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Santiago Norte: Líder regional do PAICV questiona ação do Governo e considera que 2018 foi difícil para os residentes 08 Janeiro 2019

«Em 2021, o que é que o actual Governo irá vender ao povo de Santiago Norte? Não existe programa para o setor agrícola, para a pecuária, para as pescas. Do turismo rural já nem se fala. Em que ficamos?» Este questionamento ao Executivo de Ulisses Correia e Silva parte da Comissão Política Regional do PAICV em Santiago Norte, para quem o ano de 2018 foi difícil em todos os domínios para os residentes.

Santiago Norte: Líder regional do PAICV questiona ação do Governo e considera que 2018 foi difícil para os residentes

Em comunicado assinado pelo sue líder António Fernandes, a Comissão Política Regional diz ter verificado que o ano 2018 foi difícil para a população e as famílias da Região Santiago Norte. Tudo num contexto de seca/mau ano agrícola e numa ausência de políticas públicas por parte do Governo do MpD e da maioria das Câmaras Municipais da mesma Região.

«É preocupante registar que quase três anos depois do empossamento deste governo, não se consegue ver ou perceber qualquer projeto o programa governativo para o desenvolvimento de Santiago Norte», contesta a CPR-SN do PAICV.

Segundo a mesma fonte, Santiago Norte é a região de Cabo Verde que reúne melhores condições para o desenvolvimento do turismo rural, da agro-indústria e da pecuária. Potencialidades que, quando desenvolvidas, poderiam garantir a segurança alimentar, combater o desemprego e a marginalização social, promover o bem-estar social, o desenvolvimento económico e a capacidade competitiva do país.

Mas, para o maior partido da aposição, até este momento ninguém consegue responder o que é que está programado para Santiago Norte no quadro das intervenções do governo central. «É certo que o governo anda a distribuir migalhas aos municípios, em forma de fundo do turismo e do ambiente, para calcetamento de ruas, construção de praças, entre outras obras de cosmética urbana. São obras importantes para o embelezamento dos centros urbanos da região. Mas será que Santiago Norte merece apenas aparecer com os seus centros urbanos bonitos na fotografia, enquanto as suas bacias hidrográficas, os seus vales e montanhas, os seus agricultores e criadores de gado continuam a ruminar no dedo, a braços com falta de oportunidades, de investimentos, de projetos para o desenvolvimento das suas atividades?», questiona a CPR liderada por António Fernandes.

O político considera que o ano de 2018 foi difícil na Região. Tudo, segundo ele, por ausência de políticas públicas consistentes para a região.

Falhanço no Plano de mitigação da seca

A CPR considera que o país encaminha para dois anos de seca, mas carece de um plano governamental consistente para mitigar os seus efeitos negativos na vida das populações. «O plano de mitigação dos efeitos da seca, anunciado com pompa e circunstância pelo Governo, para a maioria dos agricultores e dos criadores da região de Santiago Norte, não passou de um instrumento de propaganda. Foi um plano desajustado no tempo, um plano desadequado às reais necessidades do público-alvo. O mesmo não conseguiu evitar a morte de animais e que a maioria dos criadores desfizesse dos seus animais a preço de "bacatela".

O maior partido da oposição alerta, por outro lado, que o Cabo Verde entra num segundo ano de falta de chuvas e neste momento não se sente a presença do Governo de Ulisses Correia e Silvas e das Câmaras Municipais junto dos agricultores, dos criadores e da população. «É preciso urgentemente um plano de emergência para socorrer a população mais afetada», exige a mesma formação política em Santiago Norte.

Menos água e queda nos indicadores sociais

Segundo o comunicado da CPR, regista-se uma quebra em vários indicadores sociais na Região. «No setor da água, assistimos a degradação da produção/distribuição da água com a população a denunciar a falta de água nas torneiras e o aumento exorbitante do preço de água. Assistimos a grande polémica a cerca da má gestão e de transferências ilegais/imorais de avultados valores, em dinheiro, para contas pessoais de Administradores da Empresa Águas de Santiago, enquanto a população sofria a penúria de água».

Revela a mesma fonte que os dados do inquérito do INE vieram a confirmar que a taxa de atividade económica baixou em todos os municípios de Santiago Norte. «A taxa da população empregada diminui em todos os municípios de Santiago Norte. Santiago Norte está a liderar em número desempregados e em número de pobres em Cabo Verde».

Paralisação de obras e jovens sem oportunidades

Salienta que a CPR-PAICV vinha alertando para a difícil situação, por considerar que o Governo não fez investimentos capazes de alavancar o desenvolvimento da Região.
O documento referido faz também questão de realçar que os jovens são os mais prejudicados com a falta da dinâmica económica e de investimento em infraestruturas cruciais para afirmação da região norte de Santiago. «Temos jovens desempregados, desencorajados, desesperados e sem perspectivas. Por isso, muitos estão a abandonarem a região».

A CPR denuncia ainda a falta de assunção de compromisso do Governo e das Câmaras Municipais para com o desporto na Região. «Assistimos a paralisação de campeonatos em algumas modalidades desportivas por falta de compromisso das Câmaras Municipais e do Governo Central. Isto para não falar da vergonha com a paralisação das obras do pavilhão desportivo de Tarrafal e das promessas não cumpridas com os campos relvados em 2017 para São Lourenço dos Órgãos e São Salvador do Mundo».

Educação em queda e Câmaras sem visão

Conforme ainda a liderança de António Fernandes, a educação e formação em Santiago Norte está perante o risco iminente da degradação dos indicadores face à difícil situação económica reinante. «Há um número significativo de jovens na eminência de optarem pelo abandono das instituições de ensino superior por falta de bolsas de estudos. Verificamos inquietações dos país e encarregados de educação perante problemas de acessibilidades ao ensino impostas pelos agrupamentos encolares em vigor».

Na óptica da CPR do PAICV, a falta de visão e de ambição dos autarcas do MPD, em Santiago Norte, poderá comprometer ambição desta parte do território da ilha maior de Cabo Verde. «Autarcas que em vez de associarem à população e aos empresários na defesa dos seus interesses, entrem em estratégias de encobrir a falta de investimentos económicos e sociais de um Governo que não apresentou uma opção clara para a Região Santiago Norte, a segunda Região do país em termos da população».

Apresenta como exemplo o Município do Tarrafal, que é, segundo a mesma fonte, um caso evidente da falta de visão autárquica, numa lógica do desenvolvimento local sustentável. «Tarrafal de Santiago tinha tudo para dar certo e tudo para afirmar como uma verdadeira opção de desenvolvimentismo turístico. Os 26 anos da governação do MpD em Tarrafal contribui seguramente pela perda da dinâmica do município ano após ano», conclui a Comissão Política Regional do PAICV em Santiago Norte.

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