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Movimento Sindical de luto: Morreu Aníbal Borges, líder do STIF e da Plataforma Sindical 03 Maio 2021

Aníbal Borges, presidente do Sindicato das Instituições Financeira (STIF) e coordenador da Plataforma Sindical que reúne 12 sindicatos da família da UNTC-CS e mais o Sindicato Nacional dos Professores (SINDEP), faleceu, este domingo, no Hospital Agostinho Neto, onde se encontrava internado na unidade de cuidados intensivos por causa do Covid-19. Dirigente sindical destacado e quadro da seguradora Garantia, a morte de Borges surpreendeu muita gente, causando ondas de consternação entre familiares, sindicalistas, colegas do trabalho e amigos.

Movimento Sindical de luto: Morreu Aníbal Borges, líder do STIF e da Plataforma Sindical

O STIF, de que foi o seu destacado presidente e a Plataforma Sindical que também coordenou, aproveitam para informar que o seu funeral acontece às 11 horas, desta segunda-feira, a partir do Hospital Agostinho Neto, mas sob fortes restrições impostas pelas autoridades sanitárias no quadro da pandemia de Covid-19.

Natural de Santa Catarina de Santiago, Aníbal Borges faleceu, aos 62 anos de idade, na tarde deste domingo,02, no Hospital Agostinho Neto, onde se encontrava, desde o dia 27 de Abril, internado na unidade de cuidados intensivos, vítima de covid-19. Deixou a esposa e seis filhos.

Última mensagem do 1º de Maio e alerta sobre o INPS

Como sindicalista destino, talvez o destino quis que morresse neste domingo,02 – um dia depois do Dia Internacional dos Trabalhadores. Doente em casa, insistiu que a sua última mensagem dirigida aos trabalhadores do STIF saísse antes do 1º de Maio na Revista «A Voz do STIF», que foi posta a circular no dia 28 de Abril – 4 dias antes da sua morte. Nela, Aníbal Borges apelou aos trabalhadores para aproveitarem esta data para refletirem e darem um sinal de que esperam um ano de 2021 diferente e de respeito pelos direitos humanos e obviamente dos direitos dos trabalhadores, que infelizmente vêm sendo ameaçados e condicionados conforme as conveniências dos poderes económicos e políticos instalados.

«Comemoramos mais um dia internacional dos trabalhadores, o 1º de Maio, numa conjuntura extremamente difícil para os trabalhadores, a nível mundial, tendo em conta a pandemia do Covid-19 que se arrasta desde o ano de 2020 com tendência para agravamento com a nova vaga, que continua a ceifar vidas humanas. A nível nacional, os trabalhadores que já vinham sofrendo com a situação de congelamento dos salários há vários anos e a consequente redução do seu poder compra, veio a agravar-se com a pandemia do Covid-19, uma vez que esta veio reduzir os rendimentos das famílias que passaram a auferir um salário inferior, em consequência do lay-off para alguns e a perda do emprego para outros, mas também trouxe custos adicionais para os trabalhadores que passaram a suportar despesas que numa situação normal eram suportadas pelo empregador», referiu nesta sua célebre mensagem.

Ainda nesta edição da revista «A Voz do STIF», o agora falecido presidente do STIF analisou numa declaração à mesma publicação a problemática da sustentabilidade do INPS. Alertou que as despesas assumidas neste momento pelo Instituto Nacional da Previdência Social (INPS) no âmbito da Pandemia de Covid-19 já atingiram valores preocupantes, apesar dos responsáveis do instituto terem estado a fazer declarações de que a situação ainda não periga a sustentabilidade do sistema. «Sublinhamos que o INPS, para além dos 35% de salários que paga aos trabalhadores no regime de lay-off, perde mais 24,5% das contribuições dos trabalhadores e das empresas, perfazendo um total de 59,5% de perda de receitas», fundamenta Aníbal Borges 4 dias antes da sua morte.

O desaparecimento físico de Aníbal Borges representa uma grande perda para o Movimento Sindical Cabo-verdiano, com destaque para a Família da UNTC-CS, em particular para o Sindicato das Instituições Financeiras que é um dos mais organizados do país. Morreu sem concretizar um dos seus grandes sonhos junto dos demais dirigentes sindicais: unir e resgatar a UNTC-CS, através da Plataforma Sindical que era seu coordenador e vinha trabalhando afincadamente neste sentido. Deixou ainda um vazio por preencher a nível da Rede da CPLP da UNI Finance, que presidia até o momento da sua morte.

O homem e sua obra

Enfim, como dizem os colegas sindicalistas que mais convieram com ele – Manuel Varela (vice-presidente do STIF), Eliseu Tavares (presidente de SICAP), Jorge Cardoso (presidente do SINDEP), morreu um sindicalista convicto, um homem de trato fino e amigo de toda a gente em todas as horas. Mas, segundo eles, continua a sua obra.

Adeus, Aníbal! Que a terra te seja leve! O coletivo do A Semana, de que foi grande amigo, aproveita para endereçar as suas sentidas condolências à família, desejando-lhe consolação neste momento de muita dor.

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