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Teófilo Figueiredo retoma o alegado caso de desvio na venda de aeronaves da TACV: Cabo Verde “terá recebido” parte dos quatro milhões de dólares do produto da venda dos aviões “Casa” 09 Mar�o 2018

O antigo ministro das Infra-estruturas e Transportes, Teófilo Figueiredo, disse hoje,08, que tem a percepção de que o Estado cabo-verdiano “terá recebido” parte dos quatro milhões de dólares provenientes da venda dos aviões “Casa”.

 Teófilo Figueiredo  retoma o alegado caso   de desvio na venda de aeronaves da TACV: Cabo Verde “terá recebido” parte dos quatro milhões de dólares do produto da venda dos aviões “Casa”

O alegado desvio na década de 90 de quatro milhões de dólares resultantes da venda de aviões de marca Casa pertencentes à TACV foi retomado, nesta quinta-feira, pelo antigo ministro das Transportes num dos governos do MpD. Teófilo Figueiredo fez considerações neste sentido à margem da audição no quadro da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que abrange o período de gestão da TACV-Cabo Verde Airlines desde 1975 a 2017.

“A minha percepção é que terá sido feito um primeiro pagamento e outros não resultaram…o comprador falhou” , precisou, segundo a Inforpess, o antigo ministro de tutela da companhia aérea de bandeira, admitindo, porém, que há “tantos contratos que falham” e, por isso, não será esta uma situação “anormal”.

Instado a pronunciar-se sobre a retenção de um avião ATR em Dakar, capital senegalesa, ao tempo em que era ministro das Infra-esfraestruturas, Teófilo Figueiredo foi -prossegue a agência cabo-verdiana de notícias- peremptório ao afirmar que aquela situação ficou a dever-se a uma espécie de ciúmes que alguns países da sub-região da África Ocidental tinham em relação a Cabo Verde que conseguia dispor de uma frota constituída por aeronaves novas.

Conforme afirmou, a TACV, ao dotar a sua frota de aviões novos, estava em condições de realizar dois voos para Dakar, pelo que acordou com a sua congénere senegalesa que cada uma delas faria duas ligações semanais às capitais dos respectivos países.

“Realizámos o primeiro voo e, no segundo, houve um conjunto de dificuldades em Dakar e foi preciso a intervenção do Presidente da República (António Mascarenhas Monteiro) para que o avião fosse desbloqueado”, disse Teófilo Figueiredo, adiantando que, passada esta fase de dificuldades, a TACV retomou os seus dois voos semanais para a capital senegalesa.

Perguntado sobre o que terá falhado em relação à transportadora aérea nacional e que a levou uma situação de insustentabilidade financeira, admitiu ter havido uma “gestão incorrecta” associada a uma “opção de política muito incorrecta”.

Questionado a esclarecer sobre a partir de que altura a TACV começou a ser alvo de “opções políticas incorrectas, respondeu nesses termos: “A partir do momento em que a empresa deixou de dar os resultados que estava a dar”.

Durante a audição, foi dizendo que a abertura dos voos para Boston, em 1985, para ligar a maior comunidade cabo-verdiana no exterior à terra natal, foi uma “decisão política”.

Para Teófilo Figueiredo, o aparelho, um DC-10 das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), com que a TACV operava na linha Sal-Boston e vice-versa, era um avião “muito caro” e a comunidade cabo-verdiana nos Estados Unidos da América “não correspondeu” às expectativas.

Durante a audição na CPI escusou-se a comentar o contrato feito com a empresa canadiana Sterling Merchant no quadro da reestrutura da TACV e para sua posterior privatização.

Entretanto, instado pelos jornalistas sobre o mesmo assunto, deu a entender que o contrato com a empresa canadiana, em si, “deve ter sido bem estruturado”.

“A forma como se resolveu o contrato é que, ao que parece, foi incorrecta, porque perdemos no Tribunal. Se o Estado perdeu é sinal de que alguma coisa não cumpriu em relação ao contrato que tinha assinado”, precisou Teófilo Figueiredo, para quem a Sterling “terá feito alguma coisa” em relação à TACV, pois, caso contrário, “teria perdido o processo no Tribunal”.

À pergunta se é fácil privatizar uma empresa como a TACV, respondeu que não, explicando que o sector dos transportes exige uma “técnica muito específica” e deu exemplo de muitas empresas do ramo que “faliram”, devido à crise mundial, e que uma companhia aérea da dimensão da transportadora aérea nacional “sofre com isso”.

“Estávamos ansiosos em privatizar os TACV, mas não conseguimos e até agora não foi possível”, lamentou o antigo ministro de tutela, deixando transparecer que o “buraco financeiro” da companhia e “outros problemas por resolver” poderão ter contribuído para dificultar a sua privatização.

Segundo ele, houve tentativa para uma “parceria muito franca” com a South African Arways (Linhas Aéreas Sul-africanas) que, pela sua dimensão, “podia resolver-nos o problema, mas não estavam interessados”.

Relativamente ao ambiente laboral ao tempo em que foi tutela da TACV, reconhece que, inicialmente, se registaram alguns problemas, mas que “foram rapidamente ultrapassados”.

Apontou que um desses problemas se prende com o facto de a companhia atribuir “benesses” que considerava “absolutamente anormais e exagerados”, nomeadamente a concessão gratuita de bilhetes de passagens não só ao pessoal da companhia, mas também “aos amigos e familiares”.

Na sua perspectiva, os funcionários tinham “direitos exagerados” e que foram reduzidos.

Não podia consentir, por exemplo, que uma tripulação ficasse uma semana em Amsterdão (Holanda) num hotel de quatro estrelas a aguardar pelo voo dos TACV.

“A gestão chegou à conclusão que seria possível que uma tripulação, que fosse a Amsterdão, apanhasse um voo em Frankfurt e regressar a Cabo Verde dois dias depois”, comentou, adiantando que são actos de “gestão pura” e que o pessoal começou a entender que a empresa estava a andar por um bom caminho”.

Teófilo Figueiredo concluiu a sua explanação, indicando que, no final do seu mandato, tinha “óptimas relações com todo o pessoal dos TACV”. C/Inforpress

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