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Santiago Sul: Deputados do PAICV propõem melhor organização do terminal de hiaces no Mercado de Sucupira 06 Junho 2018

Os deputados do PAICV para Santiago Sul pediram hoje à Câmara Municipal da Praia (CMP), que escute as reclamações e sugestões dos condutores em vista a melhorar a organização do terminal de hiaces que acaba de ser instalado no mercado do Sucupira.

Santiago Sul: Deputados do PAICV propõem melhor organização do terminal de hiaces no Mercado de Sucupira

O apelo foi lançado por Rui Semedo, porta-voz dos deputados do maior partido da oposição, após uma visita realizada esta terça-feira ao referido terminal.

Segundo Rui Semedo, o PAICV não é contra a reorganização do espaço urbano, mas defende que ela deve ser feita a favor das pessoas.

Este eleito nacional, que é também vice-presidente do PAICV, lembrou que os hiaces têm dado “um contributo social enorme por possibilitar a deslocação das populações” e garantir o transporte de estudantes para as instituições escolares, “apesar de este ser um papel que o Estado deveria assumir”.

Na sua ótica a reorganização do terminal nos moldes atuais está a dificultar a vida dos condutores, dos ajudantes e das pessoas que precisam deste serviço de transporte público.

“Temos que levar em conta que para trabalhar os hiacistas pagam impostos, como o Imposto Único Sobre Rendimento (IUR), o imposto de circulação e a Taxa de Manutenção Rodoviária junto com o combustível. Se calhar pagam demais para aquilo que é o trabalho que fazem,” enfatizou Rui Semedo, para quem a Câmara Municipal da Praia deveria ponderar se os hiacistas devem mesmo pagar mais uma taxa, tendo em conta o leque de impostos a que estão sujeitos.

Uma outra preocupação dos deputados do PAICV tem a ver com o facto de esta medida da CMP mudar a rotina desses trabalhadores chefes de família. É que muitos condutores passaram a dormir nos respetivos carros para conseguir um lugar na fila e comprar a senha que lhes permita fazer o transporte de pessoas.

“Eles têm que dormir aqui sem condições de segurança porque não há iluminação pública suficiente e sem condições de higiene porque não há sanitários. Ou seja, para trabalhar são obrigados a passar 24 horas neste terminal”, realçou o eleito nacional.

Rui Semedo lembrou ainda que essa reorganização deixou muitos ajudantes desempregados e por isso defendeu que a CMP ou o Estado devem oferecer alternativas para essas pessoas, sob pena de criar problemas sociais.

Os deputados do PAICV questionaram também a necessidade de se ter um terminal fixo para todos os condutores que ligam Cidade da Praia a outros concelhos.

É que, conforme Rui Semedo, a edilidade deveria apresentar outras alternativas de estacionamento para o transporte nos lugares tradicionais, isto para facilitar as pessoas que saem da Praia para Cidade Velha e que normalmente costumam apanhar o transporte na zona de Terra Branca ou as pessoas de Achada São Filipe que agora são obrigadas a de deslocarem até Sucupira para depois ir para o Tarrafal.

Conforme defendeu o vice-presidente do PAICV, a edilidade deveria aplicar esta medida de forma experimental numa primeira fase, e depois de ouvir as propostas dos condutores, corrigir os eventuais erros e passar a aplicar as multas somente após ter feito as correções necessárias.

Durante a visita dos deputados do PAICV o descontentamento dos condutores e ajudantes era visível no local. Dimas Almeida, que faz o trajecto Praia-Cidade Velha, afirma que a partir de agora é proibido parar na rotunda de Terra Branca para a entrada de passageiros, como fazia habitualmente, caso contrário é obrigado a pagar 25 mil escudos de multa.

“Os estudantes da Cidade Velha que estudam em Palmarejo devem ir a pé para apanhar o carro depois da Escola de Hotelaria e Turismo. Às vezes levantamos cedo para conseguir uma senha, mas nem sempre conseguimos completar duas viagens por dia”, relatou.

Mário Borges, que há dez anos trabalha na linha Tarrafal-Praia-Tarrafal, reclama que apesar de comprar a senha por 200 escudos nem sempre conseguem o número suficiente de passageiros, principalmente porque outros hiacistas “que não trabalhavam nesse trajecto, foram introduzidos na lista da CMP, o que acabou por aumentar a concorrência”.

Já Alex Moreira, que era ajudante, afirma que foi para o desemprego depois que essa medida entrou em vigor. “É disso que tiramos o nosso ganha-pão. Não vamos roubar porque seremos presos. Então devem arranjar-nos trabalho porque estamos à toa sem emprego”, pediu este ajudante que por dia ganhava mil escudos nesse trabalho. Fonte : Inforpress

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