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Talibãs exigem que os seus líderes sejam excluídos das listas negras dos EUA e ONU 09 Setembro 2021

Os talibãs exigiram hoje que os seus líderes sejam retirados das listas negras dos Estados Unidos e das Nações Unidas, respeitando o acordo de Doha, e condenaram as críticas feitas aos membros do novo Governo do Afeganistão.

Talibãs exigem que os seus líderes sejam excluídos das listas negras dos EUA e ONU

“Pedimos que essas políticas incorrectas sejam revertidas imediatamente através de interacções diplomáticas”, exigiu, através de um comunicado, o Governo talibã, que assumiu o poder no Afeganistão em 15 de Agosto com a conquista de Cabul.

Vários membros do novo gabinete do Governo interino do Afeganistão, anunciado na terça-feira, estão na lista negra de terroristas do Conselho de Segurança da ONU, muitos destes com mandados de prisão emitidos por agências de segurança dos Estados Unidos.

Entre os que estão na lista, destaca-se o novo ministro do Interior afegão, Sirajuddin Haqqani, sobre quem pesa uma recompensa de 10 milhões de dólares (8,45 milhões de euros) das autoridades norte-americanas por informações que facilitem a sua captura.

Sirajuddin Haqqani, de 48 anos, é o chefe de um dos grupos mais temidos no Afeganistão, a rede Haqqani, fundada pelo seu pai, Jalaluddin Haqqani, para lutar contra a invasão soviética na década de 1980 e que está por trás de alguns dos ataques mais sangrentos cometidos em território afegão.

A rede Haqqani, considerada uma organização terrorista pelos Estados Unidos, associou-se aos talibãs quando o grupo islâmico chegou ao poder em 1996.
“Funcionários do Pentágono comentaram que alguns membros do gabinete do Emirado Islâmico (como os talibãs se auto-denominam) ou membros da família do falecido Haqqani estão na lista negra dos Estados Unidos e continuam a ser alvos”, lê-se na nota.

Para os talibãs, “esta posição é uma clara violação do acordo de Doha, que não beneficia nem os Estados Unidos nem o Afeganistão”, indicou o comunicado, em referência ao pacto assinado em Fevereiro de 2020 entre Washington e os talibãs para a retirada das tropas internacionais do Afeganistão.

Segundo os talibãs, “a família do honorável Haqqani faz parte do Emirado Islâmico e não tem um nome ou estrutura organizacional separada”, disse o porta-voz dos talibãs no comunicado.

“Da mesma forma, na sequência do acordo de Doha, todos os funcionários do Emirado Islâmico, sem excepção, (…) deveriam ter sido retirados das listas negras da ONU e dos EUA, uma exigência que ainda é válida”, observou o porta-voz.

Um ex-funcionário do Governo afegão disse à agência de notícias EFE, sob condição de anonimato, que cerca de 15 membros do novo gabinete dos talibãs estão na lista negra da ONU e dos Estados Unidos.

“Eles não são apenas uma ameaça à segurança do Afeganistão, mas também à segurança da região e dos países do mundo”, disse a fonte, que garantiu que além de Sirajuddin Haqqani, estão na lista o seu tio e ministro dos Refugiados, Khalil Haqqani, e o novo primeiro-ministro em exercício, Mohammad Hassan Akhund.

A nomeação do gabinete gerou críticas da comunidade internacional que questionou não apenas a presença de líderes radicais do movimento, mas também o poder entregue a indivíduos considerados ameaças terroristas.

“O Emirado Islâmico condena nos termos mais veementes que os Estados Unidos e outros países estejam a fazer declarações tão provocativas e a tentar intrometer-se nos assuntos internos do Afeganistão”, segundo o comunicado do Governo talibã.A Semana com Lusa

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