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Sem fim à vista: Processo de Corinna contra rei emérito Juan Carlos que pede de volta $65 ME 09 Novembro 2022

A imprensa espanhola e britânica na edição desta terça-feira, 8, divulga o mais recente desenvolvimento do ’affair’ que se tornou um caso de Estado. E que agora envolve o Supremo Tribunal de Londres que em 2022 já se pronunciou duas vezes, uma para indeferir e outra em que autoriza mais um recurso do acusado Juan Carlos de Espanha.

Sem fim à vista: Processo de Corinna contra rei emérito Juan Carlos que pede  de volta $65 ME

Em 2020, o Supremo Tribunal de Justiça no Reino Unido começou por deferir o pedido da queixosa para o rei emérito de Espanha "manter distância de pelo menos 150 metros". Em julho (de 2020), a alemã Corinna Larsen — que então assinava Corinna zu Sayn-Wittgenstein, do título do segundo marido, o príncipe zu Sayn-Wittgenstein de quem se divorciara em 2011—tinha dado entrada na justiça britânica de um processo-crime contra o ex-rei e alegado ex-amante Juan Carlos de Espanha.

Na queixa, Corinna alegava que o ex-rei, então com 84 anos, estava a causar-lhe grande sofrimento mental devido a "uma campanha continuada de perseguição", com espiões a segui-la após o fim do relacionamento.

Juan Carlos autoexilado nos Emirados tem vindo a negar as acusações. Além disso, em março avançou com um recurso apoiado no seu estatuto na realeza — o qual veio a exibir no enterro da prima rainha Isabel II em setembro — para alegar que goza de imunidade e não pode ser julgado pelo sistema de justiça britânico.

Entendimento diferente tem o Supremo britânico: "Independente do estatuto especial que o arguido mantém sob a lei e constituição do reino de Espanha, ele deixou de ser um ’soberano’ ou ’chefe de Estado’ pelp que deixou de gozar de imunidade pessoal".

Contudo, o Supremo do Reino Unido autorizou o rei emérito a apresentar novo recurso relativo ao período em que ainda era rei, ou seja até 2014, ano em que abdicou do trono a favor do filho Felipe VI.

’Sacos de dinheiro’

Corinna Larsen residente em Montecarlo e em Londres queixou-se de que o rei Juan Carlos começou a difamá-la, acusando-a de lhe ter roubado o dinheiro que o monarca espanhol recebera do rei Abdullah bin Abdulaziz Al Saud, falecido em 2015.

O montante fora transferido em 08.08.2008, para uma conta secreta na Suíça em nome da Lucum Foundation, entidade sediada no Panamá e cujo primeiro beneficiário era Juan Carlos I. Em 2012, dadas as mudanças na lei suíça, o dinheiro foi transferido para a conta de Corinna Larsen no banco Gonet & Cie, sediado nas Baamas.

O processo de vinte páginas — apresentado em dezembro de 2019 pela equipa de advogados de Corinna Larsen — contém uma série de acusações contra o rei emérito espanhol: difamação (acusou-a de roubo), perseguição e assédio que inclui vigilância sobre a alegada vítima, apresentada como "amiga especial" de Juan Carlos I.

Amiga especial. Em tudo o que a investigação divulgada desde 2019 revela sobre corrupção, subornos recebidos dos reinos árabes, contas em paraísos fiscais, em tudo que macula Juan Carlos I, a tal ponto que o cognominaram "o rei que só sabe meter-se em sarilhos", aparece o nome da amiga especial desde 2004.

A primeira vez, todavia, em que a relação entre os dois começa a ser tratada como um caso de Estado acontece na sequência do acidente de caça no Botswana em 2012. A primeira mancha na reputação do monarca, em quem a Espanha reconhecia a autoridade moral de fundador da democracia após quarenta anos de ditadura do general Franco.

Em 2014, não resta a Juan Carlos senão abdicar. Mas os escândalos continuaram a envolver o ex-monarca a tal ponto que em junho de 2020, o rei Felipe VI fez uma declaração pública de repúdio à riqueza do pai envolta em ilegalidades. Através dum comunicado, o atual monarca diz renunciar à herança do ex-monarca "cuja origem, caraterísticas ou finalidade podem não estar em conformidade com a legalidade ou os critérios de probidade e integridade".
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Fontes: El País/BBC/.... Relacionado: "Testa de ferro" Corinna Larsen leva Juan Carlos de Espanha ’aforado’ à justiça britânica, 31.jul.021; Crise no Reino de Espanha: Juan Carlos e 65 milhões de "presente de amor" a Corinna, 06.jul.020; Espanha: Tesouro pagou tesourinhos d’El Rey, 23.jul.020. Fotos (AP/Getty): O rei Juan Carlos. O colar de esmeraldas de Corinna (suspeito de ser um presente régio) comparado ao ’colar da rainha’ (Maria Antonieta) que, segundo o escritor francês Alexandre Dumas, é um dos motivos subjacentes à execução da família real sob Luís XVI, ditada pelo tribunal da Revolução Francesa.

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