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Continuam tumultos em São Tomé: 7 igrejas IURD vandalizadas – Polícia dá versão da morte de rapaz de 13 anos 18 Outubro 2019

A situação é de caos em São Tomé e Principe. No rescaldo dos incidentes da véspera, a polícia emitiu na quinta-feira, 17, um comunicado sobre a “vandalização de todas as igrejas distritais da IURD, incluindo a igreja-sede”, onde um rapaz com cerca de treze anos foi vítima mortal de uma bala perdida. Os tumultos continuam naquele país africano amigo, onde residem muitos cabo-verdianos, que tem também o português como língua oficial.

Continuam tumultos em São Tomé: 7 igrejas IURD vandalizadas – Polícia dá versão da morte de rapaz de 13 anos

A “onda de destruição, saque e vandalismo contra os patrimónios da IURD”, refere o comunicado da Polícia Nacional, começou em algumas localidades do país “desde o início do dia, por volta das 06h30”.

A PN refere que em previsão de ações violentas – dada a onda de revolta desde a semana anterior, causada pela injusta prisão de um pastor santomense na Costa do Marfim, cuja justiça terá sido instrumentalizada pelo bispo da IURD em São Tomé— foram enviados agentes para proteger pessoas e bens do edifício da IURD, no centro da capital santomense.

Cerca das 15H00, os manifestantes chegaram ao edifício e iniciaram arremessos de pedras e outros projéteis. A polícia, que “cumpriu o seu dever de proteger o edifício”, passou então a ser alvo das arremetidas. Pedras e outros projéteis resultaram em treze polícias feridos, que tiveram de ser hospitalizados, refere o comunicado.

A responsabilidade na morte do adolescente está, segundo a PN, ainda por apurar e avança que no momento em que os manifestantes “arremessaram os objetos, o rapaz foi atingido no rosto”. O comunicado em nenhum momento explicita que a polícia disparou a bala que causou a morte, segundo fontes do hospital central referidas nos media.

No comunicado, a instituição policial afirma ter tido “necessidade de usar os meios coercivos que tinha ao dispor”, desde o “arremesso de gás lacrimogéneo, algumas granadas de efeito moral e de luz e som, e gás-pimenta”, como “forma de contenção e intimidação, com o objectivo de cessar a ameaça iminente de vandalismo contra a sede da IURD e contra a integridade física dos elementos policiais”.

A PN reconhece que “ também se procedeu a disparos efectivos para o ar, como meio intimidatório”.

A morte do rapaz fez, segundo testemunhas, aumentar a fúria dos manifestantes contra a polícia que teve de se retirar e justifica que "decidiu recuar como forma de assegurar a integridade física dos elementos policiais".

Prossegue a PN que, ao deixar "desguarnecida a sede da IURD”, esta foi “tomada em assalto pelos revoltosos”, com saques, depredação de todo o edifício-sede da IURD, incêncio de três carros e duas motorizadas dos fiéis da IURD, refere o comunicado.

“Foi ambém atingida a sede da Cáritas”, instituição ligada à ICAR-igreja católica, cujo edifício é vizinho. O bispo da Diocese de São Tomé e Príncipe, Dom Manuel António, condenou, no mesmo dia, através das redes sociais o vandalismo e violência: "Estou fora de São Tomé, mas estou a receber informações do ataque que está a acontecer de um modo generalizado aos lugares de culto da chamada Igreja Universal do reino de Deus. Embora já várias vezes tenha criticado o modo como estes grupos religiosos exploram os pobres, não posso concordar com este tipo de violência e destruição", expressou o líder da igreja católica no país.

Posteriormente, entrou no teatro das operações uma equipa da Polícia Militar "como forma de auxiliar a actuação policial na contenção e na reposição da ordem pública".

Revolta cozinhada ao longo de uma semana por movimento autoproclamado “sociedade civil”

A autoproclamada "Sociedade civil" — surgida nos últimos dias e que na quarta feira, 16, organizou o movimento de cidadãos revoltosos que ocuparam a rua Barão de Água Izé, sede da IURD — afirma estar "a conduzir as movimentações cívicas com vista ao regresso imediato do Pastor Uidimilo Veloso ao seu país-natal".

Desconhece-se se há alguma articulação entre os organizadores e os familiares do missionário da IURD que pediram no dia 10 a intervenção do governo, para que a justiça ivoirense extraditasse o Uidimilo Veloso.

Nesse sentido, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Elsa Teixeira Pinto, explicou na última sexta-feira, à agência noticiosa STP Press, que a dificuldade é maior porque São Tomé não tem embaixada na Costa do Marfim. No entanto havia duas semanas que o MNE, mal recebeu a queixa/denúncia da esposa do pastor, "decidiu agir" observando “alguma discrição”.

Segundo a imprensa local, "a comissão especializada da Assembleia Nacional, também tomou conta do caso", e há uma semana "deu um ultimato ao Bispo da IURD em São Tomé, Ranger da Silva, para num prazo de 8 dias, trazer para São Tomé, o pastor Uidimilo Veloso". O prazo esgotado, os manifestantes saíram à rua e quebraram a pacatez da cidade-capital.

O referido bispo da IURD em São Tomé, Ranger da Silva, está incontactável e, até à manhã de quinta-feira, desconhece-se o seu paradeiro, segundo referem as notícias na rádio alemã, Deutshe Welle, e na RFI, a emissora francesa.

Fontes: Téla Nón/STP-Press/outras referidas. Fotos: As imagens mostram viaturas da IURD incendiadas, a destruição na sede da Igreja Universal do Reino de Deus, recém-inaugurada em cerimónia em que o presidente da República, Evaristo Carvalho, cortou a fita. LS

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