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Sentença do caso de droga no Sal adiada para Outubro 29 Julho 2009

A sentença do julgamento dos cinco implicados no caso de droga no Sal - José Jorge, Tigana, Zé Pote, Naiss e Lígia –, anunciada para o próximo dia 31 de Julho, foi adiada para Outubro, logo após a abertura do ano judicial. O Ministério Público pediu penas pesadas para os acusados, em torno de 15 a 20 anos, e deverá ainda accionar a lei de lavagem de capital, tendo em conta a riqueza acumulada pelos arguidos e que se supõe ser proveniente do narcotráfico e da associação criminosa.

Sentença do caso de droga no Sal adiada para Outubro

Foi um dos julgamentos mais longos que se tem notícia na ilha do Sal. Prolongou-se por mais de três semanas e foi determinante para a detenção no aeroporto do Sal do advogado Manuel Barbosa, quando este se preparava para embarcar para Santiago, no término do julgamento. As afirmações da testemunha Zany Filomeno de que o advogado seria intermediário nas transacções de dinheiro neste emaranhado tráfico de droga levaram o MP a pedir a prisão preventiva de Manuel Barbosa.

Antes, a mesma Zany Filomeno já tinha implicado Lígia, Tigana, Naiss e Zé Pote. Por exemplo, em relação ao advogado Barbosa e aos arguidos Zé Pote e Naiss, a ex-baronesa da droga garantiu que estes tinham um plano para retirar da cadeia os três estrangeiros – o português, o espanhol e o alemão - condenados por tráfico , depois de terem sido surpreendidos na posse de três maletas contendo 70 quilos de cocaína.

Quanto à ex-comissária de bordo Lígia Furtado, Zany Filomeno explicou que esta concordou em transportar droga, mediante uma recompensa de 300 mil escudos por cada quilo de cocaína que levava. Segundo a testemunha, inicialmente, a Lígia pedira ao grupo 500 mil escudos por quilo, montante que não foi aceite, tendo ficado, após alguma “discussão” entre eles, estabelecido em 300 mil escudos.

No encontro para acertar as “regras da operação” - que terá acontecido em casa da Lígia -, Zany disse que a arguida notou que era preciso alguma atenção nos voos e serviço de RX no aeroporto do Sal, mas que ia providenciar um “esquema” para facilitar a passagem da mala keryone contendo cocaína.

O suposto esquema consistia em angariar um polícia de fronteira para fazer o serviço e que terá cobrado 400 mil escudos por cada facilitação. Certo é que numa primeira tentativa, segundo a testemunha, Lígia transportou 10 quilos de droga tendo recebido três mil contos. Segundo Zany, a “organização de droga” terá angariado mais cinco polícias de fronteira e quatro assistentes de bordo.

O arguido José Jorge consideraria, no entanto, que 99 por cento das declarações da Zany não passa de mentira descarada. Também José Arlindo Semedo, o Zé Pote, acusado de cinco crimes de tráfico de droga, lavagem e branqueamento de capital e associação criminosa, nega ter feito qualquer tipo de proposta de “negócio” à ex-namorada, Zany Filomeno, com quem tem um filho.

Zé Pote disse ainda não conhecer a assistente de bordo Lígia Furtado, nem as outras pessoas supostamente envolvidas nessa associação criminosa. Porém, admitiu conhecer o agente de polícia e José Jorge Gonçalves - também arguidos deste processo. Com Jorge Gonçalves Zé Pote diz ter em comum uma empresa de construção civil denominada “Semedo e Gonçalves”.

Quanto aos seus movimentos bancários, que revelam somas avultadas tanto de levantamento, transferência e compra de moedas estrangeiras, este garantiu que a sua riqueza advém do rendimento que obteve enquanto emigrante. Ademais, na sua condição de empresário fazia empréstimos bancários, por vezes no valor de 7, 10 e 15 milhões de escudos.

Justificações que não terão convencido o MP que, segundo apurou A Semana, terá pedido penas pesadas para todos os acusados, em torno de 15 a 20 anos de prisão, e que, além disso, pretende accionar, após a sentença do juiz, a lei de lavagem de capitais para confiscar os patrimónios materiais e imateriais dos acusados e suspeitos.

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