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Suécia: "Já não damos hormonas aos menores", dizem médicos alarmados com "+1.500% de transgéneros" 16 Junho 2021

A dúvida metódica começa a limitar a ação de médicos confrontados com a taxa de crescimento de diagnóstico de "disforia de género" que atingiu os 1.500% na Suécia, o primeiro país no mundo que reconheceu "o direito dos transgéneros" e as consequências na prestação de cuidados médicos. O principal centro hospital universitário sueco está a rever o protocolo e a principal medida foi cessar o tratamento hormonal aos menores.

Suécia:

O ano passado a sociedade sueca deparou-se com as conclusões do estudo do Ministério da Saúde a confirmar que, entre 2008 e 2018, o total de diagnósticos de "disforia de género" a meninas entre 13 e 17 anos aumentou 1.500%.

O fenómeno, dizem peritos a juntar-se à voz populi, liga-se à mudança na lei que permitiu a crianças de 12 anos ter acesso sem consentimento dos pais a uma mudança de género.

Segundo o sentimento geral na sociedade sueca, como demonstrou um programa de televisão que em várias sessões tratou o tema em 2020 — ver mais no entretítulo abaixo —, o governo social-democrata cedera à pressão da organização RFSL, que luta pelos direitos LGBT.

Experiência arriscada

Em março do ano passado, foi a comunidade médica sueca que começou a fazer questionamentos públicos sobre o tratamento hormonal e a cirurgia em crianças.

Entre eles, o psiquiatra Christopher Gillberg, da faculdade médica Gothenburg Sahlgrenska Academy, advertia contra "a experiência tremenda, arriscada" e que "pode vir a tornar-se num dos piores escândalos médicos deste país". O seu artigo no diário nacional, Svenska Dagbladet teve ampla difusão e ultrapassou a dimensão nacional.

No mês seguinte um documentário sobre um ex-trans, Sametti, que lamentava o tratamento irreversível, teve amplo debate também entre a classe médica.

Seis meses depois, em outubro transato, a equipa de peritos no Hospital Universitário Stockholm Karolinska foi o alvo. Os especialistas em tratamento de menores com ’disforia de género’ eram criticados por realizarem mastectomias duplas em crianças de 14 anos, por apressarem os tratamentos sem considerar de forma adequada outras possibilidades, quer a nível da psiquiatria quer da biologia do desenvolvimento que pudessem explicar a situação em que os adolescentes têm uma auto-imagem negativa.

A equipa de peritos no Hospital Universitário Stockholm Karolinska refutou tudo, assegurando que tinham sido “consideradas todas as possibilidades”.

Entretanto, o periódico Filter noticiou sobre Jennifer Ring, uma trans de 32 anos que se enforcou quatro anos depois da cirurgia. Segundo um psiquiatra, a quem o pai enlutado, professor catedrático de nerofisiologia, mostrou o boletim médico da filha, Jennifer tinha — desde a primeira consulta — mostrado sinais claros de psicose e não de ’disforia de género’.

Além disso, a primeira clínica visitada recusara tratara Jennifer segundo o que ela pedia, pois a equipa médica apontou que os sinais eram de psicose e nenhum sugeria ’disforia de género’.

’Johanna teve a coragem de dizer a verdade’

A edição desta segunda-feira do Le Monde relata, pela voz de uma mãe, a saga duma adolescente sueca. Asa fotografou todos os meses a filha durante cinco anos e é com essas fotos que ilustra a sua história.

A foto dos catorze anos. "Esta é a época em que a Johanna começou a cortar o cabelo, quase a rasar o crânio, a enfaixar o peito para os seios não despontarem".

O sorriso vai desaparecendo foto após foto. Johanna surge cada vez mais magra.

"Adoeceu, ficou anoréxica e teve de ser hospitalizada. Ainda no hospital, apercebi-me de que ela era seguidora de contas transgéneros nas redes sociais. Então, ela revelou-me que sofria da ’disforia de género’, que detestava o seu próprio corpo… E que tinha decidido ser Kasper, um rapaz".

Foto após foto, a adolescente parece ter um semblante e modos mais masculinos — para o que também contribuiu a tinta para escurecer o cabelo.

A foto dos dezanove anos marca outra mudança, com um brilho diferente no olhar: "É o fim duma viagem. A minha filha mudou de género, de identidade... Mas depois teve a imensa coragem de confessar que se enganara. Estou muito orgulhosa dela".

Pensamento confuso?

Há quase meio século, imediatamente a seguir à inovadora posição da academia científica sueca, a prestigiada faculdade de Medicina Johns Hopkins dos Estados Unidos começou também a proporcionar cuidados médicos a pessoas com "disforia de género". Tratamentos hormonais, cirurgias de mudança de sexo...

Mas nestes últimos anos, a faculdade baniu as operações de mudança de sexo, alarmada com com estatísticas perturbadoras sobre a morte entre pessoas trans. Os suicídios de jovens atingiram níveis "estratosféricos" — alegadamente vinte vezes mais do que nos adultos que também passaram pelo mesmo processo.

Academia das Ciências no centro da investigação

Os manuais médicos descrevem a "disforia de género" como a dissociação que o indivíduo afetado faz entre o seu verdadeiro género e o género que a sociedade lhe atribuiu. Essa patologia psíquica é vivida de forma constante, a maior parte dos afetados refere que desde tenra idade. O desconforto é constante porque o corpo com que se vê é diferente daquele que a sua "mente e coração" lhe dizem ser o verdadeiro.

O conceito começou por ser elaborado por médicos suecos ainda nos anos de 1940, no âmbito da interdisciplinaridade e com consequências sociais importantes que forjaram a política progressista do país nórdico (o primeiro a legislar pela descriminalização da homossexualidade em 1944, pelo reconhecimento em 1972 dos transgéneros...)


Escandinávia desafia

O Genid-Escandinávia Desafia a Identidade de Género é uma organização que reúne um grupo de suecos, noruegueses e dinamarqueses que têm em comum o facto de terem um filho ‘trans’.

Fontes: Le Figaro/OMS/Guardian/outras referidas. Foto (Getty): Disforia de género.

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