OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

SAL: A ÚLTIMA MEIA DUNA QUE AINDA EXISTIA NA PRAIA DA PONTA PRETA FALECEU NOS ÚLTIMOS TRÊS MESES E NINGUÉM PRENUNCIA NADA 06 Setembro 2021

Se continuarmos no desrespeito total, como vem acontecendo, a indústria turística em curso está com dias contados, porque assim como do nada desapareceu a última Duna (Na Praia de Ponta Preta), também a nossa linda praia de S. Maria poderá desaparecer sem darmos conta, porque o ritmo da ganância de tentar tirar o ovo dentro da polpa da galinha é maior do que a consciência ambiental, dos poderes locais e centrais, que sonham só em vender para encher os bolsos, esquecendo que temos o compromisso de usar e cuidar, para que os vindouros possam usar também.

Por: Efrem Soares*

SAL: A ÚLTIMA MEIA DUNA QUE AINDA EXISTIA NA PRAIA DA PONTA PRETA FALECEU NOS ÚLTIMOS TRÊS MESES E NINGUÉM PRENUNCIA NADA

A última meia Duna, que ainda existia na Praia de Ponta Preta -Sal, faleceu nos últimos três meses, mas ninguém prenuncia nada. É com uma tristeza do tamanho das “DUNAS”, que conheci, na praia da Bancona, no total de quatro, nos anos 1960, praia que passou a ser denominada de Ponta Preta, com as atividades do desporto náutico, windsurf e kitesurf, das últimas três décadas, e da reposição de energia nos fins-de-semana da população santa-mariense e toda população da ilha e por último de turistas que nos visitam.

Falar das dunas da praia de Bancona, “Ponta Preta”, é o mesmo que falar dos pescadores e das antigas indústrias de produção do sal e pescado de Santa Maria, porque era onde apanhavam isca para pescar e abrigavam os barcos e lanchas, nos equinócios de setembro.

Falar ainda do nível de conhecimento ambiental e respeito para com o ambiente e ecossistemas que os técnicos dos séculos, 18,19 e 20, passados, possuíam e recomendaram, quanto à altimetria das casas, posicionamento das ruas, tendo em conta (nascente/poente) e corredores para o trânsito da areia, que aconselharam a não construção, tendo em conta que dada a nossa posição geográfica, fomos beneficiados com a deslocação da areia que sai do deserto do Sara rumo à américa do sul, o enfiamento e as outras recomendações foram desprezadas e em pouco tempo, que foram consideradas por alguns sem nenhum estudo prévio, como ideias retrógradas, o tempo nos começa a alertar que afinal a teoria que fora defendida no passado como acautelar, estava certa e hoje a vivenciamos na prática.

Se continuarmos no desrespeito total, como vem acontecendo, a indústria turística em curso está com dias contados, porque assim como do nada desapareceu a última Duna, também a nossa linda praia de S. Maria poderá desaparecer sem darmos conta, porque o ritmo da ganância de tentar tirar o ovo dentro da polpa da galinha é maior do que a consciência ambiental, dos poderes locais e centrais, que sonham só em vender para encher os bolsos, esquecendo que temos o compromisso de usar e cuidar, para que os vindouros possam usar também.

Na mesma senda de perigo, estão também os outros locais da ilha considerados protegidos, nos estudos efetuados e que os governantes tencionam delapidar com a fúria e o desespero de arrecadação de riquezas para um único século, vilipediando tudo que apareça na vista desarmada, aí sim! tornaremos numa ilha lunar onde haverá só pedra sobre pedra.
Quem avisa amigo é!

— 

* Cidadão atento

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project