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Reportagem/São Vicente: Agricultores de Calhau-Madeiral clamam crise de água e denunciam que o governo não cumpre promessa de desassorear os diques 24 Mar�o 2021

A Associação Agro-pecuária de Calhau e Madeira (AAPCM), com sede em São Vicente, tem apostado em produtos orgânicos, mas avisa que está passar por «uma tremenda dificuldade» para desenvolver a agricultura e pecuária na região, que dependem essencialmente da água dos poços. Segundo o presidente da organização, os diques construídos nesse vale da ilha apresentam péssimas condições para a retenção da água das chuvas. Felinto Brito assevera que todo o setor está em crise por carência de recursos hídricos, denunciando que o Governo não cumpre a promessa de mandar fazer o desassoreamento dos diques para melhor retenção das águas pluviais.

Reportagem/São Vicente: Agricultores de Calhau-Madeiral clamam crise de água e denunciam que o governo não cumpre promessa de desassorear os diques

Filinto Brito falava ao Asemanaonline para demonstrar a real situação dos agricultores e criadores de gado do vale da Ribeira de Calhau e Madeiral. Revelou que a insuficiência deste líquido precioso tem causado algum constrangimento a estes dois setores de atividades que garantem o rendimento de muitas famílias.

Conforme o presidente da AAPCM, a falta de recursos hídricos ou a sua insuficiência prende-se com a situação dos diques da zona. “No ano passado houve muita chuva e não tivemos nenhuma infra-estrutura, neste caso diques, que captasse a água das chuvas e houve pouca infiltração de água no subsolo”, explica Brito, acrescentando que os poços não vieram assim o aumento do seu caudal com a eficácia esperada.

Diante de tudo isso, alerta que os problemas já começam a vir à tona com o assoreamento dos cerca de 6 diques na Ribeira principal. Acrescenta que a agricultura está assim a diminuir, porquanto as temperaturas já vão subir e vai-se precisar de mais água para a rega e consumo animal.

Cada agricultor tem a sua parcela de terreno e seu poço, e conforme for o tamanho dos perímetros assim é o número de poços de cada trabalhador da terra. A pouca água nos lençóis freáticos, segundo este responsável, não é suficiente para agricultura e pecuária neste momento a referida região de São Vicente.

Filinto Brito adiantou à reportagem do Asemanaonline que faz fornecimento de água de poço em autotanque e por dia pode oferecer até 30 toneladas de água, mas que neste momento pretende suspender o fornecimento porque a água está a “diminuir e está a ficar mais cara”. Esclarece que cinco toneladas do precioso líquido custa 500$00 e mais transporte estimado em 1700$00.

Relembra que, no ano passado, o ministro da Agricultura e o presidente da Câmara de São Vicente passaram por Calhau e disponibilizaram em ajudar no desassoreamento ou limpeza dos diques, trabalho esse que deveria ser feito até Junho do ano passado. Mas critica que até agora nada foi executado.

“Se tivessem feito esse trabalho neste momento a agricultura e a pecuária teriam água suficiente para este e o próximo ano”, salienta Brito, indicando que os agricultores e criadores de gado de Calhau e Madeiral não têm recebido nenhum apoio do Governo. Denuncia que a agricultura em São Vicente está “abandonada”, estando os agricultores e criadores de gado a “desenrascar-se”.

Brito alerta, no entanto, que os camponeses por si só não conseguem resolver todos os problemas. Por isso, defende que era importante receberem o apoio do Ministério da Agricultura para a captação de água. É que, segundo a mesma fonte, com a crise de água a produção vai diminuir ainda mais e os produtos vão ficar mais caros.

Qualidade e escoamento dos produtos agrícolas

O presidente AAPCM assevera que a zona de Calhau-Madeiral não tem tido problema quanto ao escoamento dos seus produtos. No entanto, salienta que a dificuldade maior tem a ver com a “concorrência com outros produtos”. Garante que os produtos de Calhau têm muito boa qualidade, mas considera que o que não se tem é um “consumidor consciencializado”.

“Muitas vezes algumas pessoas negoceiam connosco com um contrato para fornecimento de produtos que em época alta ou baixa o preço dos produtos é constante, mas muitas vezes acabam por não resistir e compram produtos com preço baixo de Ribeira de Vinha e Tchon d’ Holanda produzidos com água residual, químicos e adubo”, critica o presidente.

Para este responsável, os agricultores de Calhau e Madeiral têm apostado em “100%produtos orgânicos”, ou seja, “sem químico, sem adubo e sem nada”.

Felinto Brito salienta que este ano os produtos estavam mais baratos, porque houve um “maior fluxo de produtos” de Santo Antão, nomeadamente hortaliças e verduras.
“Anteriormente, 1kg de coentro estava entre 300$ a 400$00, mas que, segundo informações, o preço subiu para 700$ juntamente com a alface”.

Conforme apurou a reportagem deste jornal, há proprietários que fazem um esforço para “manter postos de trabalho” e outros quando já não têm mais condições são obrigados a “dispensar mão-de-obra”, visto que a água é insuficiente, a produção é baixa ou parou e logo não há rendimento.

Filinto Brito acredita que a situação desse setor vai piorar porque durante esta época eleitoral não haverá quem possa resolver o problema dos diques.

“O governo deveria fazer o que prometeu e criar um plano para apoiar a agricultura em São Vicente. O desenvolvimento do meio rural está abandonado”, finaliza o presidente da Associação Agro-pecuária de Calhau e Madeiral.

AC/Redação

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