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Suécia: Somali Leila Ali Elmi é 1ª deputada muçulmana velada e primeiro suburbano absoluto no Riksdag 02 Outubro 2018

A 24 de setembro, Leila Ali Elmi, de 30 anos, ao tomar posse do seu lugar no Riksdag (Assembleia Nacional), em Estocolmo, fez história como a primeira deputada muçulmana e o primeiro originário da periferia a eleger-se nesse país escandinavo. As eleições legislativas aconteceram a 9 de setembro mas só no dia 14 se soube o resultado definitivo da votação uninominal que elegeu Leila, que usa o véu tradicional islâmico indicativo da sua pertença religiosa.

Suécia: Somali Leila Ali Elmi é 1ª deputada muçulmana velada e primeiro suburbano absoluto no Riksdag

O primeiro lugar que eliminou os demais concorrentes do partido ecologista de Gotemburgo surpreendeu todos. Era mais que incerta a vitória de Leila, mas ela convenceu afinal muito mais que a comunidade muçulmana e os votantes somalis — que constituem apenas uns 6% da população de Gotemburgo (quase meio milhão de habitantes).

Leila era só a número 21 do Partido Os Verdes, na lista do seu bairro de Gotemburgo, o bairro Angered, habitado maioritariamente por muçulmanos. Era a vontade de “inspirar os jovens”, mostrar que é “possível fazer campanha nos bairros periféricos”, onde “muitos já desanimaram de poder influenciar a sociedade”, como ela escreveu.

No dia em que soube que tinha sido eleita “como um dos dois deputados de Gotemburgo”, expressou, via Facebook, a sua “incrível alegria”. Disse estar “ansiosa por representar todos os que me deram a sua confiança para levar a sua voz ao parlamento”. “Dá-me força ser a primeira eleita feminina de origem somali e dos subúrbios”.


Por uma “escola mais igual” e uma “Suécia mais sustentável”

Os dois temas prioritários da sua campanha foram a Educação e a Ecologia. “Vi como a alienação e a segregação criaram uma Gotemburgo desigual. Anseio por uma escola melhor para todas as crianças independentemente das condições, que vê e constrói a auto-estima e a confiança das crianças. Anseio pela igualdade, pelo valor igual de todos e por uma Suécia mais sustentável em todos os planos”.

A sua campanha inspirou-se na sua própria experiência de 28 anos na Suécia. Chegou ao país aos dois anos com a mãe. Aos doze anos, os serviços sociais internaram-na num lar de acolhimento e só pela sua resistência conseguiu voltar a casa ao fim de dois anos.

A eleição de Leila Ali Elmi só veio aumentar a polémica sobre o voto comunitário,
que deu aos imigrantes o direito de votar nas eleições legislativas. Liberais e extrema-direita tomaram a ecologista Leila como alvo e apontando-lhe uma alegada dependência do seu eleitorado questionam-na: “Vai tratar sobretudo dos casos que beneficiam os somalis, muçulmanos?”

Rei Gustavo: Cada deputado representa o povo sueco e os imigrantes

Na cerimónia tradicional de empossamento do governo e dos eleitos nacionais, o Rei Gustavo terá dado a resposta aos detractores que veem em Elmi uma representante de um grupo minoritário.

“Cada deputado representa o povo sueco, que inclui os imigrantes”, disse o monarca contrariando as ’capelinhas’. O seu discurso ressoou na Storkyrkan (foto), a catedral do século XII, marco histórico e sede da Igreja da Suécia, protestante desde o século XVI.

Simbólico da mudança social que a Suécia incorpora sem abalar os seus alicerces, é que a maioria da população (os censos oscilam entre 51 e 85%) diz não ter religião e só dois por cento se dizem cristãos praticantes enquanto os eleitos da nação são consagrados na catedral de Estocolmo, nascida católica.

Fontes: Le Monde/Reuters/ Relacionado: https://www.asemana.publ.cv Suécia: Parlamento demite primeiro-ministro , 28.9.2018

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