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São Vicente/Impasse na eleição da assembleia: Eleita pela UCID contra “ditadura e opressão” 18 Novembro 2020

A deputada eleita pela UCID para a Assembleia Municipal de São Vicente Dora Pires insurgiu-se hoje contra aquilo que chamou de “ditadura e opressão” após o impasse surgido na instalação da nova mesa de assembleia.

São Vicente/Impasse na eleição da assembleia: Eleita pela UCID contra “ditadura e opressão”

O acto de constituição da nova mesa da Assembleia Municipal de São Vicente, presenciado pelo ministro de Estado, Fernando Elísio Freire, foi adiado para quarta-feira, 18, lembra a Inforpress.

A prorrogação foi feita após um impasse, em que a lista proposta pelo Movimento para Democracia (MpD) para composição da mesa, ter sido chumbada, e também depois da presidente provisória da mesa, Lídia Lima, ter adiado os trabalhos, alegando razões sanitárias e sem submeter à votação da plenária uma nova lista proposta pelo PAICV e UCID.

Uma situação que a deputada da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), em reacção à imprensa, classificou de “lamentável”, ainda mais num País de “direito democrático”.

“Uma presidente provisória não pode ter a atitude de eu posso, eu quero, eu mando, fazendo e desfazendo daquilo que acha ou que o seu partido acha, com esse comportamento, que todos viram aqui”, defendeu Dora Pires, para quem se a lista foi chumbada não existe eleição da mesa e a presidente provisória deveria aceitar a outra lista proposta e a colocar à votação.

Infelizmente, segundo a mesma fonte citada pela Inforpress, “não foi o que aconteceu”, quando cabe a assembleia eleger o presidente, o vice-presidente e o secretário da mesa.

“Portanto, abaixo à ditadura, abaixo à opressão, que tentaram fazer aqui”, lançou a mesma fonte, adiantando que a UCID vai reunir ainda esta tarde para tomar uma decisão quanto ao acontecido.

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), por seu lado, faz uma leitura semelhante e, segundo a deputada Dirce Vera-Cruz, “não faz sentido” o MpD recorrer ao artigo 67º, número três, e comportarem-se como se a Lídia Lima, cabeça de lista do partido para assembleia municipal, já tivesse sido eleita directamente pelo povo.

No entanto, o artigo 68, ponto dois, é, ajuntou, “claro”, quando diz que o presidente, vice-presidente e secretário da mesa “devem ser eleitos pela maioria absoluta” e, por outro lado, reiterou, a “votação foi clara” e chumbou a única lista, apresentada pelo MpD, com 12 votos contra dos outros deputados e nove a favor, dos deputados do partido que propôs a lista.

“Isso é tipo meter os dedos nos olhos das pessoas, como se fôssemos todos aqui burros”, considerou Dirce Vera-Cruz.

Lidia Lima contra-ataca

Em defesa, Lídia Lima disse ter baseado a sua decisão nas “recomendações claras” da Delegacia de Saúde de que não se poderia ultrapassar as duas horas e meia de sessão, isto quando o evento já se tinha prolongado para mais de três horas.

“Não tendo condições, porque já estamos aqui há muito tempo, tivemos que interromper a sessão para retomarmos amanhã (quarta-feira) ”, sustentou a presidente da mesa provisória, para quem também houve “um problema” quando no momento proposto para se entregar as listas, nem o PAICV e nem a UCID o fizeram.

“Foram entregar uma lista no momento da votação, portanto, criaram aqui um problema, criaram aqui um facto para se saírem de vítima, mas neste momento temos de reflectir e temos de ser frios”, disse a mesma fonte, adiantando estar de “consciência limpa” por ter imposto a “disciplina” que se esperava.

Conforme ainda a fonte deste jornal, Lídia Lima assegurou que “não houve ditadura” e acrescentou não ter “mais nada a dizer” sobre o requerimento, que acabou por não submeter à votação e também sobre o adiamento do acto de investidura, após proposta feita pelo secretário provisório, que também não foi submetida à votação da plenária.

O representante do MpD, Flávio Lima, também considerou ter sido criado um “mau momento, que não é bom, nem para a democracia e nem para São Vicente” e através de um “golpe” para se “tirar MpD da mesa a todos os custos”.

Sendo assim, a sessão de instalação dos novos órgãos autárquicos de São Vicente, saídos do escrutínio do dia 25 de Outubro, fica adiada por mais 24 horas, já que sequer se falou do acto solene de instalação da câmara saída das eleições, conclui a Inforpress.

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