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São Tomé e Príncipe: Presidente são-tomense exonera secretário após denúncia 12 Fevereiro 2022

Carlos Vila Nova exonera secretário de Estado Ernestino Gomes após esse ser denunciado pela oposição de estar a cumprir pena suspensa por falsificação de documento. "Polémica está ultrapassada", disse o Presidente.

São Tomé e Príncipe: Presidente são-tomense exonera secretário após denúncia

"Face às informações injuriosas postas a circular nas redes sociais contra a minha pessoa, decidi pelo bom nome do Governo, da ação governativa e pelo bem da nação são-tomense, pedir a minha demissão do cargo, pois não existem mais condições para continuar", lê-se na carta de Ernestino Gomes enviada ao primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, com a data de 10 de fevereiro.

A informação foi avançada na noite desta sexta-feira (11.02). Ernestino Gomes havia sido nomeado e empossado no dia 01 de fevereiro na sequência da remodelação governamental, substituindo no cargo Eugénio Vaz do Nascimento, que tinha entrado no Governo em 2020.

Neste sábado (12.02), o Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, disse que "está ultrapassado" o caso do secretário de Estado das Obras Públicas e Ambiente. "O importante é que tomou-se a decisão que se achou mais correta", acrescentou.

O presidente do partido União MDFM/UDD, Carlos Neves, que propôs a figura de Ernestino Gomes para indicação do primeiro-ministro, considerou o pedido de demissão como uma "atitude de alguém que tem caráter - uma atitude digna".

Conversa com primeiro-ministro

"Ele colocou a questão ao partido, nós em conjunto achamos bem a atitude dele avançar com o seu pedido de demissão [...] nós também conversamos com o primeiro-ministro e dissemos que ele podia estar à vontade para tomar a decisão que entender", disse Carlos Neves.

Neves considerou que muitas informações que foram postas a circular contra Ernestino Gomes são injuriosas e lamentou a atitude do partido ADI que denunciou a situação.

"ADI fez esta denúncia, é pena que não tenha feito outras denúncias, porque eu conheço bem o partido, tanto é que eu fui um dos fundadores do mesmo. Conheço bem e lamento que esteja a envergar por esta via de denúncias e práticas, esquecendo-se daquilo que passa na sua própria casa", reagiu o Presidente da União MDFM/UDD.

Na passada segunda-feira, o partido Ação Democrática Independente (ADI, oposição) afirmou, numa reação à remodelação governamental, que Ernestino Gomes é "um indivíduo a contas com a justiça" e "que falsificou um sem número de documentos, entre eles, guias de receitas do Estado, e fora condenado a três anos de prisão".

"Note-se que tendo sido o referido arguido condenado por sentença de 28 de dezembro de 2019 e a pena de prisão, no entanto, suspensa igualmente por 3 anos, apenas em 27 de dezembro de 2022, se verá livre, após o pagamento integral da aludida dívida", lê-se no comunicado da ADI.

Presidência da República

Na quinta-feira, a Presidência da República informou que o chefe do Estado, Carlos Vila Nova, "após tomar conhecimento dos factos [...] manifestou a sua preocupação perante os mesmo e sugeriu a este [ao primeiro-ministro] que tomasse as medidas políticas que, face ao contexto, se apresentem como mais adequadas".

No seu comunicado, a ADI considerou que a remodelação governamental, realizada na semana passada, ficou por um "vulgar preenchimento de vagas", afirmando que as escolhas feitas mostram que o primeiro-ministro renunciou "à sua ambição primária de um novo dinamismo", tendo reforçado o Governo "com indivíduos que tornam mais evidente a sua postura corruptiva, prosseguindo como nunca a sua senda de delapidação dos bens públicos, gerindo mal as coisas do Estado e abrindo facilmente mãos dos valores, não só democráticos, como também morais e éticos".

"Fica, pois, claro aos olhos de todos que o país está em presença de um Governo que chegou indiscutivelmente ao fim da linha, apoiado por uma coligação moribunda e já nada mais é capaz de oferecer ao povo e que deve ser removido para o bem da nação", conclui-se no comunicado da ADI no Facebook.

Após a remodelação do executivo, Jorge Bom Jesus prometeu "uma nova dinâmica na reta final da governação", considerando que "é preciso adaptar a governação às novas circunstâncias" e que "a valsa das saídas e entradas [no Governo] acontecem sem dramas em qualquer governação, em qualquer latitude e a qualquer momento, nem que sejam nos últimos 10 minutos do jogo". A Semana com Lusa

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