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Sina de um Crioulo: Francesa Sylvie Fondacci encontra a avó cabo-verdiana após dois anos de procura 21 Maio 2009

Originária da Ilha de Santo Antão, tendo vivido em Dacar nos anos 30 e depois na Ilha de Gorée até os anos 60, Candinha Monteiro tinha sido separada de sua filha, Maria Rosa Monteiro, quando esta tinha 4 anos de idade. O pai, um marinheiro francês, tinha levado consigo a filha. A menina foi criada por uma família em Paris. Durante toda a sua vida, Candinha teve a esperança de rever a filha. E durante a sua vida toda, Maria Rosa pensou que tinha sido abandonada pela mãe. Nunca mais elas voltaram a se encontrar.

Sina de um Crioulo:  Francesa Sylvie Fondacci encontra a avó cabo-verdiana após dois anos de procura

Sylvie Fondacci, que mora em Paris, tem 48 anos e nasceu na Córsega, é neta de Candinha e filha de Maria Rosa. Ela sempre quis achar a sua avó, de quem nem conhecia as feições, e reconstituir a sua história; trazer à luz esta mulher que permaneceu na sombra; reabilitar esta mulher acusada erradamente de não ter cuidado de sua filha por causa do preconceito racial e da intolerância duma época em que acontecia, com demasiada frequência, que os homens brancos fizessem filhos às mulheres nativas antes de lhos arrancarem, criando assim uma dor que acabaria por ressoar nas gerações seguintes.

Foi assim que, em Janeiro de 2006, quando sua mãe estava seriamente doente, Sylvie partiu para Santo Antão em busca de informações a respeito de Candinha. Desta maneira, ela conheceu na Ribeira Grande, Ilha de Santo Antão, a prima de Candinha: Cândida Margarida Andrade. Contudo, mesmo se Cândida sabia que tinha uma prima em Dacar, desconhecia o seu paradeiro. De qualquer modo, Candinha não tinha voltado a Santo Antão.

Após o falecimento de Maria Rosa em Fevereiro de 2006, Sylvie decidiu ir até Dacar para continuar as investigações. Foi assim que na Ilha de Gorée, num dia do mês de Junho de 2006, ficou sabendo da existência de uma tia, Janine, segunda filha de Candinha. Ambas tinham morado durante muito tempo em Gorée antes de partirem para a França. Ninguém sabia onde se encontravam.

Seriam necessárias quatro viagens a Dacar entre 2006 e 2008, encontrar numerosas testemunhas e efectuar longas investigações nos arquivos para que Sylvie identifique finalmente a pista da sua família.

Assim, portanto, pela primeira vez, a 15 de Dezembro de 2008, ela localizou sua tia Janine DOAN VAN, sobrenome JANUEL, numa cidadezinha da Creuse (França) onde vive há vários anos. Quando Janine e Sylvie se encontraram pela primeira vez, era como se sempre tivessem conhecido. E a história de Candinha surgiu. Fotos permitiram que Sylvie conhecesse as feições de sua avó falecida em 1978 na Creuse, bem longe da Ilha de Santo Antão e da Ilha de Gorée …

"Tinha prometido à minha mãe que acharia a sua família. Tinha-lhe prometido, porque ela não tinha tido a coragem de enfrentar a sua história, teve acima de tudo medo de ser rejeitada. Missão cumprida!!! Quanto à minha avó, está enterrada num pequeno cemitério da Creuse onde pude prestar-lhe uma homenagem. Que descanse em paz…".

Sylvie deseja agradecer a Américo Silva, Presidente da Câmara de Paul (Ilha de Santo Antão) - António Rodrigues, amigo e motorista de carros de aluguer em Santo Antão - Tony Leite, deputado, domiciliado em Ponta Do Sol (Santo Antão) e seu sobrinho, David, adido cultural na Embaixada de Cabo Verde em França - António Lima, Presidente da Associação San Jon de Dakar e sua mulher Eugénie - Gabriel DIOUF (infelizmente falecido recentemente) - Madeleine NGOM, nascida DIOUF, sua irmã - Nene KANE, grande figura de Gorée - as mulheres da CNVAF (Convergência Nacional para a Valorização das Actividades de Mulheres) de Dakar, bem como sua "irmã" e caríssima amiga Aissatou NDIAYE - e também Xavier RICOU que vasculhou os arquivos de Goré e deu-lhe a peça do quebra-cabeça que lhe faltava - e ainda todos aqueles que a ouviram, animaram, acompanharam, o jornal "Lua Cheia" de Dakar que publicou um comunicado destinado à comunidade cabo-verdiana de Senegal… e, claro, o jornal "A Semana" pela sua amável contribuição.

Muito Obrigada !

Para qualquer contacto: sylvie.fondacci@gmail.com - Telefone : 00 33 (0)6 03 12 45 17

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