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São Vicente/Reportagem: Peixeiras do mercado municipal queixam-se da pouca venda e muitas despesas 17 Fevereiro 2021

Em tempos da pandemia de Covid-19, as peixeiram de Mindelo reclamam que as vendas baixaram consideravelmente e que o pouco que se ganha num dia é insignificante e é direcionado para pagar o espaço usado para a venda do peixe e compra de gelo para conservar o pescado que sobra, depois de um longo dia quase sem lucros. O esforço para vender produtos do mar não tem compensando os bolsos destas famílias, que, segundo advertem, esperam também pelo término da reabilitação desse espaço comercial da Rua de Praia - cidade do Mindelo.

São Vicente/Reportagem: Peixeiras do mercado municipal queixam-se da pouca venda e muitas despesas

O Asemanaonline foi saber junto desses homens e mulheres que vivem da comercialização dos produtos do mar o que mais lhes têm dificultado, em tempos da Covid-19, as suas vendas e expor as suas preocupações. Inquietações essas, que lhes impedem de lucrar o suficiente para comprar o essencial para o sustento da família.

À reportagem do Primeiro-diário cabo-verdiano em linha, Natália Brito, mãe de 6 filhos, afirma que já houve tempos melhores e que as pessoas sempre vinham ao mercado, mas com esta pandemia se nota um ambiente pouco movimentado, o que diminuem as vendas. O maior problema está, segundo prossegue a mesma fonte, na compra do gelo para conservar o resto do produto, valor esse que é de 1250$00. “Todos os dias temos que comprar gelo e isso para nós é um prejuízo e temos um lucro suficiente para o sustento”, salienta. Das 8h30 às 17h30, Natalina tenta vender aquilo que pode para alimentar os seis filhos.

Com venda ou sem venda, nos feriados e nos fins de semana, as peixeiras pagam diariamente 110$00 pelo local onde expõem os seus produtos. Gracinda Lima, peixeira a vários anos, acrescenta que a partir das 12h o movimento diminui - poucas são as pessoas que vêm fazer as compras. Para além desses custos, é também cobrado “um valor de 5$00 por cada quilo de peixe levado para ser conservado no gelo”. A mesma exemplifica que, com a venda de “1kg de buzio, não é o suficiente para a compra do gelo”. Gracinda afirma que “as vendas servem mais para pagar despesas”, dizendo que “esta situação é desanimadora, mas temos que lutar.” E para complicar, a mesma explica que a bruma seca dificultou os pescadores de irem à faina marítima. A vendeira sugere que o que se deveria fazer era descer o preço do gelo, que aumentou o preço, passando de 1000$00 para 1.500$00.

Gracinda questiona ainda as obras que estão sendo feitas no mercado há 6 meses, quando eram para ser feitas em 3 meses, conforme lhes foi avançado. E com essa espera, a peixeira aponta que o espaço atual, onde fazem vendas, está sendo ocupado por “peixeiras, tratadores de peixes e pescadores, o que acaba de deixar a todos eles mais próximos uns dos outros”, em plena pandemia.

A reportagam do Asemanaonline também ouviu o jovem vendedor e tratador de peixe, Ericson da Graça. Pai de 3 filhos, considera a situação “preocupante” neste momento. Questionado se o mercado está muito saturado, responde que muitos dos seus colegas preferem ir vender o peixe fora do mercado, porque afinal “não se sabe onde a doença está”.

Recorde-se que, em agosto de 2020, a Câmara Municipal de São Vicente anunciou a reabilitação do Mercado de Peixe, que deveria ser restaurado dentro de três meses. O projeto, orçado em 39 mil contos, conta com o financiamento da Câmara Municipal e do Fundo de Sustentabilidade Social para o Turismo. Mas a obra não está ainda concluida, segundo reclamam as pexieras e os pescadores da ilha do Porto Grande.

AC/Redação

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