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Terrorismo em França: Tchetcheno de 18 anos mata e decapita professor "por mostrar caricaturas de Maomé" 18 Outubro 2020

O professor liceal, Samuel Paty, de 47 anos, foi assassinado na sexta-feira, 16, dias depois de ter registado, no dia 12, uma queixa na esquadra de Conflans-Sainte-Honorine, Yvelines, na Grande Paris, "por ter sido difamado" e "ameaçado de morte" após uma aula sobre a liberdade de expressão.

Terrorismo em França: Tchetcheno de 18 anos mata e decapita professor

Segundo a AFP, tudo aponta para um "atentado terrorista", já que o executante gritou "Allahu Akbar" (Deus é grande), como comprovam as imagens postadas pelo próprio nas redes sociais. A ameaça de que o mesmo vai acontecer a todos que "insultam o profeta" acompanha essas imagens — violentas, da vítima estendida no meio da estrada em frente ao liceu.

O presidente da República, Emmanuel Macron, saudou, na sexta-feira, a prontidão e o profissionalismo das forças da ordem que em pouco tempo se apresentaram no local do crime e cercaram o terrorista. Ante a recusa dele em entregar-se, foi baleado e morreu de imediato.

Nove pessoas estão detidas. Uma delas é o pai dum aluno que dias antes tinha colocado um vídeo no YouTube, a dizer que "o professor é um bandido" por ter mostrado — numa aula do 8º ano, sobre o tema da liberdade de expressão — as caricaturas de Maomé que motivaram o atentado do Charlie Hebdo em janeiro de 2015.

Segundo a AFP, além da detenção do autor do vídeo na noite de sexta-feira, mais oito pessoas tinham sido detidas no sábado de manhã, em relação com o caso. Quatro são parentes — pai, mãe, avô e irmão — do terrorista, de 18 anos.

Imigrantes enigmáticos

Os tchetchenos que vivem em França são na sua maioria de nacionalidade russa e foi-lhes concedido o estatuto de refugiado. Foi na sequência da guerra da Tchetchénia nos anos de 1990, que sob a ameaça de bombardeamentos russos, milhares de famílias obtiveram o direito de asilo na Europa, em particular na Alemanha, Bélgica e França.

"São uma comunidade curiosa, opaca, solidária e ao mesmo tempo dividida. Estão numa situação paradoxal entre uma boa integração e múltiplos alertas", descreve-os um alto funcionário francês.

O retrato paradocal explica-se pelos acontecimentos dos últimos quatro meses.

Em junho em Dijon, 340 km a sudeste de Paris, tchetchenos locais mas também vindos da Bélgica e Alemanha protagonizaram o que foi classificado como uma "expedição punitiva" contra "os habitantes de bairros sociais (magrebinos, da África subsaariana).

Este fim de semana entram de novo no foco mediático pelo assassínio e decapitação de Samuel Paty. "Um excelente professor, sempre dedicado aos seus alunos", segundo uma mãe que elogiou o falecido.

Trump "contra o islamismo radical" e solidário com... o primeiro-ministro francês Macron

No sábado, 17, em comício no Wisconsin o presidente em campanha apresentou "as mais sinceras condolências ao meu caro" Macron, com a gaffe "primeiro-ministro de França".

"Temos de ser muito fortes contra o islamismo radical", disse perante milhares de apoiantes depois de repetir que a execução do professor francês foi seguida da sua decapitação, uma coisa horrível, horrível".

Fontes: AFP/LE Figaro/ BBC/Washington Post. Foto (AFP): Paris, Rennes, por toda a França sucederam-se ao longo do fim de semana as homenagens ao professor vítima de terrorismo.

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