Legislativas 2021

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Analistas afirmam: O povo clama por mudanças 16 Abril 2021

A pandemia do coronavírus e a seca que assolaram Cabo Verde nos últimos anos puseram em prova o governo do executivo de Ulisses Correia e Silva que, de acordo com várias análises, “deixou muito a desejar”. Daí que não seja de estranhar que alguns analistas prevejam que o desfecho das eleições do próximo dia 18 de abril tenha fortes probabilidades de não correr de feição para o MpD. Pelo menos são estas as previsões dos analistas políticos, Alcindo Amado e Daniel Costa. Em conversa com o A Semanaonline, ambos vaticinam que, se a vitória nessas eleições para um ou outro partido é uma incógnita, a possibilidade de uma "maioria absoluta" está, ao que parece, descartada e o cenário de um parlamento "mais plural" com um governo de coligação é possível.

Analistas afirmam: O povo clama por mudanças

Cenários POSSÍVEIS NO DIA 18 DE ABRIL

- Com base na observação da campanha e dados possíveis existentes até agora qual é vossa previsão quanto a uma possível mudança ou continuidade do governo cessante?

Arlindo Amado - Com base naquilo que tenho constatado junto do eleitorado, o partido no poder vai ter grandes dificuldades em renovar o mandato. O desempenho do atual Governo deixa muito a desejar, e os eleitores têm a consciência disto. A população tem estado muito atenta à ladainha dos partidos e, pelo que se nota, a decisão do potencial eleitorado foi tomada muito antes do início desta campanha, em função da análise do fraco desempenho do Executivo de ULISSES CORREIA E SILVA, integrado por uma cambada de incompetentes.

O sentimento de desilusão é notório no rosto de toda a gente, excetuando os habituais fanáticos que, teimosamente, continuam vendendo gato por lebre. Por outro lado, o partido no poder está tendo sérias dificuldades em fazer passar a sua mensagem. Isto devido ao facto da maioria dos militantes, que contribuíram para a esmagadora vitória nas eleições anteriores, terem preferido ficar de fora. Caso o MPD tiver a “sorte” de ser reeleito, vai ter sérias dificuldades em governar porque o sonho de maioria absoluta é para se esquecer.

Daniel Costa- A sensação com que fico é que existe uma importante expectativa no seio da população por mudanças, em termos de composição do quadro dos partidos políticos com assento parlamentar, no sentido de passarmos a ter um parlamento mais plural e fragmentado. Se essa expectativa tiver eco nas urnas, poderemos ter um dos vários cenários possíveis: uma maioria absoluta tangente para o MPD ou para o PAICV; ou nenhum desses dois partidos terá uma maioria absoluta, abrindo-se a possibilidade de um governo minoritário ou de coligação com um ou mais dos pequenos partidos.

Mas como o eleitorado cabo-verdianos tem tido um comportamento de voto conservador, alinhado com esses dois maiores partidos, e considerando que não dispomos de dados de sondagens que nos permitem fazer um prognóstico mais seguro, acredito que tanto poderemos ter uma maioria absoluta clara para o MPD ou para o PAICV, como nenhum desses poderá sair das urnas sem maioria absoluta. Neste contexto de falta de dados de sondagens fiáveis, só nos resta esperar pelos resultados das urnas. Mas, também, há uma forte expectativa para a mudança na forma como os deputados agem, no sentido de uma ação de representação mais efetiva, de encontro às demandas dos cidadãos.

- Qual é a vossa perceção de um cenário de “Governo partilhado para a estabilidade política e a afirmação da democracia?

Amado- Pessoalmente, defendo um governo coligado para evitar a tendência das chamadas “ditaduras parlamentares”.

Em caso de coligação, o possível seria um pacto mais à Direita (MPD/UCID), como habitualmente tem vindo a acontecer na Câmara Municipal de São Vicente. É do domínio público que a UCID sempre se vendeu ao MPD.

Costa- Penso que não será nenhum bicho-de-sete-cabeças, até porque já tivemos, em Cabo Verde, várias experiências de governos de coligação a nível local, por exemplo, em São Vicente, em São Filipe e na Praia, que funcionaram razoavelmente bem, até o final dos respetivos mandatos. Essas experiências servirão de bom exemplo para um eventual cenário de governo de coligação a nível nacional. Governo de coligação não significa, necessariamente, contexto de instabilidade.

Vários países no mundo, particularmente na Europa, são governados de forma exitosa por executivos formados por mais de um partido, obtendo resultados políticos e democráticos extremamente positivos. Aliás, as maiores economias e as melhores democracias europeias (e do mundo) estão em países com governos de coligação há várias décadas.

- Com a crise económica agravada pela pandemia do COVID-19 e a elevada dívida externa (mais de 151% do PIB), que desafios para o Governo a sair das eleições de 18 de Abril?

Amado- A crise económica vigente, o elevado índice de dívida externa à volta de 151% do PIB, agravado pela situação pandémica faz com que o próximo Executivo tenha, forçosamente, de adotar um Governo de “Salvação Nacional” sem muitas ambições.

Costa- Os desafios já são enormes e continuarão a ser enormes após as eleições de 18 de Abril. Haverão dois desafios importantes e complementares, destacadamente reduzir as dívidas internas e externas, ao mesmo tempo adotar medidas inovadoras para promover o crescimento económico sustentável, em diversos sectores, com o intuito de reduzir a pobreza e o desemprego.
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Na edição desta sexta-feira (16/04/2021, os dois convidados do Asemanaonline vão analisar outros temas relacionados com as legislativas de 2021.

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