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São Nicolau: Mais de meio milhar em protesto, autarca vaiado, ministro e deputado cancelaram viagem à ilha 16 Junho 2019

Mais de meio milhar de pessoas protestou, na tarde desde Sábado, na Ribeira Brava de São Nicolau. A jornada culminou com um comício frente ao Aeródromo da Preguiça, onde, depois da intervenção dos líderes da manifestação, foi lido e assinado um abaixo-assinado contra o isolamento da ilha, a ser remetido ao Primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva. No momento da aterragem de um avião da Binter-cv, o comício foi suspenso para dar lugar ao protesto. O presidente da Câmara do Tarrafal, José Freitas, que estava de regresso à ilha, foi vaiado, por duas vezes, ao se recusar o convite dos populares para participar no evento. O ministro José Gonçalves e o deputado MpD Nelson Brito também adiaram por outra ocasião a viagem à ilha, que estava prevista no mesmo dia da manifestação.

São Nicolau: Mais de meio milhar em protesto, autarca vaiado, ministro e deputado cancelaram viagem à ilha

Como se pode ver nas fotos, o protesto dos mais meio milhar de pessoas deste sábado na Ribeira Brava constitui um claro sinal de descontentamento às políticas de transporte do actual governo – a ilha está marginalizada do todo nacional, devido às ligações aéreas e marítimas irregulares de e para São Nicolau.

Tal como estava programado, depois uma concentração no largo de Terreiro na cidade da Ribeira Brava, os populares de várias localidades dos concelhos de Tarrafal e da Ribeira Brava seguiram em direcção ao aeroporto, munidos de dísticos e com gritos de palavras de ordens, como: «O povo unido jamais será vencido», «No crê mais respeito», «No Cré mais atenção do Governo», «São Nicolau é Cabo Verde», entre outras. A jornada culminou no Aeródromo da Preguiça, onde aconteceu um comício. Carla Simone Jesus Fonseca e Liliana Duarte em representação do movimento cívico, bem como vários emigrantes presentes e pessoas da sociedade civil usaram da palavra para referir dos vários problemas que afectam a ilha do Chiquinho.

No momento da aterragem de um avião da Binter-cv, o comício, que coincidiu com aquele voo, foi suspenso para dar lugar ao protesto. O presidente da Câmara do Tarrafal, que estava de regresso à ilha, foi vaiado, por duas vezes, ao se recusar o convite dos populares para participar na marcha de protesto. O ministro José Gonçalves e o deputado MpD Nelson Brito também adiaram por outra ocasião a viagem à ilha que tinham programado para o mesmo dia da manifestação. O presidente da Câmara da Ribeira Brava não compareceu à marcha, apesar de ter sido convidado pela organização.

Comunicado de protesto remetido ao Governo

Segundo um comunicado lido e assinado no local, os presentes pedem a intervenção urgente do Governo na resolução das ligações marítimas e áreas mais regulares e seguras de e para São Nicolau. «Os cidadãos São Nicoloenses residentes nos municípios da Cidade da Ribeira Brava e do Tarrafal, residentes em outros pontos do país e na diáspora solicitam ao Governo de Cabo Verde medidas concretas e uma atenção muito forte a esta ilha no intuito de resolver os problemas dos transportes (aéreos e marítimos), equacionando os problemas de ligações com outras ilhas, como os preços das passagens aéreas praticadas pela companhia Binter Cabo Verde», lê-se no documento.

Além de apelarem pela melhoria na qualidade de ensino e saúde, os populares pediram medidas para travar a falta de emprego, que faz levar pessoas ao abandono da ilha, deixando a economia local fragilizada.

Defendem que, por tradição, assim como reza a história, São Nicolau é o berço da intelectualidade cabo-verdiana, tendo dado um contributo enorme para a emancipação das ilhas e da sua identidade. «Assim sendo, porque não investir em pólos descentralizados para formação profissional e superior nesse reduto de Cabo Verde. Tudo por tratar-se de uma ilha singela, por excelência, onde reina a paz e tranquilidade, condições essenciais para o desenvolvimento do poder de raciocínio e por consequente desenvolvimento intelectual».

Conforme o documento a ser enviado ao governo, agindo e pensando dessa forma, a ilha receberia um contributo igualmente enorme para o alavancar da economia, para a fixação da população, o elevar da qualidade de vida, retendo quadros qualificados.

No que concerne ao turismo, o abaixo-assinado salienta que a ilha tem potencialidades reconhecidas, onde se destacam os prémios para as duas belezas naturais (Monte Gordo e Carbeirinho), praias com areias medicinais e uma rica flora e fauna marítima. Considera que essas condições todas são essenciais para essa área da economia, que a cada dia vem sendo muito prejudicada pelos preços proibitivos das passagens aéreas ou até ausência de ligações de qualidade e quantidade.

«Em tempos muitos próximos (2014) foi levado a cabo e executado o projecto SODADE, que muito investiu a nível local com formações e financiamento de micro e pequenas empresas ligadas à dinamização da oferta turística, assim como o empoderamento dos formandos. Foram criados três pontos de informação turística, sendo um no aeródromo da Preguiça, outros na Praça Baltazar Lopes da Silva e outro na cidade do Tarrafal. Verifica-se que hoje nenhum deles se encontra operacional, o que comprometeu enormemente as relações da ilha junto da União Europeia, abonando pela negativa na aceitação de novos projectos junto da mesma entidade», realça o abaixado assinado, que vai ser remetido ao Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.

Apoio da Itália e protestos junto do Consulado na Holanda

Entretanto, a manifestação deste sábado,15, contou com forte apoio da comunidade emigrada de São Nicolau. Além de ajudas financeiras para transportes de pessoas para a manifestação, há a destacar um abaixo-assinado de 49 emigrantes em Itálaia,que apoia as reivindicações tornadas públicas durante o protesto deste sábado.

Já na Holanda, o Cônsul de Cabo Verde negou receber um grupo de emigrantes, que lhe queira entregar uma petição, solicitando a intervenção do Estado na resolução dos problemas de São Nicolau, com destaque para a problemática da ligação marítima e aérea de e para a ilha. Os emigrantes não querem desistir da luta e prometem voltar ao Consulado de Roterdão na segunda-feira, com o mesmo fim – entregar a Petição em causa ao representante diplomático da cidade da Praia naquele país europeu, que acolhe muitos cabo-verdianos.

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