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Suíça silencia execução djihadista de missionária no Mali 12 Fevereiro 2021

O ministro suíço dos Negócios Estrangeiros confirmou, esta quinta-feira, 11, a morte da missionária Béatrice Stockly desaparecida em Tombuctu em janeiro de 2016. A morte por execução da refém de djihadistas terá ocorrido em setembro ou outubro último e o vídeo respetivo foi enviado em novembro ao MNE helvético.

Suíça silencia execução djihadista de missionária no Mali

O ministro suíço dos Negócios Estrangeiros manifestou a sua "profunda consternação com o crime", "condenou veemente a sua "crueldade" e por Twitter apresentou "as mais sinceras condolências aos familiares" da missionária protestante.

Porém, a imprensa francófona revelou hoje que o governo suíço recebeu, em novembro, provas da execução da missionária protestante através dum vídeo do GSIM-Grupo de Apoio ao Islão e Muçulmanos. Por isso, a questão é saber o porquê desta demora em reconhecer o facto.

Um dos motivos pode estar ligado à fraca presença de Berna no Mali. Segundo esta tese, o caso da refém suíça passou em grande silêncio durante mais de quatro anos, comparativamente ao dos reféns franceses que acabaram por ser libertados em outubro último, como noticiado então neste online, que o voltou o referir dois meses depois (Ex-reféns no Mali libertados em troca com djihadistas: Cissé morreu de Covid, francesa diz: "Já não sou Sophie mas Mariam" —Síndrome de Estocolmo?, 30.dez.020).

Execução em vez de lucrativo resgate. Também misterioso é o facto de os raptores terem executado a sequestrada ao fim de mais de quatro anos, com todas as despesas inerentes que deveriam ser ressarcidas com a entrega de um generoso resgate.

A prática de sequestro para pedir resgate é tida como vantajosa para os djihadistas, já que os países, mesmo os mais fortes como a França, evitam, em nome da segurança dos seus nacionais prisioneiros, usar forças especiais para os libertar.

Um antigo ministro suíço reconheceu que a Confederação Helvética, nome oficial do país), tem estado a pagar pela libertação dos reféns.

Em vídeo, GSIM culpa França

O vídeo produzido pelos djihadistas refere que "a França é responsável pela morte da missionária suíça", após "uma tentativa sem sucesso para a libertar".

A tentativa foi empreendida por operacionais da Missão Barkhane que há uns dez anos combatem os terroristas islâmicos da região saheliana. Barkhane em impasse

As forças francesas da missão Barkhane estão desde 2013 no Mali e hoje, dizem analistas ouvidos pelos media de referência, são considerados os culpados por tudo quanto corre mal no país saheliano.

Teme-se mesmo que a retirada da missão venha a ser decidida por pressão do povo maliano. Ou seja, já não serão as questões de estratégia e segurança da região o fator decisivo da presença francesa na região francófona.

Fontes: Le Monde/L’Express

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