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São Vicente: Líder do SICS considera difícil a situação laboral nos setores de indústria, comércio e serviços 13 Maio 2021

O líder do Sindicato da Indústria, Comércio e Serviços (SICS), em São Vicente, diz estar preocupado com a situação laboral dos trabalhadores e das empresas que laboram nos referidos setores. Júlio Fortes revela que as reivindicaçoes pendentes são várias e que aumentam com o impacto negativo da pandemia de covid-19 no tecido empresarial local. Uma outra questão que preocupa o sindicalista prende-se com a redução dos salários, que está a ter efeito nefasto na sustentabilidade do SICS.

São Vicente: Líder do SICS considera difícil a situação laboral nos setores de indústria, comércio e serviços

Principais pendentes

O atual presidente do Sindicato da Indústria, Comércio e Serviços, que falava ao Asemanaonline, diz que a situação desses sectores na ilha de São Vicente não é nada boa neste momento.

Revela que a ex-Casa Serradas, que foi uma das mais antigas e poderosas firmas comerciais de Mindelo, foi à falência e deixou os trabalhadores sem a indemnização a que tinham direito. Considera que este é ainda um assunto que o sindicato tem por resolver. Isto sem falar da extinta Padaria Favorita, que é “um outro caso bicudo”, derivado de diferendo entre herdeiros. O SICS até colocou, sem sucesso, um anúncio de venda dessa padaria num dos jornais da praça. Tudo com o fito para que as partes pudessem resolver a situação dos trabalhadores despedidos.

“Temos problemas de empresas que desapareceram, nomeadamente padarias, pequenas empresas que simplesmente deixaram de existir embora houvesse processo no tribunal, mas que não houve pessoas que pudessem responder pelos problemas deixados”, sintetizou o entrevistado deste jornal.

Refere também à situação dos trabalhadores das ex-empresas Bento Lima e Global, que são outras das reivindicações pendentes por resolver no Mindelo.
De uma forma geral, prossegue Júlio Fortes, as empresas ligadas a tecelagem, a sapataria e a confecções são as áreas mais problemáticas em São Vicente, já que as suas exportações dependem de outros países.

Em relação à Frescomar em laboração, o sindicalista aponta que os sindicalizados, na sua grande maioria, eram trabalhadores da empresa. Mas critica que um outro movimento, que é os Sindicatos Livres, tem-se colocado como uma oposição ao SICS. “Retiram-nos sindicalizados, que mesmo assim continuam a nos contactar, o que considero ser uma questão ingrata”, desabafou.

Redução dos salários com impacto negativo no sindicato

Com esta pandemia de covid-19, o presidente do SICS precisa que muitas empresas estão a reduzir o salário de trabalhadores que pagam as cotas ao sindicato. E“nós também ficamos com a corda ao pescoço”, avisou.

Por isso, Júlio Fortes indica que o seu sindicato está a ter problemas em pagar os funcionários. “O nosso salário é pago consoante as regras estipuladas desde 1980. Para as pessoas que fossem eleitas, temos grandes problemas em substituí-las, já que continuam com o mesmo salário - embora no sindicato a lei obriga-nos a pagar o mesmo salário de onde vieram”. Ou seja, segundo Fortes, tem-se que as garantir o salário, independentemente das cotas que o sindicato recebe. E isso “cria-nos muitos problemas até em pagar assessor jurídico, porque dependemos da cota dos associados”, fundamentou.

Em tempos de Covid-19, Fortes explica que o seu sindicato sofreu assim uma queda acentuada de receitas, mas continuando com as obrigações junto do INPS e das Finanças, bem como com as quotas que tem de pagar como associado da UNTC-CS e da União dos Sindicatos de São Vicente. Considera que esta situação gera sérios problemas, porque, segundo a mesma fonte, o SICS não tem “dinheiro disponível” que antes vinha gerindo. Isto apesar de este sindicato ter reduzido o salário, as regalias, as férias e os subsídios para o seu quadro de pessoal.

Mas há outras preocupações. Júlio Fortes chama a atenção perante a politização do sindicalismo. “Muitos estão a ligar-nos ao PAICV, embora somos independentes e não podemos estar ligados a nenhum grupo político”, ressalta o sindicalista, salientado que esta ideia “cria muitos bloqueios”. Por isso, Fortes anuncia que pretende realizar um encontro com trabalhadores para explicá-los qual é o posicionamento do seu sindicato neste sentido.

Intervenção do SICS

Para este responsável, os problemas das empresas referidas são de longa data e que a pandemia veio agravá-las.

O presidente de SICS frisa que, neste momento, existem situações em que a lei laboral não permite a intervenção a 100% e que anteriormente os sindicatos poderiam intrometer.

“Tribunal do trabalho não existe e não podemos recorrer ao mesmo. Temos leis que nos permite apresentar processos no tribunal, mas somos bloqueados, pois, demora-se muito tempo a decidir sobre as queixas. Além disso, existem as custas dos processos em que os sindicatos têm de pagar e não têm dinheiro para isso», avançou.

Diante das situações referidas, o líder do SICS garante ficar a navegar nesse “vai, não vai” a tentar fazer algo para defender os interesses dos trabalhadores. Denuncia, no entanto, que as coisas pioram por surgir esquemas a nível institucional que dificultam a resolução dos problemas.

AC/Redação

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