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Tokyo’20: "Estrangeiros não entram!" —Reembolso de parte dos 4,5 milhões de entradas 12 Mar�o 2021

Os ’media’ japoneses desde terça-feira, 9 noticiam que "o governo japonês decidiu que não haverá estrangeiros a assistir aos Jogos Olímpicos" adiados, que vão ter lugar em Tóquio entre 23 de julho e 08 de agosto. Dois dias depois do anúncio da proibição do público vindo de fora — ditada pela situação atual que causa muita apreensão aos cidadãos japoneses (mais de 70% dizem recear a possível entrada de variantes agressivas do coronavírus, trazidas pelo público vindo de países como a Grã-Bretanha, África do Sul, Brasil) — 1 em 5 compradores já pediu o reembolso dos mais de quatro milhões de bilhetes de entrada até agora vendidos, segundo informa a agência noticiosa Kyodo.

Tokyo’20:

A decisão de Tóquio ditada também pelo avanço da crise da Covid-19— hoje com 441.729 infeções e 8.353 óbitos — ainda não tem reação oficial do COI-Comité Olímpico Internacional.

Apenas uma fonte anónima disse à AFP que o organismo sediado em Lausanne, Suíça, tinha "concertado com o Japão que a questão sobre os [espectadores] estrangeiros só seria decidida em 30 de março".

A indústria hoteleira e de restauração não irá sentir muito o impacto da medida, já que segundo uma sondagem recente publicada nos media da referência, 70 por cento já tinham expressado que estão "contentes por poderem servir só os nossos concidadãos". Como explicam, istp é devido à barreira linguística e à necessidade de adaptarem as estruturas ao gosto estrangeiro.

Pelo menos 30% dos operadores de hotelaria e restauração disseram que preferem não ter estrangeiros entre os seus clientes. Bem na contramão das promoções do Ministério do Turismo. Então onde é que fica a campanha Yokoso! Japan (Boas-Vindas ao Japão!)?

Há quem atribua a situação a um profundo sentimento anti-estrangeiros presente no país do extremo-oriente. O Japão durante séculos esteve fechado a influências externas e ao abrir-se passou por experiências traumatizantes como as dos dois bombardeamentos de Hiroxima e Nagasáqui durante a Segunda Guerra Mundial.

Outros preferem avançar que a Covid determinou esse sentimento — por razões de segurança sanitária, e não a xenofobia.

Há 1 ano, Japão decidiu adiar

Em 30 de abril de 2020, o COI anunciou a nova data para as Olimpíadas de Tóquio: de 23 de julho a 08 de agosto. O mesmo dia e mês, um ano depois.

A decisão tornou-se mais urgente com o avanço da crise da Covid-19: "Há mais de uma semana que o COI tentava convencer o Japão, reticente quanto ao imperativo de seguir o plano B", afirmou ao Le Monde uma fonte do organismo olímpico.

O adiamento foi, há um ano, anunciado menos de 48 horas depois de Thomas Bach afirmar que havia de anunciar uma decisão "no prazo de quatro semanas".

Porquê? "Os japoneses não queriam ser acusados de não poder organizar os Jogos a tempo e horas. Assim que o Abe compreendeu que tinha deixado de ser um problema japonês, mas mundial, teve a cobertura política para poder aceitar um plano B", disse a fonte ao Le Monde.

O adiamento é a menos má das soluções. É que a anulação, dizem os peritos, seria uma catástrofe económica, porque os patrocinadores e os promotores podiam exigir ser indemnizados, além de que haveria importantes perdas de bilheteira.

O COI também "salva a face" porque manter a competição nas datas agendadas ia levar à desistência de certos países, com a consequente desvalorização do evento e estragos na imagem do organismo sediado em Lausanne, Suíça.

A Associação de Atletas afirmou ao Deutsche Welle que o adiamento era desejado por mais de 75 por cento dos atletas — segundo um estudo realizado junto de 4 mil entrevistados — e 87% disseram que a sua preparação tinha sido prejudicada pela pandemia em curso.

Adiar foi decisão histórica, implicações financeiras

É a primeira vez na história dos Jogos Olímpicos da era moderna que ocorre o adiamento do evento. Houve sim três cancelamentos — Berlim 1916, Tóquio 1940 e Londres 1944 — impostos pela duas guerras mundiais. Também a guerra-fria causou perturbação aos JO de Moscovo 1976 e Los Angeles 1980.

As implicações financeiras são de vulto, já que a trigésima-segunda Olimpíada está orçada entre os €11.1 biliões (1,2 biliões CVE, 1.200 milhões de contos) e os €23 biliões (25 biliões CVE, 2.500 milhões de contos), com o COI a contribuir com €740 milhões (820 mil milhões CVE, 820 milhões de contos), segundo o Deutsche Welle.Retour ligne automatique

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Fontes: AFP/Japan Times/outras referidas. Relacionado: Tokyo’20: COI admite adiar …, 22.mar.020. Foto: As cerejeiras estão prestes a florir, tudo no seu tempo certo, só que este ano a Covid ditou o cancelamento do turismo interno que todos os anos leva milhões de japoneses à festa da sakura, a contemplação das flores (sem fruto). Mas em julho haverá Olimpíadas — só para japoneses.

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