Legislativas 2021

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São Vicente/Paulo Rocha: MpD garante que continua a fazer fortes apostas na ilha ao longo dos anos 09 Abril 2021

O cabeça-de-lista para o círculo eleitoral de São Vicente, Paulo Rocha, apoia a ideia de que o governo não tem poupado esforços para que São Vicente continuasse na linha de desenvolvimento com investimentos em todos os seus setores importantes, enquanto ilha portuária, industrial, de comércio e serviços, mas também universitária, tecnológica, cultural e cosmopolita. No entanto, a operacionalização da Zona Económica Especial Marítima de Mindelo ocupa um lugar de destaque na plataforma eleitoral do Movimento para a Democracia. Com isso, Rocha assevera que o MpD está preparado para resolver as principais reivindicações dos sanvicentinos, que são a regionalização e o desemprego.

Entrevista conduzida por: Arménica Chantre/Redação

São Vicente/Paulo Rocha: MpD garante que  continua a fazer fortes apostas na ilha ao longo dos anos

Relançamento de São Vicente

A Semana - O que propõe o seu partido para relançar o desenvolvimento de São Vicente, que, segundo os críticos, encontra-se num estado de estagnação económica?

Paulo Rocha - Nos últimos 5 anos, o MpD tem trabalhado de forma empenhada na criação das condições necessárias para viabilizar um novo paradigma de desenvolvimento para a ilha, que seja inclusivo, competitivo e sustentável e que nos permita cumprir o pleno potencial de São Vicente enquanto ilha portuária, industrial, de comércio e serviços, mas também universitária, tecnológica, cultural e cosmopolita.

Neste sentido, é nossa ambição e compromisso transformar São Vicente numa ilha turística de vocação marítima, isto é, queremos fazer de São Vicente um destino turístico urbano e cultural, mas também de sol e praia, criar um produto turístico diferenciado e de qualidade, que nos permita atrair um novo perfil de turistas, alcançar novos segmentos e mercados emissores de turistas.

Para tal, investimos e criámos incentivos, mobilizámos investidores e sobretudo gerámos confiança. Trouxemos para São Vicente as melhores cadeias de hotéis do mundo e, hoje, estamos finalmente em condições de cumprir o pleno potencial da ilha. São no total 7 os hotéis de grande porte, em construção ou prestes a arrancar em São Vicente, para além de pequenas unidades hoteleiras. Se hoje temos capacidade para receber 890 hóspedes, brevemente teremos capacidade para receber mais de 2.000.

Do mesmo modo, o terminal de cruzeiros, que funcionará como porta de entrada para o mundo, que fará de São Vicente paragem obrigatória no circuito internacional dos cruzeiros, vai arrancar muito brevemente. A par e passo, estamos a fazer investimentos estruturantes ao nível da requalificação urbana e do reforço das acessibilidades que garantam maior facilidade de circulação, estamos a investir na qualificação e valorização da nossa oferta cultural, na criação de novas áreas de entretenimento e lazer, como por exemplo em sede do desporto, nomeadamente náuticos. Ao mesmo tempo, queremos que São Vicente desempenhe o papel motor na transição do país para uma economia azul que seja fator de crescimento económico, que seja geradora de mais emprego e mais desenvolvimento.

Através da Zona Económica Especial Marítima, iremos operacionalizar a estratégia de desenvolvimento integrado e sustentável da economia do mar para São Vicente, que abrange o desenvolvimento dos portos, das pescas, dos transportes marítimos e logística, do registo internacional de navios e de outros serviços marítimos, da reparação e construção navais, da proteção ambiental e do ecossistema marinho, do ordenamento do território costeiro e marinho, bem como, dinamizaremos a educação e investigação marítimas, aproveitando todas as valências e potencialidades do Campus do Mar.

No plano industrial, teremos um setor competitivo e inovador, focado na consolidação e expansão da base produtiva existente e atração de investimento direto estrangeiro que nos possibilite induzir uma mudança estrutural com foco na exportação, com tecnologias de ponta e empregos altamente qualificados. O projeto Nortuna é um exemplo paradigmático da lógica de desenvolvimento que queremos para este setor e é uma realidade já em construção.

As duas recém-criadas Universidade Técnica do Atlântico e Escola do Mar, a par do Parque Tecnológico de Ribeira Julião são outros investimentos estruturantes na afirmação da cidade do Mindelo como cidade universitária, mas também como pólo de formação, qualificação e inovação.

Caso o seu partido vença as legislativas de 18 de abril, como pretende dar volta ao número elevado de desemprego jovem em São Vicente?

- Ao longo dos últimos 5 anos, e num contexto particularmente difícil, mantivemos firme o nosso compromisso com os jovens cabo-verdianos, que se traduziu numa aposta forte e continuada na educação, na formação e estágios profissionais, no empreendedorismo, na inovação e no emprego. Especificamente em São Vicente, entre 2016 e 2019, reduzimos em um terço o número de jovens entre os 15 e os 24 anos que estavam numa situação de exclusão, isto é, fora do emprego, da educação ou da formação e criámos nos jovens um evidente espírito empreendedor.

Em 2015, o número de jovens em São Vicente que nem estudava, nem frequentava nenhuma ação de formação, nem trabalhava era de cerca de 4.700. Em 2019, reduzimos este número para cerca de 3.000. Estamos a falar de 1.700 jovens que, neste período, passaram a ter acesso a oportunidades de formação, a estágios profissionais, a apoios para montarem o seu próprio negócio. Estamos a falar de jovens que foram empoderados e que hoje estão capacitados para entrarem no mercado de trabalho como técnicos qualificados, que estão preparados para dar o seu contributo para a nossa economia. O Plano de Desenvolvimento do Capital Humano de São Vicente assume o objetivo de reforçar o investimento na capacitação e qualificação da população jovem pela via da massificação da formação profissional, assumida pelo Estado e em especial para as atividades económicas do presente e sobretudo do futuro da ilha, ou seja, as áreas da economia azul, turismo, indústria, cultura e indústrias criativas.

Neste sentido, entre 2021-2026, queremos formar 5.000 jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 35 anos, de modo a reduzir em 75% o número de jovens que não estudam, não frequentam ações de formação e não trabalham e dar-lhes oportunidades de futuro. Entre outras medidas previstas, reforçaremos o número de ações de formação e alargaremos a oferta de cursos de formação, nomeadamente no âmbito da recém-criada Escola do Mar e instalaremos uma Unidade da Escola de Hotelaria e Turismo em São Vicente, com o propósito de alavancar novos segmentos de formação associados à hotelaria e turismo, áreas que garantirão uma elevada taxa de empregabilidade no futuro próximo em São Vicente.

Apostas para desenvolver São Vicente

Quais são os pontos fortes para São Vicente, em termos de plataforma eleitoral do seu partido e esforços a se desenvolver em termos de novas políticas públicas para a ilha?

- A transformação económica que, aliás, já se começa a sentir na ilha e que conhecerá uma aceleração no curto prazo e que tem como epicentro a operacionalização da Zona Económica Especial Marítima, ocupa lugar de destaque na nossa plataforma eleitoral, assim como a regionalização que acreditamos será determinante para que possamos criar os necessários equilíbrios regionais, promover a territorialização e integração das políticas públicas que melhor potenciem o desenvolvimento local.

Para o próximo ciclo governativo, todos os pontos jogarão a favor de São Vicente. Investimos na criação de infraestruturas necessárias e adequadas para a viabilização do novo modelo de desenvolvimento da economia local, assente na transformação de São Vicente em destino turístico privilegiado, no desenvolvimento competitivo do setor das pescas e na construção de uma plataforma marítima e logística. Estamos a criar novas oportunidades, o que implica ter uma política de capacitação e qualificação de recursos e de criação de emprego forte.

A Saúde é, sem sobra de dúvida, um setor prioritário e que merecerá importantes investimentos em São Vicente no próximo ciclo governativo. Refiro-me, por exemplo, ao Centro Ambulatorial do Hospital Baptista de Sousa, ainda em construção, e que irá permitir ter um serviço mais moderno para atender mais rápido as pessoas e diminuir o tempo de espera.

À construção da maternidade e de uma nova pediatria, que vai trazer melhor atendimento e cuidado para mães e crianças. Ao melhoramento e alargamento da rede de centros de saúde, que é outro investimento estratégico e estruturante. Queremos levar essa rede para outros bairros, de forma a levar a saúde próximo das famílias e ao mesmo tempo reduzir o fluxo de pessoas que procuram o hospital. Acresce dizer que considerando a exigência dos tempos difíceis que vivemos e dos desafios que ainda temos a vencer no contexto da pandemia da COVID-19, a resposta à situação de emergência económica e social é uma prioridade e um imperativo, que reclama desde logo a manutenção e reforço do pacote de medidas extraordinárias destinadas a apoiar a retoma e o relançamento dos negócios das empresas, com especial foco nos setores mais afetados pela pandemia para que possam sobreviver e serem beneficiários de suporte técnico e financeiro na entrada nova normalidade. Estamos focados em criar condições que contribuam para aumentar a liquidez das empresas, que garantam a salvaguarda dos postos de trabalho, mas estamos sobretudo empenhados em proteger as pessoas, através de medidas específicas de que visam a inclusão e a proteção social.

O que propõe a nível da economia marítima e turismo para dinamizar a atividade económica em São Vicente?

- O mar representa 99% do nosso território, é um recurso estratégico para o desenvolvimento de Cabo Verde, e urge promover uma mudança de paradigma com relação ao «mar», e transformá-lo numa das principais âncoras do desenvolvimento, da diversificação e da especialização da economia cabo-verdiana, nas próximas décadas. Valorizar ainda mais o mar e o potencial de desenvolvimento de Cabo Verde a partir do mar, evoluindo da abordagem de economia marítima para a de economia azul continuará a ser um compromisso para a próxima legislatura.

A operacionalização da Zona Económica Especial Marítima, enquanto pilar estruturante desta nova visão de futuro, será determinante para garantir a dinamização dos projetos relacionados com o desenvolvimento portuário, das pescas e da reparação e construção navais. E o mais importante é que a gestão da Zona Especial Marítima será feita por uma entidade, onde estarão devidamente representados a população e a Câmara Municipal, que fazendo parte do centro de decisão poderão tomar as rédeas do desenvolvimento do setor marítimo em São Vicente, com total autonomia. Este será um passo real numa inequívoca caminhada para uma efetiva regionalização do país, é a resposta estratégica para congregar esforços em torno da criação de consensos sobre o rumo de desenvolvimento a seguir.

O desenvolvimento competitivo do setor das pescas, incluindo a aquacultura, a transformação do pescado e o transbordo, é outra forte aposta para o próximo ciclo governativo, no sentido de torná-lo mais moderno, sustentável, formalizado e sustentado por infraestruturas de apoio devidamente adequadas. Queremos facilitar a transição da pesca artesanal para pesca azul, através do empoderamento, organização, maior segurança, o associativismo, a empresarialização e a instituição de um sistema de microcrédito, bem como a reabilitação e construção dos pontos/portos de desembarque, a introdução de novas formas e novas tecnologias na captura e comercialização.

Por sua vez, a construção do Terminal de Cruzeiros em São Vicente abrirá caminho ao desenvolvimento do turismo de cruzeiros explorando os recursos da ilha, posicionando-a como um importante e atrativo destino de cruzeiros na região, assim como a promoção do desenvolvimento da náutica de recreio e dos desportos náuticos.

Tendo a capacidade para trazer os turistas e tendo a capacidade para garantir o seu alojamento, teremos também de criar espaços de entretenimento e lazer, que tenham impacto na dinamização da economia local. E neste âmbito a valorização dos produtos culturais que São Vicente tem e pode oferecer tem de ser uma prioridade.
Refiro-me à importância de valorizarmos e projetarmos internacionalmente os eventos culturais que formam o calendário anual: o Fim do Ano, Carnaval, Março Mês do Teatro, Mindelact, Festas Juninas, o Kavala Fresk, Mindel Summer Jazz, Festivais de música da Baía das Gatas e da Laginha, Carnaval de Verão.

Do mesmo modo, o Centro Nacional de Arte e Design, que está em fase final de construção, funcionará como um centro de investigação e preservação da arte em Cabo Verde e que visa projetar o que de mais moderno é feito nessa matéria em Cabo Verde, um espaço voltado e aberto para a cidade, de forma a fazer o Mindelo cumprir a sua vocação de cidade das artes e transformá-lo num centro de formação, com sala de espetáculos e exposições.

Temos uma visão e um projeto de desenvolvimento dos setores que nos vai permitir potenciar São Vicente, pela sua tradição de uma ilha urbana aberta ao mundo, com gente que gosta de receber e com uma tradição centenária de prestação de serviços a nível internacional através do seu porto, situado numa das Baías Mais Bonitas do Mundo.

Reivindicações da população da ilha

Quais são as principais reivindicações dos Sanvicentinos que precisam de ser resolvidas?

- A regionalização está certamente no topo das reivindicações dos são vicentinos. Este é um projeto que o MpD desde sempre apoiou, que defendemos com afinco ao longo do mandato, e que inclusivamente levamos ao Parlamento, para aprovação. Infelizmente e contrariando os consensos prévios negociados, a iniciativa foi chumbada pelo PAICV. Ver concretizada uma estratégia de desenvolvimento para a ilha que nos permita criar uma efetiva dinâmica de crescimento económico, traduzida num desenvolvimento inclusivo, competitivo e sustentável, na capacidade real de criar emprego e de criar oportunidades novas e diferenciadas, em particular para os jovens, são questões que certamente figuram no topo das reivindicações dos são vicentinos, e às quais o MpD está totalmente preparado para dar resposta.

Quantos deputados pretende eleger no dia 18 de Abril em São Vicente?

- O maior número possível. Potenciar os resultados das eleições autárquicas e melhorar o score atual. Queremos merecer a confiança de todos os são vicentinos e contar verdadeiramente com o seu apoio na concretização da visão de desenvolvimento que temos para a ilha, esta é sem dúvida a nossa ambição. Queremos cumprir São Vicente. É chegada a hora e a vez de São Vicente e acreditamos que teremos condições de alavancar aquelas que são as especificidades e vantagens comparativas de São Vicente no contexto da promoção do seu desenvolvimento económico, bem como estamos certos que este é o caminho seguro para melhor responder às legítimas preocupações e servir as aspirações e anseios da população de São Vicente.

Como a sua lista está a fazer campanha em tempos de COVID-19?

- Adaptamos às exigências deste novo tempo. Isto é, não realizando atividades com muita gente, sempre com máscara e álcool gel e tentando garantir o distanciamento físico durante as conversas que mantemos com os eleitores na rua. É um desafio diário, uma preocupação constante, que obriga a uma disciplina permanente pessoal e de grupo, de que todos temos consciência e que tentamos cumprir ao máximo.
No atual momento, é preciso equilibrar a presença na rua com as mensagens na comunicação social e nas redes sociais. Por isso, temos procurado novos canais de comunicação, nomeadamente as redes sociais, para partilhar conteúdos informativos, apresentar o nosso projeto e interagir com os eleitores.

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