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Tokyo’20: Abalado por ciclones que ’Aeolus’ e outros satélites meteorológicos "não previram" 27 Julho 2021

Prolífica em reviravoltas — pandemia de Covid, polémicas de género e raça —, esta trigésima-segunda Olimpíada enfrenta agora um novo imprevisto: o ciclone ’Nepartak’ que já mudou o calendário de provas aquáticas desde domingo e deve chegar em força nesta terça-feira, 27.

Tokyo’20:  Abalado por ciclones que ’Aeolus’ e outros satélites meteorológicos

Os organizadores tiveram de reprogramar eventos domingo e segunda-feira, devido às condições atmosféricas. Os desportos aquáticos podem tornar-se perigosos se ocorrer uma tempestade tropical.

Segundo meteorologistas, o maior golpe aos Jogos podia chegar se a tempestade tropical atingir diretamente Tóquio, onde estão sediados a maior parte das provas e eventos. Mas se a tempestade chegar mais para o norte ou sul de Tóquio isso pode afetar uma região ainda mais extensa do que a área metropolitana de Tóquio e até para além.

Outro perigo, ainda de acordo com peritos, seria se além da tempestade ocorressem deslizamentos de terra. Os Jogos teriam de ser cancelados.

"Porque é que a previsão meteorológica não contribui para evitar imprevistos destes na trigésima-segunda Olimpíada da Era Moderna?" Uma pergunta que muitos fazem, perante a sofisticação presente na ciência meteorológica recente, designadamente na decorrência de inventos que desde 1977 o Japão tem vindo a desenvolver.

Regista-se que nos últimos quatro decénios o Japão está na vanguarda dos satélites meteorológicos, para observação também dos sismos e dos vulcões que a natureza nipónica propicia.

O Japão, na vanguarda, pois, fez o lançamento em 1977 do primeiro GMS-Satélite Meteorológico Geoestacionário na órbita geoestacionária (cerca de 36.000 km acima do equador à longitude de 140 graus Este). O objetivo é sobretudo cobrir o Pacífico Oeste e a Ásia Oriental com partes duma componente base espacial do GOS-Sistema de Observação Global no âmbito da programação do WWW-Observatório Mundial do Tempo.

Aeolus, 1.360 kg

O Aeolus é outro desenvolvimento recente que dá peso à perplexidade presente na pergunta acima.

Uma iniciativa conjunta europeia mais recente, o satélite Aeolus foi desenvolvido na fábrica Airbus instalada em Stevenage, no Reino Unido.

Transcrevemos a sua descrição, por ocasião do seu lançamento em agosto de 2018:

O lançamento a 21.8.018 do satélite europeu Aeolus(foto), para medir a velocidade e a orientação do vento, abria uma nova era na previsão meteorológica — que passa a dispor de um dos mais avançados instrumentos para obter dados mais globais.

O Aeolus representa muito para climatólogos, geógrafos e outros especialistas das previsões meteorológicas, de há muito ansiosos por um instrumento de colheita de dados mais globais. É um instrumento que vem preencher uma importante lacuna, em especial no que concerne o Hemisfério Sul onde há mais dificuldade em obter dados.

A medição das variações dos impulsos laser que as partículas da atmosfera refletem é o grande avanço que traz o Aeolus. O satélite lançado em Kourou, na Guiana Francesa, pela Agência Espacial Europeia (ESA), é um passo em frente sobre os satélites atuais que apenas medem o movimento das nuvens e a rugosidade das ondas.

"É uma missão exploratória. Mas com os objetivos operacionais, as agências meteorológicas podem integrar os dados em tempo real, ou quase, para poderem alimentar os seus modelos", congratulou-se o supervisor da operação, Mark Drinkwater.

Importância do vento

O mito antigo que concebeu Aeolus, raiz de Éolo, demonstra a consciência humana sobre a importância do vento para a humanidade, a começar pela navegação marítima. Imaginado como o controlador dos ventos, o deus Éolo atuava ora de forma caprichosa ora segundo as orientações de Zeus, deus supremo.

A ciência evoluiu sempre no sentido de melhor dominar esse elemento da natureza, que se foi tornando essencial para a vida humana. Os campos de aplicação da energia eólica abrangem desde a navegação marítima, que durante muitos milénios dependeu da direção e velocidade-força do vento, até aos sistemas atuais nas energias renováveis.
— -
Fontes: Times of Japan/SCMP/Le Monde/site da ESA (foto artística do ‘Aeolus’). Relacionado: Meteorologia: Previsão será facilitada com ’Aeolus’, satélite europeu controlador de ventos, 28.ago.018. Fotos: ‘Aeolus’. O ciclone ’Nepartak’ que já mudou o calendário de provas aquáticas desde domingo e deve chegar em força na terça-feira, 27.

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