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São Vicente/Reportagem: Comerciantes que fazem descarga e venda de produtos agrícolas vindos de Santo Antão criticam o horário reduzido e exigem um espaço mais adequado para o negócio 20 Fevereiro 2021

Os comerciantes ambulantes de Santo Antão e São Vicente, que fazem toda a atividade comercial ao lado do mercado da Ribeirinha, estão descontentes com algumas exigências. Denunciam que o horário das 10h às 12h fixado para o efeito não está sendo respeitado pelos fiscais da Câmara Municipal de São Vicente. Esses homens de negócios vão mais longe, ao exigirem as autoridades que criem outro espaço com melhores condições para que possam expor, comercializar e conservar os seus produtos com a segurança.

São Vicente/Reportagem: Comerciantes que fazem descarga e venda de produtos agrícolas vindos de Santo Antão criticam o horário reduzido e exigem um espaço mais adequado para o negócio

Os referidos comerciantes transportam em carrinha (ver fotos nesta peça), nas ligações marítimas diárias entre Santo Antão e São Vicente, produtos diversos, nomeadamente verdes, derivados de cana sacarina e outros artigos da primeira necessidade. E fazem as vendas junto do mercado municipal da Ribeirinha, no Mindelo.

A reportagem do Asemanaonline soube que alguns vêm sendo obrigados pelos fiscais municipais a arrumarem seus produtos e saírem do espaço muito antes das 12h, fixado oficialmente para o efeito.

Maria Gomes, da ilha de Santo Antão, mostra-se descontente com esta situação. Conforme avança, o “horário deveria ser respeitado e talvez mais alargado”, já que com esta pandemia as “vendas diminuíram”, complicando a vida de muitos comerciantes.

Já a sua colega Maria Évora aponta que, neste momento, estão a “desenrascar” e tentar “sobreviver” com o pouco que ganham das vendas. Questionado sobre algum prejuízo com o resto do produto que não for vendido, responde que esse é um problema que acontece frequentemente com todos os comerciantes, por serem produtos com pouca durabilidade que acabam por estragar. Com isso, a comerciante é de opinião que o horário deve ser alargado para que as pessoas possam vender mais e ganhar mais. Maria Évora frisa que o mais “triste” é ver os produtos a estragarem quando “há famílias que não têm o que comer”.

No decorrer desta ronda do Asemanaonline, o comerciante Jailson Monteiro lembra que antes da pandemia os restaurantes, bares, hotéis faziam “excelentes compras”, mas agora “muitos já não vêm porque quase tudo está parado, o que é de lamentar.

Para que o espaço fosse mais aproveitado e as pessoas pudessem ganhar mais, a vendeira Hiliontina Tavares sugere que fosse cobrado, pelo menos, um valor de 100$00, onde os comerciantes pudessem ficar até mais tarde e conseguir vender mais. “Acho que pelo simples fato de não estarmos a pagar pelo uso do espaço somos obrigados a encerrar as nossas vendas, segundo ordens dos fiscais, o que é para nós lamentável”, critica. Indica ainda que deveria ser criada condições para que toda a atividade de venda de produtos decorra de forma melhor e segura.

Bons preços e distanciamento de pessoas

O espaço é totalmente ocupado às segundas, quartas e sextas-feiras, a partir das 10h até supostamente às 12h. Com a chegada das mercadorias, a área começa a ser insuficiente para os carros, comerciantes e fregueses. O distanciamento, que é uma das medidas de prevenção de covid-19, é quase inexistente neste espaço. São toneladas e toneladas de verduras, frutas, vegetais e legumes que acabam por atrair fregueses, que antes mesmo das 10h já estão à espera dos frescos de Santo Antão.

Maria Vicente prefere fazer as compras para casa neste lugar, por serem produtos mais “baratos” e certamente mais “frescos” e com muita qualidade. A dona de casa também apoia a insatisfação destes comerciantes e avança que a criação de “barracas de vendas” seria uma das formas de trazer “melhores condições” durante a realização das atividades dos comerciantes.

A falta de espaço próprio para a descarga dos produtos e a falta de alargamento do horário de vendas, são os grandes problemas destes comerciantes que procuram sobreviver com o que conseguem arrecadar neste negócio ambulante.

Recorde-se que a descarga e a venda de produtos agrícolas vindos de Santo Antão, eram feitas na zona de Fonte de Francês (Torrada), onde em Janeiro de 2020 passou a ser proibida, devido à falta de higiene e pelas condições sanitárias não existentes naquele local”, conforme uma nota da Câmara Municipal de São Vicente enviada à comunicação social naquele ano.

Arménia Chantre/Redação

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