OPINIÃO

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Sobre a importância da estatística 17 Setembro 2018

Os cidadãos comuns pensam que a Estatística se resume a apresentar tabelas e gráficos em artigos de jornais e revistas ou, ainda, associam-na à previsão de resultados eleitorais. Porém, a Estatística moderna não é responsável só pela criação de tabelas e gráficos, mas trabalha também com metodologias científicas muito mais complexas.

Por: Adrião Simões Ferreira da Cunha*

Sobre a importância da estatística

Sobre o meu Artigo A Importância dos Sistemas Estatísticos Nacionais nos Estados de Direito Democrático publicado neste Jornal no passado dia 11, um leitor que se identificou com o nome Lopes enviou o seguinte comentário: Só não disse que é perigoso viver à base da Estatística. Veja o que diz Carmo e Ferreira (2005) sobre obsessão em métodos quantitativos para estudos.

Outro leitor do mesmo Artigo, que se identificou com VL, enviou o seguinte comentário: Bom Artigo, parabéns. Aguardo mais um, desta vez falando em estatística qualitativa.

Estes comentários levaram-me a publicar algumas palavras que me atrevo a presumir serem pertinentes para lhes responder, a menos que tenha interpretado mal o que o segundo leitor quis dizer com estatística qualitativa.

Presumindo que o primeiro leitor não perfilha o pensamento de que as Estatísticas são perigosas, acentuo a sua importância, tendo presente que além da sua contribuição para o conhecimento têm um valor instrumental, e que como qualquer instrumento têm de possuir qualidade para que a sua utilização permita alcançar os resultados pretendidos de forma correta.

Durante o século XX a Estatística revolucionou a ciência através de modelos que sofisticaram o processo de pesquisa na direção de melhores parâmetros de investigação, permitindo orientar a tomada de decisões.

A chegada dos computadores pessoais, cada vez mais poderosos, foi decisiva e fez com que a Estatística se tornasse mais acessível aos investigadores dos diferentes campos de atuação, e os hardwares e softwares permitem manipular grande quantidade de dados, dinamizando o emprego dos métodos estatísticos.

Hoje a utilização da Estatística está disseminada nas Universidades e nas empresas privadas e públicas. Dados estatísticos são usados para melhorar a produção. Censos da População auxiliam os Governos a entender melhor a população e organizar os gastos com saúde, educação, saneamento básico, infraestruturas, entre outros.
A importância atribuída à Estatística é tão grande que os países têm um organismo para produzir estatísticas oficiais, geralmente designado Instituto Nacional de Estatística (INE), que são os principais produtores de estatísticas oficiais atendendo às necessidades dos mais diversos segmentos da Sociedade, bem como dos órgãos da esfera governamental nacional, regional e municipal, oferecendo uma visão completa e atual dos países.

A Estatística é definida como um conjunto de métodos e técnicas que envolvem todas as etapas de um inquérito, desde o planeamento, coordenação, levantamento de dados por meio de amostragem ou censo, aplicação de questionários, entrevistas e medições com a máxima quantidade de informação possível para um dado custo, até ao processamento, organização, análise e interpretação de dados para explicar fenómenos socioeconómicos; inferência, cálculo do nível de confiança e do erro existente na resposta a uma variável.

A utilização da Estatística já remonta há 4.000 anos a.C., por povos guerreiros na conquista de territórios. Na própria Bíblia, no Novo Testamento, observa-se o interesse dos governantes pela contagem da população. Naquele tempo o imperador César Augusto emitiu uma ordem a todos os povos do Império Romano estipulando que todas as pessoas se deviam registar a fim de ser feita uma contagem da população, e quando foi realizado esse 1º Recenseamento todos se foram registar, cada um na sua cidade.

Confúcio relatou dados recolhidos na China há mais de 2.000 a.C., onde o imperador Yao ordenou que fosse feito o 1º Recenseamento com fins agrícolas e comerciais. Os faraós no Egito antigo utilizavam informações estatísticas sobre as profissões e fontes de rendimento das pessoas para arrecadação de impostos.

Entre os séculos XVI e XVIII os governantes começaram a procurar o poder económico como forma de obter poder político, tendo visto a necessidade de recolher informações estatísticas referentes a variáveis económicas e sociais, tais como: população, produção de bens e serviços, produção de alimentos, comércio externo, saúde, educação, entre outras.

Mas foi só no século XIX que a Estatística começou a ganhar importância nas diversas áreas do conhecimento. A partir do século XX, começou a ser aplicada nas grandes organizações, quando os Japoneses começaram a falar em qualidade total, surgindo a Estatística Moderna, e a partir daí evoluiu significativamente passando a ser utilizada nos diferentes setores da Sociedade como forma de obter informações a partir da recolha de dados com base em métodos de amostragem complexos.
Os avanços no campo da Tecnologia da Informação, envolvendo todas as atividades e soluções providas por recursos de computação (hardwares e softwares), a partir da metade do século XX e atualmente, tendo como consequências o aumento significativo da capacidade de produzir, armazenar e transmitir informações, associados ao crescimento acentuado da procura por informações num mundo globalizado, vêm exigindo da Estatística avanços paralelos no desenvolvimento de metodologias e novos indicadores cada vez mais complexos, que exigem hardwares modernos, softwares estatísticos e técnicos capacitados.

A utilidade da Estatística expressa-se no seu uso, uma vez que grande parte das hipóteses científicas, independentemente da área, precisa de um estudo estatístico para ser aceite ou rejeitada, como é o caso do teste de novos medicamentos, a opinião popular sobre novos produtos, entre outros. Na área médica, p. ex., nenhum medicamento pode ser disponibilizado no mercado se não tiver a sua eficácia estatisticamente comprovada. O grande volume de informações estatísticas produzidas no mundo moderno precisa de ser analisado adequadamente. Com rigor, onde houver incerteza a Estatística pode ser empregada.

Os cidadãos comuns pensam que a Estatística se resume a apresentar tabelas e gráficos em artigos de jornais e revistas ou, ainda, associam-na à previsão de resultados eleitorais. Porém, a Estatística moderna não é responsável só pela criação de tabelas e gráficos, mas trabalha também com metodologias científicas muito mais complexas.

Assim, entre essas tarefas a Estatística é responsável pelo planeamento de inquéritos, interpretação dos dados obtidos e apresentação de resultados de maneira a facilitar a tomada de decisões por parte do pesquisador/gestor.

Instituições governamentais, tanto a nível nacional como municipal, deparam-se com questões que necessitam de análise estatística para a tomada de decisão. Cito como exemplos:

Qual a quantidade de recursos necessários para financiar a safra de cereal a produzir no próximo ano? O acusado é culpado ou inocente? O fumador passivo pode desenvolver um cancro? Qual a localização exata dum certo tumor cerebral? Pode determinado medicamento reduzir o risco de ataque cardíaco? A cotação do dólar aumenta na próxima semana? Qual será o preço do ouro no final deste ano? O uso do cinto de segurança protege o motorista em caso de acidente? As variações na produção industrial têm influência no aumento ou redução dos preços? A introdução de uma nova tecnologia diminui o custo de fabrico de certo produto? Qual a forma mais justa de cobrar determinado imposto? Qual a melhor estratégia de investimento a ser feita nas Universidades públicas? Qual será o índice de custo de vida no próximo mês?

A resolução e, consequentemente, a tomada de decisão quanto às respostas das perguntas acima estarão sujeitas a erro, significando, com isto, que se deve tentar respondê-las de forma a minimizar o risco envolvido. A Estatística é a ciência que permite extrair dos dados a informação necessária para que seja possível tomar decisões acertadas com base num determinado nível de confiança e margem de erro.

A Estatística tem sido utilizada na investigação científica nas mais variadas áreas do conhecimento, visando a otimização de recursos económicos e de processos de produção, bem como para o aumento da qualidade e produtividade, na medicina, em previsões de safras e em muitos outros contextos.

Atualmente os dados estatísticos são obtidos, classificados e armazenados em meios magnéticos e disponibilizados em diversos sistemas de informações acessíveis a investigadores/gestores, cidadãos e organizações da Sociedade, que, por sua vez, podem utilizá-los para o desenvolvimento das suas atividades. A expansão no processo de obtenção, armazenamento e disseminação de informações estatísticas tem sido acompanhada pelo rápido desenvolvimento de novas técnicas e metodologias de análise de dados estatísticos.

Praticamente todas as informações divulgadas pelos meios de comunicação provêm de alguma forma de inquéritos e estudos estatísticos. O crescimento populacional, os índices de inflação, emprego e desemprego, os índices de desenvolvimento humano, são alguns exemplos de indicadores divulgados pelos meios de comunicação social e que utilizam os métodos estatísticos.

Na agronomia a Estatística tem sido utilizada de forma constante em diferentes aplicações visando a melhoria de produtos agrícolas para definir quais os modos mais eficientes de produzir alimentos.

Na investigação científica a Estatística é empregada na definição do tipo de inquérito, na obtenção dos dados de forma eficiente, em testes de hipóteses, estimação de parâmetros e interpretação dos resultados. Permite, assim, ao pesquisador, testar diferentes hipóteses a partir dos dados empíricos obtidos.

Na indústria os engenheiros utilizam técnicas estatísticas para acompanhar o controlo da qualidade dos produtos dentro de um determinado nível de aceitação. É experiência comum no mundo inteiro que, nas indústrias onde os métodos estatísticos são explorados, a produção aumentou em cerca de 10% a 100%, sem nenhum investimento adicional nem expansão industrial. Neste sentido, o conhecimento estatístico é considerado um recurso nacional.

Não surpreende que um livro recente sobre invenções modernas liste o controlo estatístico de qualidade como uma das grandes invenções tecnológicas do século XX. De facto, raramente houve uma invenção tecnológica como o controlo estatístico de qualidade, que é amplo em aplicações, mas simples em teoria, que é tão efetivo em resultados, mas tão fácil de adotar e que gera um retorno alto, mas requer um investimento pequeno.

Na indústria, o Controlo Estatístico de Processos é uma ferramenta que utiliza a Estatística com o objetivo de fornecer informações para um diagnóstico mais eficaz na prevenção e deteção de falhas/defeitos, identificando as suas causas em tempo real, o que, consequentemente, auxilia no aumento da produtividade/resultados da empresa, evitando desperdícios de matéria-prima, produtos, entre outros.
Edwards Deming é conhecido como o pai do renascimento industrial no Japão, e durante a IIª Guerra Mundial, com a sua formação na área de Estatística, especificamente em controlo estatístico de qualidade, foi chamado para ajudar os Estados Unidos na melhoria dos seus materiais bélicos. Após a IIª Guerra foi convidado pelo Japão para ajudar na reconstrução da indústria japonesa. A intenção era mudar a perceção de que o Japão somente produzia imitações baratas para uma nação que poderia produzir produtos inovadores e de qualidade. Segundo Deming, se os Japoneses seguissem as suas instruções, poderiam conseguir os seus objetivos em 5 anos. Poucos acreditaram, mas decidiram aceitar o desafio e, para a surpresa do próprio Deming, conseguiram sucesso em menos de 4 anos. Deming foi convidado a voltar ao Japão várias vezes, sendo reverenciado de tal forma que, pelos seus esforços, foi agraciado, pelo Imperador Hiroito, com a Ordem Segunda do Tesouro Sagrado. Os cientistas e engenheiros japoneses criaram o Prémio Deming, concedido a organizações que aplicavam os instrumentos de controlo estatístico de qualidade na melhoria contínua dos processos de produção.

No mercado financeiro e instituições bancárias os métodos estatísticos são empregados visando modelar o comportamento do crédito, do incumprimento, a movimentação de ações e previsões de taxas de juros, possibilitando estabelecer estratégias para a concessão de empréstimos que maximizem os lucros.
Em empresas de sondagens de mercado e opinião pública a Estatística é de fundamental importância na realização de estudos científicos sobre comportamento e perfil dos consumidores de determinada região, segundo género, classe social ou idade, com o fim de identificar necessidades e oportunidades de produtos e serviços gerados para um determinado segmento da população. Através de sondagens de opinião, avalia-se a aceitação de pacotes turísticos para viagens e entretenimentos, hábitos de consumo, imagem de instituições e pesquisas eleitorais, estimando a tendência de voto para fazer a previsão dos resultados de uma eleição.

Nas indústrias farmacêutica, química, siderúrgica, têxtil, alimentícia e de bens manufaturados, os métodos e técnicas estatísticas são utilizados desde a fase de definição dos produtos até à produção final, através de pesquisas de mercado, controlo de qualidade, custos e previsão de vendas.

Na medicina, os métodos estatísticos de planeamento de inquéritos são empregados em análises de drogas e em ensaios clínicos, permitindo testar hipóteses que possibilitem decidir sobre a eficácia dum novo medicamento no combate a determinada doença. As informações fornecidas pelos testes bioquímicos são analisadas por métodos estatísticos visando estabelecer diagnósticos e previsões de possíveis causas de doenças. A aplicação de técnicas estatísticas tornou o diagnóstico médico mais objetivo e preciso, o que permite identificar situações críticas e, consequentemente, atuar no seu controlo, desempenhando papel crucial no estudo da evolução e incidência de uma doença, como, por exemplo.

Nas companhias de seguros os métodos estatísticos são empregues para a avaliação de riscos a partir do cálculo de estatísticas securitárias, permitindo a criação de diferentes modalidades de seguro, mais sofisticadas, complexas e economicamente viáveis, de forma que a empresa tenha solidez no mercado.

Nas organizações não-governamentais a Estatística tem sido aplicada com o objetivo de auxiliar a geração e avaliação de indicadores, tanto para definir os seus focos de atuação quanto para o acompanhamento e avaliação da eficácia dos projetos sociais implementados nas diferentes esferas de Governo.

Em qualquer país, a Estatística é ferramenta fundamental para que se possam traçar planos sociais e económicos e projetar metas para o futuro. Técnicas estatísticas avançadas permitem estimar com um bom grau de precisão variáveis como tamanho da população, taxa de emprego e desemprego, índices de inflação, evasão escolar, procura por determinados bens e serviços, assim como formular planos para atingir as metas programadas de avanço no bem-estar social. Em face da imensa quantidade de dados e indicadores socioeconómicos e demográficos atualmente recolhidos e analisados pelos diferentes institutos de pesquisa (públicos ou privados), tornou-se inquestionável a importância da Estatística nos últimos dois séculos.
Estratégias para reduzir a pobreza e o desenvolvimento mundial apoiam-se na Estatística. A sua utilização engloba desde a elaboração até à implementação de políticas nacionais, tais como programas de Estratégias de Redução da Pobreza, cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, definidos a nível internacional, servindo para avaliar o desempenho destas políticas na Sociedade.
Estatísticas confiáveis descrevem a realidade quotidiana das pessoas; revelam, por exemplo, onde se encontram os pobres, por que são pobres e de que como vivem. Por sua vez estas informações fornecem as evidências necessárias à implementação e ao controlo de políticas de desenvolvimento efetivas. Indicam onde os recursos são mais necessários e fornecem meios para avaliar o progresso e medir o impacto de diferentes políticas.

Estatísticas de boa qualidade também melhoram a transparência e a responsabilidade da prestação de contas na elaboração de políticas, elementos essenciais para uma gestão pública eficiente e eficaz, pois permitem que os cidadãos avaliem as políticas governamentais e desafiem as autoridades a responder por elas.
É evidente que estatísticas confiáveis são indispensáveis para o sistema de informação de uma Sociedade democrática, servindo as diferentes esferas de Governo, as empresas privadas e a população em geral com dados sobre economia, demografia e condições sociais e ambientais do país. Isto significa que estatísticas confiáveis devem estar disponíveis para a Sociedade, processadas de maneira imparcial, livres de interferência política e acessíveis a toda a população sob condições de igualdade.

A importância da Estatística para o gestor público pode ser vista através da sua utilização ao nível do Estado, de organizações sociais e profissionais, do cidadão comum e ao nível académico. Não restam dúvidas de que uma base de informações qualificada é fundamental para a adequada gestão das políticas públicas.

O crescente uso da Estatística vem ao encontro da necessidade de realizar análises e avaliações objetivas, fundamentadas em conhecimentos científicos. Os gestores públicos estão cada vez mais dependentes de dados estatísticos para obter informações essenciais que auxiliem as suas análises sobre a conjuntura económica e social.

As informações estatísticas devem ser concisas, específicas e eficazes, fornecendo subsídios imprescindíveis para a tomada de decisão. Neste sentido a Estatística fornece ferramentas importantes para que os Governos possam definir melhor as suas metas, avaliar o seu desempenho, identificar os seus pontos fortes e fracos e atuar na melhoria contínua das Políticas Públicas.

Como referi a Estatística está presente na vida do homem desde a antiguidade, e assim teve e continuará tendo um grande papel na transformação dos métodos de investigação nas diferentes áreas do conhecimento, aumentando o nível de confiança das informações divulgadas pelos inquéritos e favorecendo a tomada de decisões acertadas, em face das incertezas, na implementação e avaliação de políticas socioeconómicas.

Não obstante o que fica dito devo dizer, em abono da verdade, que nem todos os que falam sobre as Estatísticas Oficiais sabem o que estão a dizer, o que pode até nem ser relevante em determinados contextos, mas assume uma dimensão muito grave quando é dito, em público, de forma irresponsável, particularmente por alguns políticos.

Os dados estatísticos oficiais de qualidade estão para a mentira da mesma forma que o azeite está para a água. Vêm sempre ao de cima, não havendo maneira de os desmentir. Aliás, a sabedoria popular costuma referir-se à "frieza dos números", não que eles sejam frios, de facto, mas porque eles fazem arrefecer muitas vezes determinados ímpetos de natureza política, sendo fundamental garantir e reforçar a independência dos Institutos Nacionais de Estatística, que são os principais centros de racionalidade do desenvolvimento dos países.

Será que o primeiro leitor já pensou como seria o processo do desenvolvimento de Cabo Verde sem as Estatísticas oficiais produzidas pelo Sistema Estatístico Nacional. A pergunta pode parecer pouco pertinente. Afinal, todos conseguimos imaginar as consequências terríveis de viver sem Democracia, sem sistemas de protecção social ou sem eletricidade. Mas sem estatísticas? A sua importância pode não ser assimilada de forma tão imediata. Mas, na realidade, perdê-las seria como voltar a uma espécie de analfabetismo massificado. O País viveria completamente perdido, pois são cada vez mais precisas Estatística Oficiais, porque dão aos Caboverdianos a informação que precisam sobre o que são, como são, o que fazem, e os reflexos dos seus comportamentos.

Sem Estatísticas Oficiais Cabo Verde viveria à deriva, com base exclusivamente em meras opiniões. Não seria bom para uma Sociedade que se quer cada vez mais desenvolvida e que se quer que avance. E para saber se Cabo Verde está a avançar, as Estatísticas Oficiais são essenciais.

É uma visão dramática, mas para a entendermos melhor é importante perceber como é que as Estatísticas Oficiais afetam a vida dos Caboverdianos. Pode começar no topo da pirâmide, nas decisões do Governo, mas desce todos os degraus até ao seu dia-a-dia. Ou seja, elas ajudam desde saber quantos desempregados existem ou se o investimento público caiu muito até conhecer as cidades com as casas mais baratas ou quanto é que estão a ajudar o ambiente ao substituir banhos de imersão por chuveiro.

Quem toma decisões tem de saber sobre que realidade as vai tomar. Se não tiver dados estatísticos oficiais fiáveis, vão sair más decisões. E sobre quem vão recair essas más decisões? Sobre os cidadãos, sendo necessário o Reforço da literacia estatística, sendo importante que as escolas se compenetrem que as Estatísticas Oficiais devem entrar no seu mundo e que o Ministério da Educação cumpra o seu papel nesse ponto, sendo necessário despertar nas crianças o interesse por conhecer os números, saberem desmontá-los e depois formular opiniões.

O passo seguinte é saber se o Sistema Estatístico Nacional responsável por produzir e divulgar Estatísticas Oficiais têm os meios adequados para responder a estes novos desafios.

Afinal, um marinheiro talvez também dê mais importância à sua bússola depois de a perder.
Lisboa, 14 de Setembro de 2018
— -
*Estaticista Oficial Aposentado, Antigo Vice-Presidente do Instituto Nacional de Estatística de Portugal

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