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Saúde: O mistério dos bebés sem braços que abala a França 04 Novembro 2018

Chama-se ATMS - agenesia dos membros superiores - e está a deixar a França em suspenso. Afetou várias crianças de três núcleos populacionais distintos, mas concentrados, que nasceram, ao longo de alguns anos, sem uma mão ou um braço.

Saúde: O mistério dos bebés sem braços que abala a França

Serão pelo menos oito só à volta de Druillat, uma localidade da região do Ain (este). Estuda-se agora a hipótese de serem mais 11. A somar a suspeitas em zonas da Bretanha (norte) e da Loire (noroeste).

Porque, até hoje - e os primeiros casos poderão datar de 2000 - não há a mais pálida ideia do que estará na origem desta anormal concentração de casos. Um pesticida? Um medicamento? As primeiras respostas deverão ser conhecidas em janeiro, na sequência do inquérito nacional da Agência Nacional de Segurança Sanitária determinado na semana passada pelo Ministério da Saúde francês.

O primeiro a estranhar foi um médico de família do Ain, que não encaixou na normalidade o facto de lhe passarem pela frente duas crianças sem braço. A normalidade é a estatística: menos de 150 casos anuais, espalhados pelo território francês e atribuídos a várias causas, da genética a um qualquer constrangimento físico na gestação, passando pelo agente tóxico.

Caso silenciado

Mas isso foi há anos. Foi preciso chegar a 2015 para o Registo de malformações da região Rhône-Alpes (Remera) pôr a suspeita sob a forma de alerta: contabilizara sete casos em cinco anos (2009-2014) num raio de 17 quilómetros e duvidara que se tratasse de um "acaso". E avançava a hipótese da exposição a um agente "teratogénico" (responsável por malformações fetais) - um produto qualquer usado na agricultura ou na veterinária, naquela que era uma zona rural. Remetido superiormente, o assunto nunca foi público.

O caso ressurgiu em setembro, com uma reportagem televisiva a denunciar a concentração anormal de casos no Ain. Dias depois, um comunicado polémico do organismo de Saúde Pública francesa rejeitava "anomalias estatísticas" no Ain - quando o Remera sempre falara em concentração 56 vezes acima do esperado -, mas admitia-as para as outras duas regiões. A mesma agência concluíra em 2016 que não fora detetada nenhuma causa comum nos sete primeiros casos do Ain, a que agora somou mais um.

"Negação ou o desejo de esconder alguma coisa?" questionou a oposição parlamentar, no dia 18 de outubro, levando a ministra Agnès Buzyn a anunciar a dita investigação nacional no dia 21.

Agora, as mães vão ser ouvidas: vivem todas na dita zona rural e a epidemiologista do Remera que deu conta do caso, Emmanuelle Amar (entretanto ameaçada de dispensa), desconfia de um pesticida. Mas nada o sugere claramente.

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