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Secretário-geral da JACC: A situação política na Guiné-Bissau está evoluir no sentido positivo 28 Abril 2018

Secretário-geral da JACC: A situação política na Guiné-Bissau está evoluir no sentido positivo

O Secretário-geral da JACC, que se encontra de visita a Cabo Verde a convite da JPAI, asseverou, em entrevista exclusiva ao Asemanaonline, que a situação política na Guiné-Bissau está a evoluir no sentido positivo. «Já temos um primeiro-ministro e um governo de consenso, o caminho é, portanto, seguir, produzindo consensos necessários para estabilização politica do país», assegura Dioniso Pereira. Referindo-se à luta de gerações, o político destaca que a geração de Amílcar Cabral, Pedro Pires e outros camaradas tive que enfrentar uma luta armada para acabar com o colonialismo clássico. «Penso que uma das missões que temos agora que cumprir é lutar contra o neocolonialismo e organizar a libertação total da África e da Humanidade». Para mais detalhes, confira a entrevista, que se segue, do Secretário-geral da JAAC.

Quais os principais objectivos da sua visita a Cabo Verde?

Primeiramente gostaria de agradecer pela oportunidade concedida com este convite da Juventude do PAICV. Devo dizer que o objetivo principal da minha vinda a Cabo-Verde enquadra-se no plano de reestruturação e dinamização da Juventude Africana Amílcar Cabral (JAAC) que temos vindo a implementar a nível nacional e na diáspora. Neste âmbito, o programa inicia com assinatura do memorando de entendimento para reatar a cooperação com a JPAI e culmina com a posse a nova estrutura da JAAC em Cabo-Verde.

Como está a ser o seu programa de visita e contactos com instituições e a comunidade guineense em Cabo Verde?

O programa está a ser muito interessante. Já tivemos encontro com várias personalidades, quer a nível da comunidade guineense, dirigentes do JPAI, estrutura do nosso partido em Cabo-Verde, assim como dirigentes do PAICV. Nos próximos dias, o programa será mais intenso, porque temos agendado vários encontros com diferentes instituições públicas e privadas, bem como visitas, conversas abertas e palestras um pouco por todo Santiago.

Esta sua visita tem como a preocupação da JAAC em termos de relações institucionais e de cooperação, de aproximar com a JPAI e eventualmente com outras organizações juvenis partidárias de Cabo verde?

Sim. Um dos nossos objetivos enquanto organização de massa do partido PAIGC, é reforçar os laços com as organizações juvenis, quer a nível nacional ,quer a nivel internacional. No mês passado estive em Angola, na cidade de Luanda, com os mesmos objetivos. Tivemos uma agenda de trabalho com a juventude de MPLA, onde discutimos vários assuntos da política africana, problemas de desemprego jovem, papel que as organizações de juventudes partidárias podem jogar no fortalecimento da democracia africana. Em fim, estão na agenda vários assuntos que têm a ver com a juventude. É com uma agenda, muito parecida em alguns aspectos, que estamos aqui para partilhar com os nossos camaradas do Juventude do PAICV, sabendo que somos uma geração que tem a missão de maximizar os ganhos da independência. Quando falamos de maximizar os ganhos, estamos a nos referir as questões que tem a ver com: fortalecimento da democracia, administração e organização do território, luta contra a pobreza, melhoria das condições da saúde, educação de boa qualidade, infraestruturas, habitação, direitos humanos luta contra corrupção etc. São questões que devem ser resolvidas pela nova geração dos políticos em Africa.

Crise política e novas eleições

Como está a situação política na Guiné-Bissau depois da recente nomeação do Primeiro-ministro de consenso e com a mediação da CEDEAO?

A situação política na Guiné-Bissau está a evoluir no sentido positivo. Pensamos que com a ajuda dos parceiros e amigos e determinação do Povo guineense, com liderança fiel do PAIGC e seus aliados, a situação será ultrapassada. Já temos um primeiro-ministro e um governo de consenso, portanto o caminho é seguir, produzindo consensos necessários para estabilização politica.

O actual governo pode garantir que as próximas eleições agendadas para Novembro deste ano possa decorrer de forma livre e transparente?

Justamente, essa é a missão do atual executivo. Organizar as eleições de forma livre, justa e transparente. É óbvio que isto requer recursos financeiros que nem sempre o governo tem à sua disposição. Porque precisa de atualizar os cadernos eleitorais e outros instrumentos necessários para o avanço do processo.

Mudanças e papel da JACC

Houve ou haverá mudanças na Constituição da República para que qualquer governo democrático formado com base nos resultados das eleições possa governar com estabilidade e não ser destituído pelo Presidente da República quando tem a maioria parlamentar que o sustenta?

Devo dizer que a Guiné-Bissau assim como muitos países em Africa tem tido problemas com atualização dos instrumentos de organização da sociedade e governação. Porque muitas leis que hoje temos em Africa, pertence aos países colonizadores, e muitas das vezes, estes instrumentos não refletem a realidade cultural e social do Povo africano. E penso que a Guiné-Bissau não foge a essa realidade, mas o que deveria prevalecer é o espírito do bom senso e a vontade de resolver os problemas do nosso povo.

Atendendo a grave crise políticas por que base o país nos últimos anos, o que a JAAC está ou pensa fazer para contribuir para o desenvolvimento e a consolidação da cultura democrática na Guiné-Bissau?

O processo de construção de uma sociedade democrática não é apenas a tarefa do governo, mas sim, de todos os atores, partidos políticos, sociedade cível etc. Perante este fato, temos trabalhado na dinamização das estruturas da JAAC para contribuir no fortalecimento do PAIGC. Também temos trabalhado junto da sociedade civil no sentido da criação de ambientes saudáveis de permanente debate e busca de consenso mínimos para propormos soluções aos problemas que a sociedade guineense enfrenta. Em relação aos partidos políticos, temos aproximado da juventude de outros partidos, através de promoção de um diálogo construtivo que permita as partes consolidarem uma unidade na diversidade, ou seja, não precisamos ser iguais ou do mesmo partido para desenvolver o país. Com o governo, temos proposto politicas públicas exequíveis e que refletem as reais necessidade da juventude e servindo como parceiro na implementação e monitorização dessas politicas públicas. Mas devo lembrar que dada a instabilidade governativa, a implementação dessas políticas públicas não tem sido uma tarefa fácil.

Luta e geração de Cabral

Com isso quer dizer que cada geração, incluindo a de Amílcar Cabral, tem uma missão histórica a cumprir?

Toda geração tem a sua missão histórica. A geração de Amílcar Cabral, Pedro Pires e outros camaradas tive que enfrentar uma luta armada para acabar com o colonialismo clássico. Penso que uma das missões que temos que cumprir, é lutar contra o neocolonialismo e organizar a libertação total da África e da Humanidade. Como Amílcar Cabral dizia, esta luta requer uma organização de todas as camadas da nossa sociedade, dirigida por nossa ideologia que vem da nossa cultura, fruto de nossa própria História.

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