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Tadjiquistão: Motim de presos causa morte de 32 em ‘viveiro do Estado Islâmico’ na ex-URSS 22 Maio 2019

A mortandade na prisão de Vakhdat, Tadjiquistão, país centro-asiático, aconteceu, no domingo à noite, durante a tentativa de evasão por membros do Estado Islâmico aí detidos. Começaram por “apunhalar três guardas e cinco prisioneiros, para intimidar os outros. De seguida, tomaram outros prisioneiros como reféns, em número ainda desconhecido e encaminharam-se para a enfermaria que incendiaram", segundo a AFP citando fontes oficiais na segunda-feira, 20.

Tadjiquistão: Motim de presos causa morte  de 32 em ‘viveiro do Estado Islâmico’ na  ex-URSS

A “operação de represália”, nos termos do ministro da Justiça tadjique, pôs termo ao motim, iniciado às 21H30 locais (menos 5 em Cabo Verde) na cadeia a 17 km da capital, Dushanbe/Душанбе, e saldou-se pela morte de 24 membros da organização EI e a prisão de outros 35. As oito vítimas mortais foram, como acima referido, três guardas prisionais e cinco outros detidos, apunhalados até à morte.

O mentor da tentativa de evasão foi identificado como Bekhrouz Goulmourod, de 20 anos, filho de Khalimov Goulmourod, um antigo comandante das forças especiais do governo tadjique e que ao juntar-se ao EI foi promovido a ministro da guerra. Como tal é o número-dois da organização secundando o líder, Abou Bakr Al Baghdadi (ressurgido após o atentado da Páscoa no Sri-Lanka, anos depois de anunciada a sua morte).

Khalimov esteve, como confirmado oficialmente, nos EUA para receber formação antiterrorista enquanto dirigente tadjique: “De 2003 a 2014, o coronel Khalimov participou em cinco cursos de formação em contra-terrorismo nos Estados Unidos e no Tadjikistão, através dos programas de Segurança Diplomática do Estado e Assistência Anti-Terrorismo, ministrados no Departamento de Estado”, segundo disse, em Washington, a porta-voz Pooja Jhunjhunwala à CNN.

Pós-independência, guerra civil, autoritarismo vs islamismo ‘moderado’ banido como ‘radical’

O Tadjiquistão, antiga república da URSS, tornou-se independente em 9 de setembro de 1991, mas logo depois foi submersa por uma guerra civil de cinco anos (1992-97).

A laicização imposta pelo regime soviético continuou sob os sucessivos presidentes, Rahmon Nabiyev (1991-92), Akbarsho Iskandarov (1992-94) e Emomali Rahmon, que governa o país desde 1994. Tem sido sucessivamente reeleito com perto de 80 por cento dos votos, por entre alegações de fraude da oposição (ilegalizada pela segunda vez em 2015).

O IRP-Partido do Renascimento Islâmico do Tadjquistão fundado em 1990 foi ilegalizado primeiro em 1993. O tratado de paz de 1997 entre o governo e oposição definiu que a oposição teria 30 por cento dos 63 assentos no parlamento ( o país tem 9 milhões de pessoas).

Nas eleições seguintes, 2015, o IRP não conseguindo atingir os cinco por cento alegou fraude e foi declarado ilegal. Desde então, o Tadjiquistão designou-o de organização terrorista.

Mas a classificação foi, a nível internacional, tida como mais uma manobra de perseguição política a um partido moderado, que até apoiou em 2013 a candidata presidencial Oinikhol Bobonazarova.

Fontes: AP/AFP/Reuters/ Arquivos online. Fotos: Palácio presidencial tadjique. Foto inserta: Oinikhol Bobonazarova recebe, das mãos da primeira-dama dos EUA, o prémio atribuído a ativistas políticas pelo Departamento de Estado, o “2014 Secretary of State’s International Women of Courage Award”.

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