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Secretário-geral da IUSY: Eleição de José Maria Neves como Presidente da República é um excelente sinal para Cabo Verde e o mundo 24 Outubro 2021

O Secretário-geral da União Internacional das Juventudes Socialistas (IUSY) considerou, no final da sua recente visita a Cabo Verde a convite da JPAI, ter sido um excelente sinal para o país e o mundo a eleição de José Maria Neves como Presidente da República. «. A sua credibilidade na comunidade internacional, amplamente reconhecida no seio do nosso movimento, e as suas provas dadas enquanto Primeiro-ministro mostram bem a prioridade que dá, permanentemente e não apenas durante campanhas eleitorais, aos jovens e sobretudo às jovens mulheres. É por isso que estou certo que o último domingo (17 de outubro) se transformou num voto de confiança num futuro mais próspero para futuras gerações».Bruno Goncalves desabafou que ficou impressionado com a generosidade e a disparidade dos cabo-verdianos. «A generosidade com que o povo cabo-verdiano trata quem visita o país. É de uma alegria imensa e de uma ternura sem fim. E é algo que levarei sempre comigo, junto com um enorme sentimento de gratidão. Mas também disparidade - entre aqueles que mais podem e os que menos podem», realçou. Em entrevista exclusiva ao Asemanaonline, o SG da IUSY aborda os vários problemas que afetam a juventude em tempos de covid-19, bem como a agenda internacional da organização, com destaque para o fórum de juventude mundial, que reunirá, ainda neste ano, dezenas de líderes em Estocolmo-Suécia. Confira detalhes na entrevista que se segue.

Secretário-geral da IUSY: Eleição de José Maria Neves como Presidente da República  é um excelente sinal para Cabo Verde e o mundo

A Semana - Que balanço faz da sua vista a Cabo Verde?

Bruno Gonçalves - O balanço é extremamente positivo, principalmente no que concerne à atividade da JPAI e da sua interação com as diferentes comunidades locais e regionais. Durante estes dias tive oportunidade de conhecer vários jovens, tanto na ilha da Boa Vista como na ilha de Santiago, que espelham bem a necessidade de existirem, cada vez mais, jovens líderes na atividade política. Há, infelizmente, um percurso longo a percorrer e a pandemia da COVID 19 veio expor, precisamente, os desafios que os mais desfavorecidos enfrentam todos os dias e é, também por essa razão, que é importante que organizações como a JPAI e o PAICV, organizações da esquerda democrática que lutam pela igualdade de oportunidades, mantenham a sua ação em proximidade nas diferentes ilhas que compõe Cabo Verde. Devo, por isso, agradecer também ao líder da JPAI, o deputado nacional Fidel Cardoso de Pina, por todo o esforço que tem feito no relançamento da organização no campo da família socialista a nível global.

Forte potencial da juventude e generosidade do povo

Que avaliação faz da juventude cabo-verdiana, quer no tocante à sua participação na política ativa e seu potencial para o futuro do país?

- O potencial, como não raras vezes tenho ouvido por estes dias, é enorme, mas está suspenso. Não basta que falemos, recorrentemente, no potencial do país ou das suas gerações. Importa, acima de tudo, que o aproveitemos. E, no contacto próximo que tive com muitos jovens - dos encontros informais aos torneios desportivos, dos bairros do interior à azáfama da capital - pude entender que existe uma geração que entende os problemas, estuda as soluções e é capaz de assumir a liderança em prol de um país melhor. Ainda assim, vemos que apenas ocasionalmente lhes é dada essa oportunidade. Na ilha da Boa Vista, por exemplo, pude testemunhar como jovens líderes são verdadeiramente representativos da sua geração, levando os problemas aos representantes políticos - do problema com os acessos à porta de uma casa ao atraso no pagamento de propinas fruto da galopante vaga de desemprego. Esta é a hora para que eles possam tomar não só o papel de mensageiros, mas acima de tudo o papel de decisores. As provas estão dadas, falta apenas espaço para que possam concretizar um país mais justo, mais livre, mais criativo e, sobretudo, mais digno para todas e todos.

O que mais lhe impressionou durante a sua estadia em Cabo Verde?

- A generosidade e a disparidade. A generosidade com que o povo cabo-verdiano trata quem visita o país. É de uma alegria imensa e de uma ternura sem fim. E é algo que levarei sempre comigo, junto com um enorme sentimento de gratidão. Mas também disparidade - entre aqueles que mais podem e os que menos podem. Felizmente, houve, no passado, principalmente na ação dos governos do PAICV, quem se dedicasse ao combate à pobreza e à exclusão social a partir de políticas públicas de integração e de uma aposta forte na economia que, apesar de pouco diversificada, devolveu às famílias a esperança de uma vida melhor e de um futuro realizado no seu país. Mas há, ainda, muito a fazer: na erradicação dos bairros mais afastados que vivem, muitas vezes, em regime de exclusão e na integração de todas as pessoas na sociedade cabo-verdiana. E isso passa, sobretudo e essencialmente, pela aposta na educação. A Escola é o verdadeiro motor do progresso, da liberdade e da igualdade de oportunidades para os mais jovens e essa é uma aposta em que o país se deve empenhar fortemente.

Impato de covid-19 no desemprego jovem e esperança com novo PR JMN

A pandemia de covid-19 devastou a economia e a saúde pública a nível planetário, provocando grave crise social. Como a IUSY vê as consequências dessa crise na vida da juventude?

- A pandemia da COVID-19 veio demonstrar o que já havíamos aprendido com outras crises bélicas e financeiras: são sempre os mais desfavorecidos, entre os quais os mais pobres, as mulheres e os jovens, que mais sofrem com os impactos de mudanças súbitas e recessivas.

As consequências são evidentes, brutais e dramáticas. Há uma geração que ficou, sem que nada o fizesse antever, com o futuro suspenso. O aumento brutal do desemprego num país altamente dependente de receitas externas do turismo, o crescente envolvimento dos jovens na economia informal para a sua sobrevivência e das suas famílias e o excesso de tempo desocupado, por falta de aulas e de escolas abertas, contribuiu um acréscimo muito significativo da marginalização. Tudo isto somado à endémica doença da falta de recursos acaba por deixar muitos jovens à margem do progresso. A esperança é portanto a da solidariedade. Solidariedade na partilha entre os que mais e menos podem, nomeadamente através de ferramentas de partilha de vacinas que acelerem o retorno à vida normal.

E é precisamente por isso que creio ter sido um excelente sinal para o país e para o mundo a eleição do presidente da República, José Maria Neves. A sua credibilidade na comunidade internacional, amplamente reconhecida no seio do nosso movimento, e as suas provas dadas enquanto Primeiro-ministro mostram bem a prioridade que dá, permanentemente e não apenas durante campanhas eleitorais, aos jovens e sobretudo às jovens mulheres. É por isso que estou certo que o último domingo se transformou num voto de confiança num futuro mais próspero para futuras gerações.

Desafios a nível da CPLP e fórum mundial

Qual é a preocupação principal da IUSY a nível da CPLP, em termos dos problemas que afetam os jovens e a sua participação no processo político-democrático nos respectivos países?

- O desafio da organização é grande. Sabemos bem dos diferentes desafios geopolíticos que, ao longo dos últimos anos, têm impedido participações mais ativas de algumas delegações no quadro da CPLP, mas é inevitável que o futuro nos reserva um futuro comum e organizado. Desde logo porque a partilha da língua, mais ou menos homogénea, elimina as barreiras estereotipadas que dividiram os povos na era pré-globalização. Foram já muitos os desafios superados, mais recentemente com o princípio de acordo de mobilidade, contudo o principal desafio reside na organização. Na organização de uma estrutura capaz de superar os ímpetos nacionais, sensíveis aos momentos eleitorais internos e regionais, no que concerne à dedicação e entrega, aos prejuízos e benefícios que constituem o quadro da CPLP. Estou confiante que ultrapassaremos essa barreira é que a IUSY contribuirá, na medida do possível, para essa aproximação.

Em termos de agenda internacional, o que a IUSY tem programado para os próximos tempos a nível mundial?

- Até ao final deste ano temos uma agenda bastante intensa. Entre um fórum de juventude mundial, que reunirá dezenas de líderes em Estocolmo, a uma visita ao Estado de Israel e à Palestina, num esforço conjunto das nossas organizações membro de ambos os territórios, passando pela organização dos diferentes comités: europeu, africano, Mediterrâneo, América Latina, Ásia Pacífico, Balcãs e das organizações do Mar Negro. Será uma das agendas mais intensas das últimas décadas, mas estamos certos que só assim poderemos combater, no terreno, o isolamento a que a pandemia obrigou milhões de jovens líderes e activistas da nossa organização.

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