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Timor-Leste "foi enganado" com ’ferry’ mas dá 2ª chance a Portugal, diz PR Ramos-Horta 08 Novembro 2022

O presidente Ramos-Horta teve uma agenda cheia na sua visita oficial a Portugal na primeira semana de novembro. Receção no palácio de Belém. Encontro com a comunidade timorense em Portugal. Reuniões com o empresariado luso para investir os lucros do petróleo. Uma entrevista em que foi contundente: após "ter sido enganado" no negócio do ferryboat em 2014, Timor está a dar a Portugal uma "segunda oportunidade" ao investir nos estaleiros da Figueira da Foz.

Timor-Leste

"Timor-Leste foi vítima, o doutor Mari Alkatiri é alguém que sempre privilegiou [as] relações com Portugal", afirmou na quinta-feira Ramos-Horta na conferência de imprensa, ao abordar os investimentos do fundo petrolífero.

Timor-Leste foi enganado no processo da construção do ’ferry’ Haksolok em 2014 e agora a aquisição dos estaleiros da Figueira da Foz constitui uma “segunda oportunidade” dada a Portugal.

“Falamos muito da dimensão económica, fazemos reuniões, fazemos fóruns”, no quadro da CPLP, referiu o chefe do Estado, mas "foi [a] primeira vez, com os projetos em Oecusse, que o doutor Mari Alkatiri materializou aquilo que se fala” e trouxe “empresas portuguesas para Timor-Leste e encomendou o barco”, que podia ter sido “encomendado facilmente na Coreia do Sul ou na China”.

"Fez-se aqui e fomos logo enganados". Agora, chama a atenção às autoridades de Portugal para "não repetir essa experiência triste".

Investir em Portugal com dinheiro do petróleo timorrense

Timor-Leste investiu 12 milhões de euros na aquisição de 95% dos estaleiros da Figueira da Foz, infraestrutura que entrou em insolvência e que tinha praticamente como único cliente a construção do ‘ferry’ Haksolok, que devia ligar a capital timorense, a ilha de Ataúro e o enclave de Oecusse, no oeste do país, na altura gerido por Mari Alkatiri.

O orçamento inicial da embarcação, em 2014, era de 13,3 milhões de euros e este investimento global na Figueira da Foz terá agora que ser rentabilizado com outros projetos.

"Os estaleiros podem ser altamente rentáveis", até porque "Portugal tem essa tradição de engenharia naval" e "não tem que ser necessariamente para fazer barcos para Timor-Leste, mas para o mercado internacional", afirmou Ramos-Horta, que comparou a compra da empresa da Figueira da Foz com outros investimentos financeiros feitos com os dinheiros do fundo petrolífero.

“É igual ao investimento que estamos a fazer nos ’eurobonds’ e no mercado internacional”, resumiu.

A operação de compra do Haksolok é uma das mais polémicas dos últimos anos em Timor-Leste, causando intensos debates entre sucessivos governos e partidos políticos e, ainda agora gera fortes críticas a Mari Alkatiri e à RAEOA-Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno.

O contrato para a construção do Haksolok foi assinado com a Atlanticeagle Shipbuilding [novo nome da construtora naval fundada em 1944 no centro de Portugal] em setembro de 2014 e os trabalhos arrancaram em 2015, mas estão parados há vários anos.

Depois de um pedido de insolvência, a AtlanticEagle Shipbuilding viu aprovado em 96% um Plano Especial de Recuperação, com os votos favoráveis da Autoridade Tributária, Segurança Social e do maior credor, precisamente a RAEOA.

Timorenses vítimas de neoescravatura em Portugal

Os encontros do presidente com a comunidade timorense em Portugal acontecem num momento de muita perturbação dadas as revelações de que os timorenses estão a ser vítimas de tráfico humano.

Os noticiários desde setembro dão conta de que perto de uma centena de timorenses estão a trabalhar e a passar fome, entre outras condições infra-humanas em empresas agrícolas.

Mais de meia centena encontrados no Fundão, no centro de Portugal, são referidos na reportagem da SIC como contratados por "um patrão paquistanês". Primeiro entraram no Alentejo, donde foram subcontratados por outra empresa. Chegados ao Fundão, vão sendo chamados a dedo para trabalhar e entretanto ficam à espera e sem dinheiro.

Fontes: RTP/SIC/.../Presidencia.pt. Relacionado: Mais neoescravatura — Timorenses em Portugal trabalham e passam fome..., 09.set.022.

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