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Sindicatos cabo-verdianos criticam início de ano letivo "turbulento" e alertam para pendências 17 Setembro 2021

Dois sindicatos dos professores cabo-verdianos admitiram hoje que o novo ano letivo começou de forma "muito turbulenta", alertam para a situação das pendências de 2016 a esta parte e já pediram intervenção do Ministério da Educação.

Sindicatos cabo-verdianos criticam início de ano letivo

"O início do ano letivo está a ser muito turbulento", avaliou à Lusa o presidente do Sindicato Nacional dos Professores (Sindep), Jorge Cardoso, dando conta que o sindicato que dirige está a ter muito trabalho no decorrer desta semana.

O líder sindical explicou que as turbulências começaram nas transferências dos professores, "sem critérios claros e com cunhos políticos", o que considera estar a criar grandes transtornos.

Além disso, avançou que o ano letivo começou sem que os professores tivessem conhecimento dos horários, todos os manuais ainda não estão disponíveis e os que estão disponíveis foram colocados tardiamente, provocando aglomerações de pessoas em frente às livrarias.

Jorge Cardoso deu conta ainda de escolas que não estão preparadas, sobrecarga horária dos professores e turmas superlotadas, algumas chegando a 38 ou 40 alunos.

"Nesta fase da pandemia é inadmissível e inaceitável", criticou o presidente do maior sindicato dos professores de Cabo Verde, afirmando que os diretores de agrupamentos escolares estão a ter um "comportamento muito abusivo" para com a classe docente.

O líder do Sindep disse que todas estas questões já foram colocadas ao Ministério da Educação, avisando que, se não houver intervenção do ministro, ainda no decorrer deste trimestre os professores vão avançar para outras formas de luta, que deverão passar por greve ou manifestação.

"Tudo aquilo que os professores entenderem porque nós estamos a assistir à arbitrariedade, abuso de poder, que não pode ser, e não é aceitável numa classe profissional como é a classe docente", avisou.

Por sua vez, o presidente do Sindicato dos Professores da Ilha de Santiago (Siprofis) chamou atenção para as pendências de 2016 a esta parte, relativamente ao subsídio de carga horária, transição do secundário para o básico, promoção e colocação de novos professores.

"Já pedimos um encontro de trabalho com o Ministro da Educação para melhor inteirarmos das preocupações do sindicato e dos professores para podermos apresentar uma opinião mais condicente", avançou Abraão Borges.

Ainda relativamente à pandemia de covid-19, este sindicalista cabo-verdiano pediu ao Ministério da Educação para dar uma atenção ao pré-escolar, por entender que este subsistema de ensino foi o que teve mais prejuízos.

"A regulação do pré-escolar ou a aprovação do normativo para esse subsistema que é um contributo da RNCEPT-CV (Rede Nacional da Campanha de Educação Para Todos de Cabo Verde) iria impulsionar o seu desenvolvimento", entendeu Abraão Borges.

O novo ano letivo em Cabo Verde arrancou com cerca de 130 mil crianças, adolescentes e jovens. Destes, cerca de 16.500 em jardins de infância, 83.500 no ensino básico obrigatório (do 1.º ao 8.º ano de escolaridade) e cerca de 30.000 no ensino secundário (do 9.º ao 12.º ano).

No total, cerca de 6.000 professores foram colocados nas escolas e foram recrutados mais de 200 novos docentes, adiantou o ministro da Educação, Amadeu Cruz, acrescentando que 75% do pessoal docente já recebeu pelo menos a primeira dose de uma das vacinas contra a covid-19.

Em conferência de imprensa há uma semana, o ministro da Educação disse que o funcionamento do ano letivo estará ainda condicionado pelos impactos da covid-19, mas será iniciado o processo de regresso à normalidade.

"Será adotado um regime de aulas presenciais e a tempo integral, com carga horária completa, tendo como pressupostos a vacinação dos professores e demais funcionários das escolas, bem assim como dos alunos com idade igual ou superior a 18 anos", acrescentou, garantindo que será mantido o plano com medidas de combate à covid-19, adaptado pelas escolas há um ano. A Semana com Lusa

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