Em declarações à Inforpress, Anália Semedo contou que estão a viver “momentos difíceis e tenebrosos”, pois os produtos estão com preços elevados, os clientes não têm poder de compra para tal, o que coloca em causa o ganha-pão das vendedeiras.
“Os produtos estão com preços elevados, o nível de vida está caro e não há dinheiro, os nossos clientes perderam o poder de compra e com isso estamos a ter dificuldades em revender os produtos para honrar os compromissos com fornecedores e também tirar algum ganho para o sustento da casa”, revelou esta vendedeira.
Segundo a mesma fonte, este ano a esperança até que se aflorou com a chuva que caiu nos meses anteriores, mas com esta mudança de temperatura tudo ficou incerto, sendo necessária alguma chuva em Outubro para garantir uma produção melhor e assim ter uma baixa de preço nos produtos nacionais, mas caso isso não aconteça prevê uma situação cada vez mais complicada.
No mesmo local encontramos Isabel Borges que também lamentou esta situação, reforçando que ela também, além de verduras e legumes vende peixe e outros produtos, mas tem tido mais prejuízos do que ganho, pois nem todos os dias tem a sorte de vender alguma coisa, mesmo que saia nas ruas de porta-em-porta com a banheira na cabeça.
Aliás, sublinhou que neste momento está com medo de tomar produtos para revender porque, muitas vezes, o prejuízo ultrapassa o investimento e com tantas responsabilidades, dentre eles filhos para sustentar, compromissos com a escola e saúde, sendo as áreas prioritárias apontadas pela mesma em termos de educação, clama por uma maior atenção das entidades governamentais, no sentido de procurar uma forma de apoio para esta classe.
Luísa Gonçalves lamentou a situação vividas nos dias de hoje e disse temer que, mais tarde, a situação possa complicar, pelo que pediu ao Governo que sejam tomadas medidas a tempo e hora para que mais tarde esta classe não seja “sufocada” mais do que já se encontra.
“Precisamos de ajuda, apoios do Governo para podermos comprar os produtos e com a venda, mesmo que pouca, não temos de devolver o dinheiro aos proprietários e assim, após a venda podemos até comprar novos produtos para revender e tentar dessa forma tirar algum lucro e honrar os compromissos”, defendeu, reforçando que ao tomar produtos para depois entregarem o dinheiro não conseguem ver nenhum rendimento, mas neste momento esta é a única alternativa.
Esta situação é a realidade de todas as vendedeiras do mercado, mesmo as que possuem propriedades agrícolas onde lamentam a mudança de temperatura e de cenário de forma “brusca” este ano, colocando por terra todas as esperanças que não só os agricultores, mas todos os cabo-verdianos já tinham alimentado de ter um ano agrícola diferente, o que mudaria muitas vidas.
A Semana com Inforpress