos municípios rurais.

“Apelamos ao Governo para investir mais em Santiago, não obstante as reivindicações das outras ilhas, porque Santiago está a sofrer. Santiago é a ilha mãe, mas os indicadores do desenvolvimento não ajudam bastante. Portanto, temos que investir mais, sobretudo nos municípios rurais”, queixou-se o presidente da Associação dos Municípios de Santiago (AMS), Clemente Garcia, que falava em nome dos demais autarcas.

Segundo a Inforpress, os presidentes de câmara que estiveram reunidos nos Paços do Concelho de Santa Cruz, em IX sessão ordinária da assembleia-geral, vão enviar um memorando ao Governo para que, realçaram, o Executivo possa olhar para Santiago de uma “outra forma”.

Nessa sessão da assembleia-geral da Associação dos Municípios de Santiago (AMS), estiveram ainda sobre a mesa a questão do plano de mitigação, do Aterro Sanitário de Santiago, apresentação do DBX (digital Agency) e Empresa ESRI sobre SIG (Sistema de Informação Geográfica) para os municípios de Santiago.

Relativamente ao plano de mitigação da seca e do mau ano agrícola que afecta a ilha de Santiago, sobretudo os municípios rurais, Clemente Garcia avançou que o plano já está a ser implementado em alguns municípios, e que já começou a dar respostas.

A esse propósito, indicou que na próxima semana que o mesmo [plano de mitigação] vai estar a funcionar em pleno em todos os municípios de Santiago.

Ainda decorrente do mau ano agrícola, avança a Inforpress que o também edil de São Domingos apontou a falta de água como outro problema, tendo avançado que vão enviar um memorando ao Governo para junto com a AdS (Águas de Santiago) possa solucionar este problema que está a afectar vários municípios de Santiago.

Referindo-se ao aterro sanitário, Clemente Garcia informou que essa infra-estrutura já entrou em funcionamento e que os municípios, com excepção de Santa Catarina e do Tarrafal já estão a depositar lixo no seu espaço.

Segundo explicou, esses dois municípios [Santa Catarina e Tarrafal] estão a ter dificuldades, porque ainda não foi construído a central de transferência do lixo a ser erguido em Santa Catarina, que já tem o financiamento garantido, faltando apenas a conclusão da compra do terreno par a sua localização.

Clemente Garcia disse acreditar que com a criação do centro de transferência do lixo que a lixeira municipal de Ribeira da Barca (Santa Catarina) e demais vão ser encerradas.

Na ocasião, Clemente Garcia informou ainda que os autarcas aproveitaram para analisarem os dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) sobre mercado do trabalho, onde solidarizaram-se com os municípios de Santa Cruz e São Salvador do Mundo que apresentam a taxa mais elevada do desemprego a nível nacional.

Sokols exige mais autonomia das ilhas

Contra o alegado centralismo da Capital - agora a ganhar novos contornos com a exigência dos autarcas para o Governo central investir mais em Santiago - está a Região Norte de Cabo Verde. Essa reivindicação, com epicentro na cidade do Mindelo, conhece novo impulso com o chumbo, na última sessão parlamentar de Março, da proposta de lei sobre a Regionalização Administrativa proposta pelo Governo de Ulisses Correia e Silva. Tudo por falta de consenso entre os partidos com assento parlamentar - MpD (poder), PAICV (oposição) e UCID.

É que, segundo escreve o líder Sokols 2017 na sua página de facebook, só a Regionalização Política garantirá igualdade de oportunidade entre as ilhas. «A Regionalização Administrativa, não terminará com o Centralismo como bem sabemos. Só com a Regionalização Política (Autonomia) haverá de facto igualdade de oportunidade de Santo Antão à Brava. Os responsáveis políticos dizem-nos à boca pequena que este é o caminho, que num futuro que não se sabe quando, chegaremos à Autonomia das Ilhas. Se já estamos atrasados, adiar mais será hipotecar o futuro de Cabo Verde».

Salvador Mascarenhas faz questão de realçar que todos desejam um melhor Cabo Verde - mais equilibrado, harmonioso e justo. Por isso, defende ser urgente para todos libertarem de complexos partidários e promoverem o debate sério e objectivo para fazer esse país evoluído, estabelecendo bitolas elevadas. « Mas essas bitolas serão atingidas só se combatermos a corrupção sem dó e isso implica uma melhor justiça; Apostar na meritocracia, eliminando liminarmente as conveniências partidárias /familiares na atribuição de cargos de gestão, onde o que mais manda é a competência e experiência individual em rigorosos concursos de seleção; A descentralização ’tout court’ que não nos parece fazível nesta altura devido às profundas raízes do centralismo. E só com uma regionalização de facto - com poder decisório e legislativo nas regiões, respeitando o todo e a unidade nacional, com a criação de um Senado onde todas as ilhas se representam por igual e em que as atribuições dos financiamentos deixam de ser da tutela do governo central mas sim da concertação das regiões ( centrípeto ), sendo o governo central diminuto responsável pela coordenação das políticas educativas, da defesa, da saúde e das relações externas,etc, mas sempre em coordenação com o Senado - levará por fim à descentralização, ao equilíbrio, à harmonia e igualdade de oportunidade a todas as ilhas, deixando de fazer sentido a dolorosa expressão ’ilhas periféricas’».

Salvador Mascarenhas defende ainda a criação de um sistema eleitoral com listas uninominais, onde cada cidadão poderá se candidatar sem inscrições partidárias, fomentando a cidadania activa e combatendo as clientelas partidárias.

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