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Síria: "1º, Assad tem de sair" dizem opositores indignados com regresso de embaixadas europeias a Damasco — Crianças filhos de djihadistas condenados 15 Julho 2021

A guerra da Síria que já fez onze milhões de vítimas continua a flagelar inocentes: desta vez são crianças filhos de djihadistas que veem o seu horizonte fechado numa prisão síria. Opositores a Assad manifestam junto de agências europeias contra o regresso das embaixadas.

A União Europeia devia exercer mais pressão sobre o regime sírio por forma a "obrigar à saída do ditador e sanguinário Assad", defende um grupo de opositores em entrevista à Euronews esta terça-feira.

O grupo contesta a reabertura recente das embaixadas de Chipre, Grécia e Hungria em Damasco. A embaixada da R. Checa nunca fechou, indica a Euronews.

A União Europeia voltou a repetir — após ter considerado "fraudulentas" as eleições de 26 de maio corrente — que "não haverá normalização das relações diplomáticas com o regime de Assad".

Mas a coligação de opositores a Assad — National Coalition for Syrian Revolutionary and Opposition Forces/Coligação Nacional de Forças da Oposição Revolucionária na Síria — entende que pela sua "inação, a UE está a abrir a porta à normalização do pior, como o uso de armas químicas".


Filhos do Estado Islâmico

Segundo a BBC reporta esta quarta-feira, há milhares de crianças estrangeiras — filhas de britânicos, franceses, e outras nacionalidades europeias — que estão detidas na Síria desde o desmantelamento do Estado Islâmico e sem qualquer esperança de serem libertadas.

A investigação da BBC encontrou crianças "filhos do EI" — porque o pai, a mãe juraram pelo grupo djihadista — que vivem entre acampamentos no deserto sírio, casas adotivas e prisões para adultos. Um ciclo de onde não veem como sair.

A situação destes europeus embaraça os países de origem que não têm mostrado capacidade para a resolver. Entre estes países europeus, está a Grã-Bretanha que ainda não conseguiu fazer regressar da Síria senão um pequeno grupo de órfãos.

Endoutrinados pelos terroristas

O alerta para um dos perigos da situação vem das autoridades curdas, responsáveis pela gestão dos campos onde estão recolhidos os "filhos do Estado Islâmico" . É que essas crianças estão a ser alvo de endoutrinação por "terroristas do EI", garantem os curdos cujo principal inimigo na região é a Turquia, aliada das forças internacionais aliadas para combater o Estado Islâmico até à sua saída em 2019.

Segundo os curdos do nordeste sírio dizem à BBC, os terroristas islâmicos estão a recrutar e a radicalizar crianças até de oito anos. Recorde-se que a guerra da Síria lavra desde 2011 e a intervenção europeia e dos Estados Unidos tem sido dúbia.

União Europeia e Reino Unido, Estados Unidos, Rússia, Turquia ora parecem cumprir o programa de funcionarem como forças internacionais aliadas para combater o Estado Islâmico, ora deixam sobrepor os interesses nacionais.

O mundo assistiu ao longo da era Trump aos incessantes cessar-fogo: assinados num dia eram rasgados a seguir, como aconteceu a 17 de outubro de 2019 com Trump e Erdogan em Washington a assinar um armistício (cessar-fogo) que no dia 19 foi rasgado quando tropas turcas invadirem a Síria, sob a alegação de que os turcos só se retiram com a rendição das forças curdas.

Detidos, refugiados de ambos os lados

Há dezoito meses, a retirada das tropas estacionadas na fronteira sírio-turca foi o sinal-verde para os turcos avançarem e obrigarem à fuga das populações curdas, os novos refugiados da região.

Os Curdos lutaram ao lado dos Aliados, durante a Segunda Guerra. Os factos históricos contrariam, pois, o que disse Trump — "Os curdos não nos ajudaram na Segunda Guerra" —, a justificar o motivo para os Estados Unidos abandonarem os aliados da véspera.

O problema dos refugiados na perspetiva das Nações Unidas é central. Um relatório em 2019 indicava: "65 por cento dos refugiados têm menos de doze anos. Mais de 20.000 têm menos de cinco, nasceram antes do EI invadir a Síria e o Iraque em 2014, ano da criação do Califado".

"Três mil crianças estão sozinhas e a tomar conta de irmãos mais novos. Algumas delas são órfãos porque o pai e a mãe morreram na guerra", relata a Cruz Vermelha.

Segundo as Nações Unidas, "o problema ainda mais grave é o analfabetismo entre as onze mil crianças do grupo 6-18 anos", pois há cinco anos deixou de funcionar qualquer tipo de escolarização.


Fontes: BBC/Le Monde/Washington Post/OSDH.org/... Relacionado: Guerra da Síria: Curdos traídos por Trump aliam-se a Assad, 20.out.019.

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