OPINIÃO

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Tarrafal de São Nicolau: Da má gestão a um desenvolvimento torto 16 Junho 2019

O que me motiva a redigir este pensamento é a revolta contra o uso abusivo e excessivo do poder por parte do autarca do Tarrafal São Nicolau, José Freitas de Brito, na forma como vem conduzindo os destinos do nosso município, ao distribuir mal os parcos recursos financeiros à disposição da câmara municipal. As últimas decisões do atual líder autárquico prendam-se única e exclusivamente ao luxo próprio e não ao bem comum.

Tarrafal de São Nicolau: Da má gestão a um desenvolvimento torto

Por: Albino Sequeira*

Este artigo não tem incumbência de qualificar tecnicamente um gestor público, neste caso particular, o Presidente da Câmara Municipal do Tarrafal São Nicolau, mas sim, chamar atenção deste administrador público aos riscos e perigos que o município corre com a sua má gestão, devido a sua arrogância política, que põe em causa a sustentabilidade do nosso município.

Ora bem, quando falamos da utilização do erário público em Cabo Verde, obrigatoriamente isto se associa a má gestão da coisa pública. Atualmente é um dos maiores males e problemas dos políticos no exercício das suas funções.

Estes gestores afirmam constantemente de que, o maior desafio é criação de postos de trabalho. Eu diria que não. A preocupação dos políticos devia ser combater a má gestão dos bens públicos.

O que me motiva a redigir este pensamento é a revolta contra o uso abusivo e excessivo do poder por parte do autarca do Tarrafal São Nicolau, José Freitas de Brito, na forma como vem conduzindo os destinos do nosso município, ao distribuir mal os parcos recursos financeiros à disposição da câmara municipal. As últimas decisões do atual líder autárquico prendam-se única e exclusivamente ao luxo próprio e não ao bem comum.

É verdade crua que, o município precisa e tanto de recursos para enfrentar os desafios de desenvolvimento económico e social, porque não os tem, recorre ao financiamento do governo central, uma vez que ao exterior, o Presidente é incapaz de conseguir benefícios, prova disso são as sucessivas viagens que realizou ao estrangeiro e que, nunca trouxe algo à Tarrafal.

Os poucos meios que a autarquia consegue mobilizar é através de aplicação de taxas, multas, emolumentos, impostos fixados na lei, que permite a câmara satisfazer as suas despesas correntes.

Gerir de forma racionalizada fundada em critérios de boa gestão, alicerçada na máxima de que sendo os recursos escassos, a sua gestão deve ser feita de forma correta em benefício de todos. Tal medida exige respeito pela coisa pública, o que não vai de encontro com os princípios de gestão da Sua Excelência, Senhor Presidente, que prefere alugar por via de terceiros veículos pesados gastando mais de 350 contos mensais, para prestarem serviços a edilidade, do que deixar estragados em estaleiro municipal as máquinas pesadas da instituição que ele mesmo preside.

Gerir a coisa pública significa administrar algo que é de todos, na base de lei para atender o interesse comum. Infelizmente, não é o que parece estar acontecer na região do Tarrafal. O autarca que está ao serviço do povo Tarrafalense, se mandou contrair um empréstimo de 30 mil contos junto da banca com autorização da assembleia municipal alegando construção de certas obras, o que, na verdade traduziu na aquisição de um carro para uso pessoal do Presidente, e de sucessivas viagens que fez nos últimos meses, ao invés de canalizar as verbas para os fins que foram solicitados. É inaceitável que, um órgão executivo singular do município a fazer deslocações em todas as saídas do FC Ultramarina no nacional de futebol, visando a preciosa ajuda de custo. Ações que levaram de imediato a paralisação das obras que estavam em curso e neste momento não consegue justificar as transferências do governo de modo que, as restantes montantes sejam desbloqueadas, como ditam as regras.

Somos um município que não dispõe de grandes meios financeiros para fazer face às diversas necessidades coletivas, razão de se exigir a sua gestão responsável e criteriosa por parte do senhor Presidente, e deve assumir responsabilidades por levar a cabos determinadas missões em detrimento de outros.

Para quem conhece as dificuldades que o município atravessa, pode dizer que tudo quanto se fala sobre a falta de recursos que está na origem da pobreza na nossa cidade, é mentira, tendo em conta os gastos públicos supérfluos carentes de uma boa gestão.

O Presidente esquece que é servidor do povo do Tarrafal São Nicolau, que gere uma empresa pública, não privada e nem tão pouco a sua. Esquece de que foi eleito e não indigitado e deixa de cumprir com as suas obrigações, não pagando o INPS aos funcionários, atrasando o pagamento das quinzenas aos colaboradores e não acudir aos problemas sociais do município.

Se não houvesse esbanjamento de fundos e alguma má gestão do erário público, entre outros fatores negativos, certamente que a nossa querida terra poderia conhecer outro nível de desenvolvimento socioeconómico, garantir uma vida melhor aos munícipes e atrair investimento privado que tanto faz falta. Urge, pois, repensar a sua gestão, senhor Presidente a bem do seu povo, que o elegeu.
Uma boa gestão de coisa pública exige um plano estratégico, com uma distribuição eficiente dos meios financeiros, permitindo uma gestão transparente, unindo os esforços em prol do bem comum.

Os eleitores do município do Tarrafal São Nicolau entendem que a sua Excelência está sem a capacidade de continuar à frente dos destinos da nossa região. A sua consciência deve impedi-la de uma outra tentativa de recandidatar sob pena de ser humilhado nas urnas.
— -
* Economista e escritor

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