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Sophie/"Mariam" francesa de 76 anos 3ª vez raptada no Mali — "Há um ano foi trocada com mais 18 por 200 djihadistas" 03 Novembro 2021

O preço da sua libertação em outubro de 2020 gerou reações como esta: "Cem terroristas soltos! Quantos vão matar por esse mundo fora?!". E de novo neste 29 de outubro corre no Mali um aviso sobre o desaparecimento da francesa Sophie Pétronin, com instruções para se "proceder a uma busca ativa" e para que "logo que for encontrada seja levada sob escolta policial para ser entregue sã e salva", decerto para ser deportada por entrada ilegal no Mali. Em França, é o embaraço total.

Sophie/

A imprensa francesa refere que aguarda uma reação oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre este caso de desaparecimento numa região que está de vermelho, interditada, por razões ligadas à ameaça djihadista na região saheliana de que o Mali faz parte.

"Alerta-se que existe elevado risco de atentado e de sequestro nas zonas assinaladas a vermelho", lê-se no site do MNE. "Todo e qualquer projeto de viagem nessas zonas é de excluir formalmente". Recorde-se que neste momento estão perto de um milhar de reféns, em posse de grupos terroristas que esperam obter um lucrativo resgate (Mali: Freira refém de djihadistas desde 2017 é libertada — 935 à espera ..., 12.out.021).

Em troca da controversa libertação de (cem ou duzentos) djihadistas detidos em cadeias do Mali, a "trabalhadora humanitária" francesa Sophie Pétronin, refém durante quatro anos, do grupo de Amadou Koufa, ramo djihadista filiado na Al-Qaida, foi em 8 de outubro de 2020 libertada com mais 18.

Nesse lote de reféns libertados estava o político maliano Soumaila Cissé, ministro das Finanças entre 1993 e 2002 durante os governos ADEMA-PAS. O opositor raptado em março e libertado em outubro, veio a falecer pouco depois, no dia de Natal vítima de Covid-19, em França.

Raptada em 2016, a francesa "médica em missão humanitária não oficial" no Mali, era-o pela segunda vez. A primeira foi em 2012, quando as tropas ligadas ao Al-Qaida tomaram as cidades do norte — Tombouctou, Kidal e Gao. Sophie, no Mali desde 2000, foi libertada com a ajuda de rebeldes tuaregues que a passaram para a Argélia de onde partiu para França.

Durante quatro anos, o filho Sébastien (ambos na foto) lutou pela sua libertação. A sua presença tornou-se constante na imprensa em França, a pedir apoios para evitar que o sequestro da septuagenária caísse no esquecimento.

O preço da libertação da "médica em missão humanitária não oficial" gerou reações díspares: "Cem terroristas soltos! Quantos vão matar por esse mundo fora?!". Entretanto esta terça-feira a imprensa francesa refere que um total de 200 prisioneiros djihadistas foram a moeda de troca.

A incógnita continua sobre como vai evoluir a situação na República do Mali, marcada por instabilidade política — com presidentes a serem derrubados por golpes de Estado, o último em setembro e que levou à retirada do presidente Ibrahim Boubacar Keita para "evitar derramar sangue"—, enquanto está ativo o terrorismo por grupos filiados na Al-Qaida e no Estado Islâmico.

Conversão de Sophie em Mariam

A França continua a interrogar-se sobre a estranheza do caso da cativa por quatro anos que revelou ter-se convertido — "Sou muçulmana. Já não sou Sophie, sou Mariam" — e fez a declaração surpreendente de que os seus carrascos "não são djihadistas, estão a lutar pela sua terra".

Além disso, a insistência dela em voltar ao Mali para continuar o seu trabalho humanitário: "Comprometi-me a fazer esse trabalho e devo ir até ao fim, senão a minha vida não vale nada".

A imprensa francesa há um ano reportava que o presidente Macron — que esteve no aeroporto a receber os reféns Cissé, dois italianos e a francesa — evitou comentar as falas de Sophie /Mariam.

Fontes: AFP/ Le Monde/Le Figaro/BBC/Reuters. Fotos (AFP): A idosa libertada em outubro de 2020 é recebida pelo filho que a foi buscar ao Mali. Ele teve de lhe lembrar "Tu não podes ir. Tens de compreender isso", perante a insistência dela em voltar ao Mali para continuar o seu trabalho humanitário.

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