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São Vicente: Grupo de Teatro do CCP Mindelo com mais uma estreia para marcar o 25º aniversário 10 Setembro 2018

O Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo (GTCCPM) apresenta nos dias 29 e 30 o “Tudojunto sepa rado”, mais uma estreia que assinala os 25 anos do grupo, comemorado desde o início do ano.

São Vicente: Grupo de Teatro do CCP Mindelo com mais uma estreia para marcar o 25º aniversário

A peça afigura-se, segundo o responsável e mentor do grupo, João Branco, como a 56ª produção do GTCCPM que este ano está a comemorar as “bodas de prata” com sete espectáculos colocados em cena, entre estreias e reposições.

Nesta lista, inclui-se o Quotidiamo – esta não é uma história, As Palavras de Jó e o Cloun Creoulus Dei, reposições, e mais duas estreias, Crónicas do Mindelo apresentado em Março e agora “Tudojunto sepa rado” que sobe ao palco da Academia Livre das Artes Integradas do Mindelo (ALAIM), nos dias 29 e 30.

Este espectáculo faz parte do Concurso de Dramaturgia em Língua Portuguesa lançado no ano passado pelo Instituto Camões, ganho pela Lisa Reis, e que conta com um prémio monetário, a encenação e publicação do texto em livro, que vai ser lançado no mesmo dia que estreia a peça.

“É um texto muitíssimo duro e violento de um ponto de vista emocional, porque retrata três personagens que são vítimas de um sistema patriarcal, machista, preconceituoso”, classificou João Branco, quem encena a produção teatral que retrata situações de violência doméstica, criança vítima de agressão sexual e ainda a homofobia.

“São três monólogos em que no final as personagens se encontram e confrontam as situações umas com as outras”, adiantou a mesma fonte à Inforpress, que trabalha com as actrizes Sílvia Lima, Deka Saimor e Luna Aguiar Guiomar, que estão fazendo uma “pesquisa individual” para compor as três personagens.

“Como encenador não gosto de moldar o actor para fazer o que quero em cena, mas o que acontece em cena é-me provocado pelo que o próprio actor me dá”, explicou, quanto à opção de deixar os actores “participarem activamente no processo criativo”.

“Uma liberdade”, ajuntou, provocada pelo próprio texto que “exige muito do emocional do actor” e pede que este “percorra um caminho sozinho”.

Para os que forem ver, João Branco avisou logo sobre a possibilidade de saírem com um “nó no estômago”, despertado pela escrita de uma jovem então com 17 anos, a Lisa Reis que para escrever o “Tudojunto sepa rado”, garantiu à Inforpress, teve como inspiração, “aquilo que é o mundo real”.

“Queria sair da onda de ver só as coisas boas, porque acho que para resolver os problemas temos que falar sobre os mesmos”, disse a dramaturga, que espera “criar um debate e forçar as pessoas a falar nisso que está mal”.

“E a partir daí conseguir chegar num mundo mais justo e ideal”, acrescentou.

Lisa Reis disse que, para escrever o texto, fez um trabalho de pesquisa com relatos dos dois lados, tanto de vítimas, como de agressores, destas questões de violência existentes na sociedade cabo-verdiana, no país e que se tenta encobrir com “eufemismos”.

Quanto à escolha do título, acrescentou, foi feito para desconstruir a ideia que se está “tudo junto” numa sociedade “justa e unida”, quando “não é nada disso que acontece”.

“Na verdade dividimo-nos em grupos, de pessoas que se consideram justas e a seguir um bom caminho e separam-se das outras que não seguem os mesmos valores”, explicou Lisa Reis, agora com 18 anos, com a pretensão de mostrar “a verdade nua e crua”.

Depois de São Vicente, “Tudojunto sepa rado” vai ser apresentado na cidade da Praia, na primeira semana de Outubro, como parte da comemoração dos 25 anos do GTCCPM, que ainda tem na cartola mais uma estreia, “A Metamorfose” de Franz Kafka, agendado para Novembro aquando do Festival Mindelact. A Semana/Inforpress

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