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Santiago Sul: Candidaturas assentam holofotes no emprego 09 Abril 2021

Sendo o desemprego uma questão estruturante para um país insular e arquipelágico, com parcos recursos naturais, e que deve cerca de 24% do seu PIB ao turismo, precisamente o setor mais afetado pela atual crise económica global, o próximo Governo enfrentará severas dificuldades em matéria de emprego. Enquanto o MpD sublinha o crescimento da economia e redução do desemprego jovem (de 41% em 2016 para cerca de 25% anterior à crise iniciada em 2019) e prega a criação de mais empregos e melhores empregos, os restantes concorrentes ao circulo eleitoral e Santiago Sul discordam dessa leitura e apontam “falhas” nas políticas do emprego pelo Governo de Ulisses Correia e Silva (UCS).

Santiago Sul: Candidaturas assentam holofotes no emprego

Em entrevista ao A Semanaonline, Olavo Correia, ministro das Finanças e Vice-primeiro Ministro do governo cessante, este atenta-se aos números do desemprego jovem nos primeiros três anos do seu Executivo, em que o país teria registado um decréscimo acentuado de 41% em 2016 para cerca de 25% anterior à crise provocada pela pandemia do COVID-19 que surgiu em 2019, para afirmar a assertividade da política implementada nos últimos cinco anos pelo Governo do MpD
Correia relembra ainda que “já estão em andamento” medidas para garantir um emprego qualificado e bem remunerado, “a começar pela gratuitidade do sistema educativo e o aumento das bolsas de estudo no ensino superior”.

Quanto à formação profissional, segundo o mesmo, a meta é atingir 25 a 30 mil jovens por ano. A promoção empresarial e a captação de investimentos privados são outras apostas do seu partido.

No entanto as demais candidaturas que fazem parte desta corrida eleitoral no círculo de Santiago Sul discordam da avaliação dos “ventoinhas” e atribuem as responsabilidades da taxa de desemprego atual ao Governo liderado por UCS.

A UCID, encabeçada por Francisco Silva, na voz de João Santos Luís, vice-presidente do partido, fala em “promessas não cumpridas”, a lembrar a promessa de UCS de criação de 45 mil postos na duração do mandato que ora termina. E acusa: “Vimos que o governo simulou a criação de empregos através de estágios profissionais”, isso, acrescenta, “porque os estagiários iniciam os estágios, mas é muito pouca a parte que é aproveitada nas empresas”, afirma Luís que critica a falta de uma política ativa de emprego que responda às necessidades do arquipélago.

O mesmo salienta ainda que é preciso melhorar o desempenho da economia nacional para que possa traduzir-se na geração de empregos e melhoria da situação da população já empregada, “nomeadamente com o aumento do poder de compra”.
Assim, que a proposta da UCID assente no desenvolvimento do turismo como complemento de outros pilares de crescimento como a agricultura, as pescas e a pecuária.

Igualmente, o líder do PSD, João Além, aponta responsabilidades ao MpD e afirma que “não podemos estar a dizer que vamos criar 5 mil ou 15 mil empregos no país quando não criamos condições para que esse emprego apareça” considera. Este também aponta a cultura do “favoritismo” que é o que mais tem funcionado”, com grandes prejuízos aos jovens deste país.

Para Além, um dos problemas do desemprego está “na relação entre a qualidade do ensino e o mercado de trabalho”, sustentando que “mesmo com o trabalho os nossos jovens estão mal preparados. Saem dos ciclos e dos cursos sem condições de poderem responder às necessidades do país porque a educação não serve, é uma balela, é um passatempo!”. Por isso, sublinha “ser preciso instruir, educar, treinar e preparar os cidadãos para o futuro”.

Na opinião do representante do PAICV, António Fernandes, “não existiu, ao longo da legislatura que ora termina, uma visão estratégica “o que levou o atual governo a falhar nas medidas para o emprego”, pelo contrário, a provocar o aumento do desemprego. Daí que aponte à necessidade de uma agenda focada nos vários setores estratégicos para a geração de empregos.

Assim, o PAICV garante apostar na diversificação a economia, “para além dos investimentos necessários no setor do turismo”, como forma de prevenção de choques externos. Até porque como essa crise pandémica veio realçar, mais uma vez, o setor turístico “pode ser condicionado facilmente por situações adversas…””, sublinha.

Visão parecida tem o PTS que na voz do seu líder, Carlos Lopes, o “Romeu di Lurdes”, o desenvolvimento do setor industrial, bem como o desenvolvimento das capacidades técnicas dos recursos humanos serão apostas chaves para corrigir as falhas no setor do emprego e que é, também, “consequência da realidade do setor do emprego dos anos anteriores”.

Este defende ainda a aposta no setor da produção como forma de geração de emprego, pois que “é momento de sairmos dos postos de venda para passarmos para postos de produção”.

Lopes assegura que o PTS pretende ser uma “solução” na questão da integração dos jovens no mercado de trabalho e do emprego digno pelo que “precisamos apostar fortemente no emprego jovem, criar formação, acompanhar e integrar os jovens no mercado com condições justas”.

O PP, que tem como líder António Barbosa Vicente, considera que o problema está na configuração da economia nacional e na adoção de uma política errada do governo de Ulisses Correia e Silva. “Colocamos todos os ovos no mesmo cesto”, complementa o porta-voz do partido popular, Benvindo Reis, a resublinhar a falta de investimentos na diversificação da economia por forma a tornar o país mais resiliente aos choques externos.

Daí que aquele partido proponha um maior investimento no setor da pesca artesanal, da indústria naval, da agricultura e criação de gado. A diversificação económica, também, passa pela aposta nos cursos profissionalizantes e cursos técnicos (formações profissionais) a que o PP considera ser das principais vias para promover o emprego em Cabo Verde

“Defendemos uma aposta forte na formação no CERMI e na escola de Hotelaria e Turismo entre outras instituições, mesmo as privadas para formação. Com a formação dos jovens aumentamos a empregabilidade”.
Por fim, o PP defende ainda o aumento do salário mínimo nacional para 20 mil escudos, adentro a visão de proporcionar empregos com maior qualidade.

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