OPINIÃO

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Sensibilidade Ferida: As elites cabo-verdianas e serviço público de solidariedade 12 Maio 2021

É necessário que as Elites Caboverdianas desempenhem o referido "serviço público de solidariedade nacional", e para lá da causa subjacente é de esperar que despertem para a responsabilidade social da sua existência perante o povo que dizem querer servir, devendo ter presente as palavras das seguintes personalidades: Amílcar Cabral: Jurei que tenho que dar a minha vida, toda a minha energia, toda a capacidade que posso ter como homem, até ao dia em que morrer, ao serviço do meu povo. Este é que é o meu trabalho. Martin Luther King: O que me preocupa não é o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que me preocupa é o silêncio dos bons. Nelson Mandela: Não pode haver maior dom que o de dar o próprio tempo e energia para ajudar os outros, sem esperar nada em troca.

Por: Albino Sequeira

Sensibilidade Ferida: As elites cabo-verdianas e serviço público de solidariedade

As pessoas estão muito sensíveis às análises políticas em Cabo Verde. Quem faz uma análise que não agrada um determinado partido, é logo associado a outro partido. O pior de tudo isso, corre o risco de perder o apoio moral da sua família e amigos. Portanto, em Cabo Verde a melhor solução para sobrevivência é estar calado e aceitar as migalhas de quem governa.

Eles querem que aplaudimos um governo, por mais errado que este possa estar. Os governantes querem aplausos, por que entendem que fazem a melhor gestão do País. Não há espaço para contraditório e opinião crítica. Ou aplaude, ou tente viver.

Associar a boa governação a quem governa, é a meia culpa do povo. São os cidadãos que avaliam negativa ou positivamente o Poder Central nas urnas, no tempo das eleições legislativas. Um militante ou simpatizante do partido Y não reconhece e nem pode reconhecer os erros do Governo do seu partido. Ou perde trabalho, ou perde benefício através da cor política que defende.

Neste caso, em primeiro lugar, estão os interesses pessoais, e só em última instância os interesses do coletivo, do País.

Um indivíduo que reside na pior localidade de Cabo Verde, com pobreza extrema, por mais que clame pelos seus direitos, por mais que grite por oportunidades de vida, por mais que exija atenção, nunca vai ser atendido. Isso, não é somente pelo Governo, mas pela própria Sociedade.

Estamos nesse mundo apenas para viver. Não estamos atentos para as coisas que acontecem à nossa volta. Precisamos observar mais.

Muitas vezes ignoramos o vizinho do lado, o irmão, o próximo, que num dia não tenha um quilo de arroz para cozinhar, e não socorremos essa família, esse irmão, esse vizinho e esse próximo. E o senhor sabe que ao lado da sua casa tem essa pessoa com dificuldades de sobrevivência, mas não tem coração sensível, que seja capaz de ser grande, solidário, a ponto de dispensar a sua ajuda a quem precisa.

Há sempre aquelas pessoas corajosas e que deixam o orgulho moribundo, chegam até si para pedir SOS, porém, esse auxílio é quase sempre refutado. Para dor e tristeza daquele ser humano.

Essa atitude promove mal-estar, rejeição e passas um certificado de inutilidade a pedinte, com grau de inferioridade e com nota para não repetir. Isso acontece por que não estamos preocupados em saber das deficiências dos outros, dos seus problemas. O tempo está curto para ouvir um "Zé Tchoco". Estamos a tornar-nos egocêntricos.

Essa situação incita o aumento de criminalidade nos centros urbanos. Como não roubar ou seguir por caminhos ilegais, errados, quando um indivíduo é rejeitado pela Sociedade e pelos Governos? Não é a falta de investimento que causa a instabilidade na segurança do País, é precisamente esses factos que acabei de descrever.

Os Governos querem distância desses seres porque são gastos para os cofres de um Estado lucrativo. Os governantes gostam daqueles que possuem dinheiro. O Poder Central, hoje, quer a empresa, Estado, como lucrativa, que rende lucros no fim do ano, ao saber que a finalidade do Governo é satisfazer as necessidades do povo. É esse fim que os cidadãos desejam ver como prioridade.

Os recursos são gerados pelo Estado e não por um grupo de indivíduos que ao longo dos anos vêm a usufruir das regalias, benefícios e incentivos que as más leis permitem e garantem às Elites representantes da nação Caboverdiana.

O conceito de elite social possui várias definições: como um grupo situado numa posição hierárquica superior numa dada organização e com o poder de decisão política e económica; como um grupo localizado numa camada hierárquica superior numa dada estratificação social; podendo igualmente ser o grupo minoritário que exerce uma dominação política sobre a maioria num sistema de poder democrático.Elite pode também ser uma referência a grupos posicionados em locais hierárquicos de diferentes instituições públicas, partidos ou organizações de classe, ou seja, pode ser entendida como os que têm capacidade de tomar decisões políticas, económicas ou sociais com impacto nacional, podendo ainda designar as pessoas ou grupos capazes de formar e difundir opiniões que servem como referência para os demais membros da Sociedade, e neste caso Elite seria um sinónimo tanto para liderança como para formadora de opinião.

As Elites Caboverdianas parecem estar distantes do que se passa no País como até de não conhecerem bem o País profundo, e a ser assim qual será a motivação para tal comportamento?

Além da competência técnica as Elites Caboverdianas têm de cumprir diariamente com deveres que abarcam valores e padrões de comportamento, ou seja, trata-se de ética, e o sucesso delas na vida académica, nas profissões liberais, na área financeira, económica, social e de gestão, tem de ancorar aqui, partir daqui e retornar sempre aqui.

Na verdade o povo não pode deixar de pensar que os concidadãos que constituem as Elites Caboverdianas são os que podem ser desempenhar um "serviço cívico" em nome da responsabilidade da cidadania no sentido mais profundo de solidariedade nacional, pelo que é concebível que o povo na situação mais desfavorecida possa pensar que as Elites Caboverdianas se deveriam dispor a perder alguma coisa em nome das reformas necessárias para o desenvolvimento do País visando o combate efetivo de redução da pobreza.

É necessário que as Elites Caboverdianas desempenhem o referido "serviço público de solidariedade nacional", e para lá da causa subjacente é de esperar que despertem para a responsabilidade social da sua existência perante o povo que dizem querer servir, devendo ter presente as palavras das seguintes personalidades:Amílcar Cabral: Jurei que tenho que dar a minha vida, toda a minha energia, toda a capacidade que posso ter como homem, até ao dia em que morrer, ao serviço do meu povo. Este é que é o meu trabalho. Martin Luther King: O que me preocupa não é o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que me preocupa é o silêncio dos bons. Nelson Mandela: Não pode haver maior dom que o de dar o próprio tempo e energia para ajudar os outros, sem esperar nada em troca.

Portanto, mais do que viver, é saber viver. É partilhar a sua alegria com os outros, a sua simplicidade com o próximo, as suas tristezas consigo mesmo. Abra o seu coração e faça dele um instrumento para fazer o bem ao mundo e provocar a felicidade às gentes.

Siga a vida com muita atenção.

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