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São Vicente: Trabalhadores informais na Praça Estrela mostram-se desanimados e queixam-se da baixa venda 15 Fevereiro 2021

O “pão de cada dia” tem sido cada vez mais difícil, principalmente quando se tem família. As vendas diminuíram, a probabilidade de levar qualquer bem de primeira necessidade a casa, é baixa. Algumas pessoas tiveram acesso ao subsídio de 10 mil escudos atribuído pelo Governo no âmbito da pandemia da covid-19, e outras ainda estão à espera. Mesmo com muito pouco, continuam essa luta diária.

São Vicente: Trabalhadores informais na Praça Estrela mostram-se desanimados e queixam-se da baixa venda

Há quase um ano a pandemia não só devastou vidas, como deixou muitas famílias a viver em uma situação de desespero. O Asemanaonline fez uma ronda pela Praça Estrela, no Mindelo, para saber qual o sentimento e situação das pessoas que durante anos expõem os seus produtos neste espaço, numa atividade que inicia as 6h da manhã e termina as 18h.O sentimento de desanimo é visível a quem passa por estas bandas.

Gumersinda Ramos, vendeira de produtos agrícolas há 10 anos, diz que as vendas têm sido cada vez menos, deixando-lhe “triste e desanimada”. Na tentativa de obter algum dinheiro para garantir, pelo menos, uma refeição, nem sempre dá para conseguir, visto que “há dias que não se vende nada”. A vendedeira adianta ainda que usufruiu do subsidio de 10 mil escudos atribuido pelo governo, que deu somente para o básico. Adianta ainda que em nenhum momento recebeu cestas básicas.

A situação que é partilhada por José Varela, vendedor, que rapidamente e sem muitas palavras descreve o momento como sendo “muito difícil”, quando anteriormente vendia mais e que dava para satisfazer as necessidades básicas. O comerciante informal é de opinião que “o governo deveria fazer algo mais”, pro considerar que é uma situação muito complicada. Varela admite que recebeu o subsídio, que segundo ele, veio ajudar no tratamento de um filho que estava muito doente no hospital de São Vicente.

Desde os 12 anos Edna David coloca “a mão na massa” e ganhar o seu próprio dinheiro. Agora, com 29 anos, é peixeira e, como diz, vive uma situação nunca antes vivida. Antes da pandemia, diz, a venda era mais ou menos, mas agora vender 1kg de peixe é muito trabalho. Com 4 filhos, a peixeira lamenta muitas vezes chegar em casa com muito pouco ou quase nada.

Com 5 filhos, a situação de Dona Maria Gomes não poderia ser diferente. A vendedeira de ervas e chás e outros produtos conta que é desanimador ter que pagar pelo transporte dos seus produtos e mesmo assim “não vender quase nada”. Questionada sobre o acesso ao subsidio atribuído pelo governo, esta responde que após entregar todos os documentos necessários, nunca recebeu um centavo, até hoje.

Já são 8 anos que Isaurinda Neves faz e serve refeições no quiosque da Praça Estrela. Com o negócio próprio, ela via-se obrigada a diminuir as quantidades de comida para que não houve prejuízos. “Praticamente eu tive que passar a cozinhar pequenas quantidades de comida porque o número de clientes diminuiu muito”, salienta. E em relação ao subsidio, esta responde que “só ouvi falar”, mas, no entanto, recebeu algumas cestas básicas.

Mas os qestionmentos sobre o fraco movimento de venda não ficam por aí. Para um vendedor de verduras, como Alexandro “Sandro” Mendes, mesmo com o baixo preço nos produtos, o problema continua. “Desistir não é a solução quando se tem filhos”, frisa. O jovem afirma que não recebeu o subsídio, visto que não apresentou os documentos. Contudo, segundo diz, a luta continua - não só caboverdianos.

No mesmo espaço comercial a Reportagem do Asemanaonline encontrou outras nacionalidades. A senegalesa, Guna que há 10 anos vive em Cabo Verde, vem sentido os efeitos da pandemia no negócio. Vende várias peças de artesanato, e como avança, a situação é bem crítica. “Saímos do nosso país à procura de melhores condições, e simplesmente estamos a passar por esta situação complicada, e não recebemos nenhum apoio”, afirma.

Recorde-se que em março de 2020, o governo apresentou um pacote para o setor informal e famílias para mitigar os efeitos da crise provocada pela pandemia de Covid-19. Muitos dos trabalhadores informais contemplados com a medida usufruíam de um subsídio de 10 mil escudos cada.
AC/Redação

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