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São Vicente/Cultura: Observações das candidaturas e propostas 14 Abril 2021

Tendo em conta o período atípico de pandemia, os "fazedores" da cultura têm deparado com vários desafios para a sua sobrevivência com a quase total paralisação do setor, face ao COVID-19. Conscientes das dificuldades dos agentes culturais locais, as candidaturas para o circulo eleitoral de São Vicente clamam pelo reforço do apoio à classe cultural, enquanto persistir esta situação atípica da pandemia, augurando por um regresso, em breve, à normalidade.

São Vicente/Cultura: Observações das candidaturas e propostas

Conforme o cabeça de lista do PTS, Jailson D’Aguiar, "a cultura está a perder-se não só por causa da pandemia", mas também por causa das lideranças "que o MpD escolheu para este setor”.

“Temos um ministro da Cultura que nada tem a ver com a cultura e que não entende da área. Este ministério toma decisões criando várias complicações e quando ajuda vem cobrar só porque ajudou, quando na realidade é o seu dever ajudar e não se está a fazer favores”, critica este candidato. D´Aguiar acrescenta que “estão a transformar a cultura em algo mais comercial do que social”.

O candidato do PTS chama a atenção para "os tempos difíceis" porque passam os agentes culturais, num país que se vangloria da sua cultura, e que não têm recebido apoios para se aguentarem nesta fase complicada. “Muitos, até, passam fome!”, exclama.

Este aproveita para questionar o "hábito" das homenagens "post mortem", e salienta que os reconhecimentos a pessoas que deram um contributo à cultura, "deveriam ser feitos em vida, e não quando já não se encontram entre nós". O importante, acrescenta, "é não deixar que alguns artistas caíam no esquecimento."

Contudo, o PTS quer criar condições, inclusive, materiais para a concretização dos seus trabalhos, pois que "muitos querem expor as suas ideias, mas não sabem aonde dirigir-se".

Esta quarta-feira, a caravana do PTS fez contactos porta-a-porta nas localidades de Monte, Campim, Dji d Sal, e amanhã a ideia é levar as suas mensagens às comunidades de Fonte Francês e Pedreira.

Na visão do Movimento para a Democracia (MpD), antes de falar sobre os apoios prestados pelos governos ao serviço da cultura em São Vicente, há que se pensar no antes e depois da pandemia.

João Gomes, o terceiro da lista do MpD, diz que, uma boa parte da economia de São Vicente é gerada pela dinâmica cultural da ilha. O candidato exemplifica que, o festival da Baia das Gatas é uma dessas atividades, o carnaval veio a ter melhorias através dos investimentos feitos pelo atual governo, e um exemplo pratico foi a criação da Liga Independente dos Grupos Oficiais do Carnaval de São Vicente (LIGOC).

Refere ainda, o “grande investimento” que o governo fez com a experimentação da URDI nesses anos e o novo espaço do Centro de Arte, Artesanato e Design que está praticamente concluído e que, conforme frisa, vai ser um “ex libris” da cidade do Mindelo.

O MpD reconhece que os artistas passam por grandes dificuldades, mas isso, sublinha, "não é consequência de ação do governo, mas sim da pandemia que afetou o setor da cultura em todo o mundo". A nível da internet Gomes admite que, houve muita criatividade, "mas nunca será o mesmo que atuar de forma presencial".

Avança que, o governo está a tomar medidas, principalmente, com a vacinação para criar imunidade nacional, e logo que possível retomar a normalidade e cada um seguir com as suas atividades

“Propomos combater a pandemia a nível nacional, depois retomar as atividades que se viram suspensas por causa da pandemia e dar uma especial atenção aos artistas”, finaliza.

O MpD visitou, esta quarta-feira, as zonas de Fonte Francês, Pedreira e amanhã Ribeira Julião, Iraque e Ribeira de Vinha serão os alvos do partido.

Já o PAICV critica o que considera ter sido a abordagem da governação, a funcionar, sobretudo enquanto promotor de atividades culturais, a competir com os agentes do setor. O governo deve sim, diz Eder Brito, agir enquanto “regulador”, ou seja, “o Estado não pode procurar investir na área que é rentável, mas pode sim subsidiar a cultura que é produzida pela sociedade civil”.

Assim, os tambarinas acreditam que a cultura em São Vicente está a transformar-se numa plataforma de meras atividades culturais e que o estado deve sim “investir na área cultural e na área de atividades criativas”.

No entanto, Brito, que é décimo sétimo candidato da lista do PAICV, afirma que, a ilha tem um destaque nas atividades culturais, nomeadamente o Cavala Fresk, festival da Baia das Gatas, URDI, o mês da juventude, o fim de ano, passagem de ano, carnaval.

A morna como património imaterial da humanidade decretada pela UNESCO, é um exemplo que Eder aponta, mas questiona as políticas implementadas até ao momento, para dar mais destaque a este género musical.

Em relação ao carnaval, este candidato enfatiza a importância do reconhecimento de todos aqueles que fazem o carnaval, para que possam sair da informalidade e deixarem de ser explorados.

“O estado deve intervir e regular este setor da melhor forma possível para que possam na medida de `Um Cabo Verde para Todos´, ter um acesso ao trabalho e ao emprego que não seja precário, mas sim minimamente estável e rentável”, conclui Eder Brito.

Durante esta quarta-feira, a comitiva do PAICV restringiu as suas visitas à zona de Madeiralzinho. Ribeira Bote, Ilha de Madeira e Rua de Lisboa são as zonas prioritárias esta quinta-feira.

Em relação à UCID, não foi possível o contacto sobre o tema em apreço.

Contudo, segundo a agenda do partido para esta quarta-feira, a UCID terá estado em Vila Nova/Lombo Tanque e Ribeirinha, liderados pelo presidente do partido, António Monteiro.

Nesta quinta-feira deverá ser a vez de Bela Vista/Pedra Rolada.

AC/Redação

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