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"Sócrates mentiu e tornou a mentir...ao país e aos mais próximos", escreve ex-namorada Fernanda Câncio, jornalista no DN 07 Maio 2018

Em artigos de opinião publicados no ’Diário de Notícias’, a ex-namorada de José Sócrates, ex-primeiro-ministro arguido por corrupção, defende-se: "Se fizesse ideia da relação pecuniária entre Santos Silva e Sócrates, teria feito perguntas por considerar a situação, no mínimo, eticamente reprovável". Ela lamenta que o legado do ex-governante tenha sido "conspurcado pela desonra".

Em A Tragédia de Sócrates, publicado esta segunda-feira, 7, a grande repórter do bicentenário ’Diário de Notícias’, Fernanda Câncio, que tem vindo a ser referenciada como "uma das mulheres sustentadas" pelo ex-primeiro-ministro, arguido no processo Marquês, defende-se.

A defesa de Fernanda Câncio assenta no facto de que ela foi vítima, "como muitos outros", da "teia de mentiras" urdidas pelo visado. Ele enganou todos "em público e em privado" e revelou total "ausência de respeito pela verdade, pelas pessoas e por isso a que se dá o nome de bem comum".

A mentira em que viveu José Sócrates gira à volta, escreve ela, de um pretenso património familiar que lhe permitia não só viver luxuosamente como até prescindir de receber vencimentos legais. Entres estes, quer a sua prestação como comentador na RTP, de 2013 a 2014, quer a subvenção vitalícia a que tinha direito por ser deputado eleito desde 1987 até à saída do governo, em 2012.

"Mentiu ao país, ao seu partido, aos correligionários, aos camaradas, aos amigos. E mentiu tanto e tão bem que conseguiu que muita gente séria não só acreditasse nele como o defendesse, em privado e em público, como alguém que consideravam perseguido e alvo de campanhas de notícias falsas, boatos e assassinato de caráter (que, de resto, para ajudar a mentira a ser segura e atingir profundidade, existiram mesmo). Ao fazê-lo, não podia ignorar que estava não só a abusar da boa-fé dessas pessoas como a expô-las ao perigo de, se um dia se descobrisse a verdade, serem consideradas suas cúmplices e alvo do odioso expectável. Não podia ignorar que o partido que liderara, os governos a que presidira, até as políticas e ideias pelas quais pugnara, seriam conspurcados, como por lama tóxica, pela desonra face a tal revelação".

https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/fernanda-cancio/interior/a-tragedia-de-socrates-9314793.html

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