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Sintsel acusa Siacsa Siscap e Siap de desmobilizar os vigilantes da greve 17 Junho 2021

O vice-presidente do Sintsel, António Silva, denunciou hoje aquilo que classificou de desmobilização dos vigilantes por parte de outros sindicatos com o objectivo de cobrir os efeitos da greve iniciada no dia 15 de Junho pelo Sintsel.

Sintsel acusa Siacsa Siscap e Siap de desmobilizar os vigilantes da greve

O objectivo da greve era, revela a Inforpress, provocar uma paralisação em sinal de protesto contra o não cumprimento do acordo colectivo de trabalho e a respectiva grelha salarial dos vigilantes em vigor deste o dia 01 de Maio deste ano.

Segundo António Silva, no primeiro dia de greve participaram só na cidade da Praia, cerca de 300 vigilantes, mas alguns tiveram que regressar ao trabalho devido a uma “forte campanha” das empresas e de alguns sindicatos que assinaram o acordo nomeadamente o Siacsa, o Siscap e o Siap.

Ademais acrescentou que muitos vigilantes novos nas empresas e com contratos precários não aderiram à greve devido a “ameaças de represálias” por parte dos dirigentes das empresas, tendo muitos trabalhado por 24 horas, deixando coberto praticamente todos os postos, ofuscando os efeitos da greve.

Uma situação que, na perspectiva de António Silva carecia da actuação da Inpecção-geral do Trabalho (IGT), que tinha a obrigação de fiscalizar quanto tempo um vigilante estava a permanecer nos postos de trabalho.

Contudo, o que mais estranhou ao Sintsel foi a atitude dos sindicatos, que, afirma, deviam está do lado dos trabalhadores.

“Eles mesmos têm feito um trabalho forte de terreno junto com as empresas para desmotivar os vigilantes de aderiram à greve, o que estranhamos porque são os mesmos sindicatos que assinaram o acordo”, disse, adiantando que o Sintsel só entrou no processo depois do acordo ter sido assinado.

Reações dos sindicatos visados

Por isso mesmo acusa esses três sindicatos de abandonar os trabalhadores e nada estar a fazer para garantir a implementação do acordo, fazendo pelo contrário um trabalho a favor das empresas.

“E no caso de Gilberto Lima ele tem estado todas as noites a andar pelos postos a distribuir papelinho com palavras para denigrir o nome do presidente do Sintsel numa tentativa de desviar a atenção dos vigilantes”, denunciou.

Conforme a mesma fonte, confrontado com esta denúncia, o presidente do Siacsa, Gilberto Lima, negou as acusações e disse à Inforpress que o Sintsel “não tem legitimidade” para sozinho convocar e decretar a greve nacional porque não participou do processo e não representa o grosso dos vigilantes.

“Este sindicato nasceu depois de todas as negociações e não podia decretar a greve dos trabalhadores afectos ao Siacsa e outros sindicatos”, disse, negando que tem feito o trabalho de desmobilização dos vigilantes.

“São os próprios vigilantes que fizeram o seu corredor para não participar na greve do Sintsel porque este sindicato não os representa”, adiantou, indiciando que em Cabo Verde não existe nenhum sindicato isoladamente com legitimidade para convocar uma greve geral.

“Tem de haver união”, sustentou, negando que os sindicatos que assinaram o acordo estejam parados sem acção para garantir a implementação dos instrumentos

Gilberto Lima garantiu que tem havido encontros de negociação, tendo esta semana sido realizado um encontro com Governo, estando para hoje marcado um encontro com a Associação Nacional das Empresas de Segurança Privada (ANESP) para organização de uma megamanifestação com convite extensivo a todos os sindicatos inclusive aqueles que não assinaram o acordo.

Da parte do Siap, o presidente João Pires nega também as acusações de António Silva, adiantando que ele, mais do que qualquer cidadão, tem interesse na melhoria das condições de trabalho dos vigilantes porque além de sindicalista tem dois filhos que trabalham nas empresas de segurança privada.

A Inforpress não conseguiu ainda a reacção do presidente do Siscap.

A acordo colectivo de trabalho (ACT) assinado entre os sindicatos, as empresas de segurança privada e o Governo foi rubricado em 2018 e a portaria de extensão que estava em falta foi publicada em Novembro de 2020.

A previsão dos sindicatos era que a nova grelha salarial, que aponta para um salário mínimo para os vigilantes de 17 mil escudos, estivesse a vigor desde Maio de 2021, mas tal não aconteceu, conclui a Inforpress,

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