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Santo Antão/José da Graça: UCID apresenta soluções para “a situação económica e social que está a degradar-se dia após dia” 01 Abril 2021

O cabeça-de-lista da UCID pelo círculo eleitoral em Santo Antão aponta que a ilha tem-se mergulhado num “marasmo de retrocesso do seu processo de crescimento e desenvolvimento”. Em entrevista ao Asemanaonline, José da Graça aponta que os grandes setores de atvidade não têm recebido grandes investimentos que poderiam alavancar a Ilha das Montanhas. Diante de tudo isto, o partido liderado por António Monteiro apresenta várias propostas que possam melhorar as candidções de vida das famílias, abrangendo as areas de agricultura, turismo, educação, pescas, transportes marítimos e saúde. Veja mais pormenores a seguir.

Santo Antão/José da Graça: UCID apresenta soluções para “a situação económica e social que está a degradar-se  dia após dia”

Entrevista conduzida por: Arménia Chantre/Redacão

Asemana - Neste momento, como descreve a real situação da ilha de Santo Antão?

José da Graça - Desde a abertura politica com consequente instalação do regime democrático em Cabo Verde, não obstante as boas iniciativas das autarquias locais e seus programas de cooperação descentralizada, o qual deu um novo mote e esperança à ilha, com a eletrificação, a construção de hospitais, estradas e escolas secundárias, a ilha tem-se mergulhado num marasmo de retrocesso do seu processo de crescimento e desenvolvimento.

O importante investimento da cooperação holandesa, com a reflorestação das zonas altas da ilha que culminaria num importante ciclo hidrológico, de captação do vapor de água, condensação e captação pela copa arbórea que culminaria com o fortalecimento e recarga constante dos lençóis freáticos e assim, aumentar consideravelmente a quantidade de água para a agricultura nos vales e não só, tal investimento, sua manutenção e conservação foi abandonado tal que se pode averiguar com o atual estado da floresta do Planalto leste.

Por outro lado, não se fez os devidos investimentos no sector primário da ilha que, possibilitaria o aumento da produtividade, investimentos na indústria de conservação para posterior comercialização da produção agrícola.

O ensino secundário e técnico, não está desenhado para servir a especificidade da ilha, nomeadamente com formações no sector de atividade primária como, técnicas agrárias, florestais, controlo fitossanitário, indústrias diversas, construção naval e técnicas de pescas, tal que possibilitasse que jovens se fixassem na ilha e nos seus povoados, dando sustentabilidade e harmonia no desenvolvimento da ilha.

Situação económica e social degrada-se

O mais importante que por sinal mais contribui para o retrocesso do desenvolvimento na ilha, o combate à praga de Mil-Pés, nada se viu. O embargo imposto à ilha e o observar de nenhum interesse dos sucessivos governos na sua solução, é um dos fatores que poe total credibilidade nos sensos e projeções de decrescimento da população da ilha que, sem politicas de reverão, retrocederá para uma população inferior ao que tinha em 1940, no horizonte 2030.

Qualquer pessoa que vive nesta ilha, contrariamente aquilo que o MPD afirma, confirma que S. Antão não está bem. Conscientemente não podemos negar os efeitos económicos da pandemia Covi-19, nem tão pouco, os efeitos da seca, mas também, não se pode justificar todo o falhanço do atual governo com a pandemia do ultimo ano de governação ou com a seca que é uma regra e não uma exceção.

A situação económica e social está a degradar-se dia apos dia. A população comprou um sonho em 2016 e hoje estão mergulhados num mar de palavras ocas. As promessas de aeroporto; 2ª faze do porto de Porto Novo que potencializaria o turismo de cruzeiros; cais de pesca; Ensino Superior; combate a praga de mil pés; anel rodoviário de S. Antão; melhoria no acesso a saúde; etc; não saíram do sonho. Um mar de promessas que levariam S. Antão ao desenvolvimento, não cumprido.

O conceito de desenvolvimento tido pelas governações, não é aquela que objetivamente se precisa pois, notou-se algum crescimento de infraestruturas e requalificação urbanas que, por si só, não solucionam as reais carências da ilha, que pudesse gerar empregos, atrair investimentos e em consequência, gerar o ambiente propicio para um verdadeiro processo harmonioso e sustentável do desenvolvimento da ilha.

O cenário das muitas localidades da ilha, ainda encravadas aos quais, algumas, estradas foram iniciadas, em estratégia de confundir a população da ideia de cumprimento de promessas eleitorais. Adivinha-se mais 5 anos no mesmo estágio.

A proposta de solução dos transportes marítimos são mais que uma frustração e enorme pesadelo aos agricultores da ilha que, não obstante, produzirem para excedentes, não havendo indústrias de conservação e transformação, a única solução seria a exportação para as ilhas turísticas. Não havendo ligações fluentes e regulares, os produtos frescos não chegam em tempo útil a outros mercados. Toda a produção tem como mercado único interno e em São Vicente, o que motiva a venda por valores abaixo do custo de produção, lançando os agricultores à falência financeira.

Principais apostas

- Quais são os pontos fortes para Santo Antão, em termos de plataforma eleitoral da UCID e esforços a se desenvolver em termos de novas políticas públicas para a ilha?

- A ilha de Sto. Antão tem várias potencialidades, que devidamente exploradas levam inequivocamente ao seu desenvolvimento. Desde logo os setores com maior potencial estão ligados a agricultura, pecuária, pescas turismo, energias renováveis, exploração da pozolana e podendo pensar numa economia digital emergente em todos as paragens com o leque aberto de mercado.

A aposta no Mundo Rural e Desenvolvimento de agricultura é sem duvidas um dos pontes fortes da economia de Santo Antão. A ilha possui uma boa reserva em termos de aguas subterrâneas, mas há que pensar na sua sustentabilidade, promovendo politicas de aproveitamento das aguas superficiais e também a reutilização de aguas residuais tratadas (nas áreas urbanas), bem como lançar um agressivo programa de desnasalização e bombagem de água para rega como base em energias renováveis. A UCID defende a continuidade do combate à seca e desertificação com ecossistema do ciclo hídrico de conversão do vapor de água pela copa arbórea com consequente recarga dos lençóis freáticos; Introdução de políticas públicas de desenvolvimento capazes de aguentar choques externos e garantir a sustentabilidade em termos alimentação á população; Promover uma agricultura de industrialização voltado para abastecimento do mercado interno diminuindo o desequilíbrio da balança comercial; Modernização e empresarialização da agricultura que visa criação de empregos e valorização do espaço rural, promovendo, paralelamente, a pecuária; Apostar no abastecimento do mercado turístico interno, promovendo mecanismos de certificação dos produtos exigidos por esse nicho; Apostar na melhoria do acondicionamento e conservação da produção agrícola, nomeadamente criação de unidades fabris; Promover melhores condições de créditos para agricultura e pecuária, reduzindo a taxa atual em 5% durante a legislatura; Rever a política de abastecimento da água em termos de preço promovendo a eliminação efetiva do IVA na agua para rega; Promoção e potencialização da Agropecuária e criação gado, com o aumento da produção de pasto e seu tratamento para animais e incentivar a utilização de técnicas de forragem de forma a ser resiliente em tempo de escassez da chuva. (as chuvas em cabo verde são uma exceção e como tal devemos estar sempre preparados pela sua ausência); Colheita de pasto silvestre e alargamento de perímetros florestais; Procurar parceria com as melhores práticas internacionais na agricultura e pecuária; Promover a industrialização ligadas a pecuárias – Santo Antão precisa criar fabricas para produzir e promover o emprego sustentável;
Formação técnica no sector primário e industria agroalimentar;
Combate à praga de Mil-Pés e fim do Embargo Agro-fitosanitário investindo em programas de investigação e desenvolvimento; A UCID defende ainda a
construção de Barragens/Represas de retenção de águas de escorrimento e pluviais.

O Setor das pescas é outro setor importante em termos de recursos naturais, que devidamente exploradas será um input forte ou desenvolvimento da economia da ilha. Cabo Verde sendo um país com mais de 75% do seu território, coberto pelo mar, torna-se indispensável o desenvolvimento de uma economia azul robusta e sustentável para alavancagem da sua posição estratégia, e S.Antão não pode ficar fora desta estratégia: A empresarialização e industrialização da pesca tem de ser reavaliada e promovida, procurando introduzir as melhores práticas para fortalecimento da economia e imponderando os nossos armadores através do melhoramento das tecnologias no setor das pescas de forma a ser mais seguro e produtivo; Promover melhor acesso ao crédito para o desenvolvimento das pescas de forma a permitir os operadores uma capacidade de captura maior com embarcações que podem ir cada vez mais longe; Investir na Formação técnica no sector das pescas e construção naval; Rever os acordos de pesca para que os interesses do país e particularmente dos trabalhadores destes setores sejam salvaguardados, e exigindo melhor contrapartida para o país.

A sustentabilidade do setor das pescas deve ser sempre uma preocupação, sendo a fiscalização das nossas águas territoriais, um aspeto a estar na linha da frente, através de parcerias; Valorizar igualmente a pesca artesanal e criar melhores condições em termos de segurança dos equipamentos necessários ás pequenas embarcações, de forma a gerar empregos para as famílias de zonas pesqueiras; Promover a indústria pesqueira localmente como forma de gerar rendimentos e empregos dentro da própria ilha;

No setor da Educação, Instalação de Ensino Superior e Formação Técnica Adequadas às necessidades da Ilha evitando a descapitalização das famílias, investindo na formação dos filhos para no fim o aspeto da empregabilidade ficar comprometido.
O Desencravamento das localidades ainda isoladas é outro aspeto que deverá estar sempre na agenda como formas de facilitar a mobilidade de pessoas e mercadorias }

Turismo com promoção cultural

- Como a UCID pretende fazer para alavancar o turismo, nesta que é a ilha mais montanhosa de Cabo Verde?

- S. Antão é a ilha mais linda e maravilhosa de Cabo Verde, possui todas os ingredientes necessários, uma oferta paisagística e cultural diversificada, um clima, igualmente acolhedor, assim como, as suas gentes. Não obstante a ilha não merecer a devida atenção nas politicas governamentais para o setor, ela, por si só, já é referência mundial, tendo Fontainhas como a mais linda aldeia costeira do mundo. Precisa-se melhor promoção e valorização a nível nacional e internacional como a efetiva maravilha no top 10.

Um sistema encadeado de soluções viáveis de transporte e hospedagem turística tem de ser devidamente equacionado, tal que, o turista chegado via o Porto, quer por viagens regulares ou por acostagem de paquetes, bem como os provenientes de voos internacionais e domésticos possam, tranquilamente, visitar a ilha nos seus diferentes encantos e recantos, tal que, a hospedagem seja dispersa pelas diferentes localidades possibilitando o turista viajar pelos diferentes roteiros turísticos sem interrupções e deixando recursos financeiro por onde passam sem ter a necessidade de interrupções e regresso para hotéis nos centros urbanos.

Consequentemente, no Porto de Porto Novo, será feita intervenções importantes não só com a construção da sua segunda fase mas sobretudo, aumentando a sua calada para os 12 metros, podendo receber grandes embarcações. A construção do aeroporto internacional da ilha será uma realidade para poder receber turistas que procuram a singularidade e essência.

Mais do que receber e hospedar o turista, é preciso investir fortemente em ofertas tais como: o artesanato; a musica; a cultura; o cotidiano; a gastronomia; novos circuitos; sobretudo, novas ofertas como: desportos de recreio, mergulho, parapente, alpinismo, entre outros, com vista a conservação das especificidades do setor para Santo Antão, visando a sustentabilidade.}

Perda da população e meta das legislativas

- Caso a UCID vença as legislativas de abril, o que propõe para os próximos tempos, quando se fala numa ilha que dia após dia vem perdendo parte da sua população para as outras ilhas do arquipélago?

- A questão de fundo e presente nesta preocupação, não se prende com sair vencedor ou vencido nas eleições de 18 de abril. Independentemente dos resultados eleitorais, a UCID continuará, como sempre, desempenhando o seu papel no processo de construção da democracia e desenvolvimento de Cabo Verde e de Santo Antão em particular. Neste sentido, e atendendo os mais prováveis cenários de formação do próximo governo de Cabo Verde, contamos com o efetivo fim das maiorias absolutas que permitira a UCID dar um forte contributo na governação do país e, poder assim, influenciar na implementação e tomada de decisões já aqui, elencadas.

Destas situações por nós inventariadas e, as respetivas medidas propostas, contamos poder reconduzir Santo Antão ao eixo de um processo sustentável de desenvolvimento, concentrando a sua população com politicas assertivas, de poderem desenvolver suas vidas na ilha e nas suas localidades, explorando e conservando as potencialidades endógenas.

A desertificação em termos de população, principalmente jovem, é fruto de más politicas dos sucessivos governos que têm governado o país, fingindo fazer alguma coisa, sem dar atenção aos verdadeiros desafios da ilha que farão a ilha avançar mais rapidamente no seu processo de desenvolvimento, mas acima de tudo criar um sistema de equilíbrio politico económico e social que permita a cada santantonense dar o seu contributo independentemente das suas convicções politicas. No entanto, implementando as medidas apresentadas, entre outras, nos pontos anteriores acreditamos que esse estado de coisas pode ser invertido e as pessoas e as empresas de Santão Antão terão motivos para sorrir ao futuro.

- Qual é a meta que a UCID pretende atingir em termos de deputados que quer eleger no dia 18 de Abril?

- A mensagem principal que temos transmitido é a necessidade de termos um sistema politico equilibrado em Cabo Verde. Nesta linha, um equilíbrio de forças em Santão Antão seria eleger dois dos seis deputados em disputa. No entanto, conhecendo a implantação social da UCID em S.A, o sistema de campanha eleitoral, a forma como as pessoas reagem aos estímulos psicológicos, bem como, a exploração da miséria, direi que Santão Antão tem muito a ganhar elegendo pelo menos um deputado de Santão Antão nas listas da UCID.

Apresentamos, no passado Domingo dia 28 de março a lista dos candidatos pelo circulo eleitoral de Santo Antão, que pode ser consultada nas redes sociais assim como estará afixada os cartazes nos lugares adequados.

Pode-se notar que a UCID tem uma lista heterogénia e com cidadãos à altura dos novos desafios de Santo Antão, sem margem para dúvidas, a melhor lista de entre as outras candidaturas, digna de confiança e movida pela firme convicção de ser a voz que santo Antão precisa no parlamento Caboverdiano.
AC

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