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Sri Lanka: Presidente demite-se após multidão invadir palácio e incendiar casa do PM 10 Julho 2022

Sem divisas para importar combustível, medicamentos e fertilizantes, o país está a passar pela pior crise económica desde 1950 e há três meses que pede a saída do presidente Gotabaya Rajapaksa. Este sábado, mais uma manifestação pacífica foi reprimida com violência e a multidão em fúria invadiu o palácio presidencial e incendiou a casa do primeiro-ministro. O presidente do parlamento pediu calma e garantiu que o presidente (que fugiu para escapar à fúria popular) aceitou demitir-se e fará "a transição pacífica" na quarta-feira 13.

Sri Lanka: Presidente demite-se após multidão invadir palácio e incendiar casa do PM

A demissão anunciada no sábado do presidente e também do primeiro-ministro — no cargo desde maio, após a queda de Mahinda Rajapaksa — chegou pela voz do presidente do parlamento ceilândes, ao fim do dia marcado pelos protestos e atos de ocupação e destruição.

A multidão a aproximar-se de quatrocentos milhares chegou de manhã a Colombo, vindos de todo o país e decididos a depor o presidente. Quando entraram, o presidente tinha já partido. Vídeos a circular mostram a ocupação dos espaços e destaca-se a piscina que está a ser utilizada neste dia escaldante.

Segundo as Nações Unidas, "nove em cada dez ceilandeses estão a passar fome", mesmo se o país de 22 milhões de habitantes e dois milhões de agricultores depende em 70 por cento da atividade agrícola. Perante a crise instalada e agravada pela pandemia de Covid, há três meses que o governo concede um dia para os funcionários irem cultivar a sua horta.

A Índia (Narendra Modi na foto) perante a crise instalada no país insular vizinho procurou "mitigar o sofrimento" dos ceilandeses através do fornecimento de derivados do petróleo.

Segundo os especialistas, os fatores da crise são tanto a má gestão da dívida (que atinge mil milhões USD e deixou o país sem acesso a financiamento) e a corrupção no governo liderado pelos irmãos Rajapaksa quanto a queda no turismo após os atentados da Páscoa de 2019.

Sangrenta Páscoa de 2019: c.mil vítimas, c.300 mortais, governo proíbe véu islâmico, líder do ISIS reaparece 5 anos depois e elogia massacre

Fatima Ibrahim usava véu islâmico e no dia da Páscoa de 2019 fez-se explodir e aos três filhos além dos três polícias que a foram buscar à casa depois de identificarem o marido, Ilham, o bombista-suicida do Hotel Shangri-La, um dos oito locais do atentado do Domingo da Páscoa que fez mais de 750 vítimas, 250 das quais morreram.

Bakr al-Baghdadi reapareceu na segunda-feira, pós-Páscoa de 2019, quase cinco anos depois da última vez que foi visto, o que fez acreditar que ele estaria morto. Tanto mais que a Rússia garantira tê-lo “eliminado durante um raide aéreo” em 2017.

O líder do Estado Islâmico diz no vídeo: “Irmãos no Sri-Lanka curaram as feridas no coração dos membros do monoteista Estado Islâmico. Com as bombas suicidas, aniquilaram os cruzados cristãos na Páscoa, vingaram as mortes dos nossos irmãos em Baghouz”. “Esta é só uma parte da vingança sobre os cruzados (cristãos)”, rematou al-Baghdadi. O “último bastião do Estado Islâmico na região oriental da Síria”, Baghouz, foi, alegadamente, tomado em março de 2019 por forças curdas apoiadas pelos Estados Unidos enquanto a Alemanha mostrou algum ceticismo quanto à referência, por Trump, de que tinha sido “100% erradicado o Estado Islâmico na Síria”.

Governo proíbe véu.A medida governamental visa facilitar a atuação das forças de segurança, garante uma fonte oficial. A medida porém foi relacionada com o homicídio seguido de suicídio perpetrado por Fatima Ibrahim, esposa de Ilham Ibrahim, o bombista-suicida do Hotel Shangri-La que fez dezenas de vítimas, na sua maioria estrangeiros.

Segundo depoimentos prestados por familiares — não próximos, que estarão detidos, mas outros distantes que falaram aos media estrangeiros sob anonimato porque temem vir a ser incomodados pelas autoridades —, o casal jovem (ela teria pouco mais de vinte anos) Fatima e Ilham eram extremamente devotos e ela usava o véu islâmico.

No domingo da Páscoa, horas depois de Ilham Ibrahim ter acionado a bomba suicida, a polícia foi buscá-la à casa apalaçada da família chefiada pelo magnata das especiarias, das famílias mais ricas do Sri-Lanka. Mohammed Ibrahim, segundo a investigação, desconheceria de todo o que os filhos preparavam.

Fatima Ibrahim ao ver chegar a polícia — que começou por prender o sogro — correu e foi vestir o colete de explosivos, que em segundos acionou. Morreram os três filhos do casal (com idades entre os 9 meses e 4 anos), três polícias e ela.

"Porquê? Talvez nunca se saiba", disse o vice-presidente do Conselho Islâmico do Sri Lanka.

Fontes: Times of India/Colombo News/Hindustani Times/BBC. Fotos (AP): Multidão em fúria.

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